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.Cláudio Alcântara

claudioalcantaravr@hotmail.com

Política Cultural

Marinez Fernandes vai representar 12 cidades no Conselho de Cultura

Presidente do Dagaz ocupará cadeira no CEPC; fala de questões práticas, o que será feito e qual sua filosofia de trabalho

Entrevistas  –  19/01/2016 12:35

Publicada em: 02/12/2015 (10:48:45)
Atualizada em: 19/01/2016 (12:35:18)

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(Fotos: Divulgação)

Marinez foi eleita com 102 votos na Conferência Regional de Cultura do Médio Paraíba,
no dia 23 de novembro, realizada no auditório (lotado) do Espaço Z, na cidade de Resende

A gestora cultural Marinez Fernandes, de Volta Redonda, ocupará a cadeira de titular no CEPC (Conselho Estadual de Política Cultural). Eleita com 102 votos na Conferência Regional de Cultura do Médio Paraíba, realizada em 23 de novembro, no auditório do Espaço Z, em Resende, tornou-se conselheira oficial do CEPC para o Médio Paraíba. A eleição faz parte do processo de estruturação do Conselho Estadual de Política Cultural, órgão colegiado deliberativo, de composição paritária, peça integrante do Sistema Estadual de Cultura, recentemente instituído com a sanção da Lei 7035/2015. Em entrevista ao OLHO VIVO, Marinez fala de questões práticas, o que pode ser feito e qual será sua filosofia de trabalho. Confira: 

O que representa na prática, para Volta Redonda, ter uma conselheira oficial do CEPC representando o Médio Paraíba?

É a primeira vez que a Secretaria de Cultura do Estado reconhece a necessidade de se respeitar as identidades culturais das regiões em si como um trabalho árduo e por isso lutamos pela construção de uma formação democrática para o Conselho de Cultura Estadual. E toda essa luta gera, com certeza, a ampliação da escuta e um fortalecimento do canal de comunicação. Vemos o trabalho que envolve a cultura em nossa região como algo fundamental para nosso enriquecimento e empoderamento, enquanto atuantes nesse setor. 

De que forma a arte/cultura das cidades vai se beneficiar disso?

As cidades se beneficiarão com o fortalecimento da Rede; e uma das grandes preocupações é a adesão ao Sistema Nacional de Cultura, pois muitas ainda não terminaram tal adesão, é preciso finalizar esse processo.

Penso também que podemos manter um Fórum permanente onde reuniremos os fazedores de cultura para alinhar uma política de fruição, difusão, circulação de ações culturais, e, com isso, buscando cada vez mais a fomentação de políticas públicas engendradas nesse setor. 

Esse realmente é o melhor caminho para mudar o atual cenário?

Com certeza, é reconhecimento, democratização, fortalecimento de território e identidade; a SEC-RJ está fazendo a parte dela, basta que nós saibamos reconhecer e fazer a nossa. E o mais importante nisso tudo é a conscientização do clichê: “Juntos somos fortes”, pois essas sábias palavras explicam bem o nosso objetivo e a forma como estamos entrando nessa luta.

Estamos nos organizando para uma representatividade coletiva, onde todos nós teremos vozes e essas vozes serão ouvidas. É o começo de grandes conquistas.

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“O mais importante nisso tudo é a conscientização do clichê: ‘Juntos somos fortes’, pois essas
sábias palavras explicam bem o nosso objetivo e a forma como estamos entrando nessa luta”

Quais serão os seus próximos passos (práticos)?

Uma ação muito importante é começar pelo meu município (Volta Redonda). Já no dia 20 de dezembro haverá a eleição do Conselho de Cultura Municipal, estamos (eu, as Meninas de Lenços, a Cultura Digital e a Cultura Urbana) chamando para uma Prévia da Conferência Municipal que acontecerá no dia 18 de dezembro, onde vamos rever a Lei para pedir alguns ajustes e acertos, trazendo em pauta alguns segmentos importantíssimos que foram deixados sem representatividade. Para ajustes e inclusão de todos os segmentos que estão no Sistema Nacional de Políticas Culturais: Arte Digital; Artes Visuais; Artesanato; Artes Cênicas (Teatro, Dança e Circo) Culturas Afro-Brasileiras; Culturas Populares; Literatura; Livro e Leitura; Música; Patrimônio Imaterial e Patrimônio Material; Cultura Urbana (Grafite, Roda de Rima). Convidaremos os nossos vereadores, pois com certeza são peças de suma importância para a resolução dos nossos problemas legais.

A Comissão de Cultura, por intercessão do seu presidente Genilson (Sukinho), nos ajudou com os agendamentos, estarei pessoalmente explicando a importância da criação do Fundo da Cultura para dar mais um passo para que o CPF (Conselho, Plano Municipal e Fundo) da Cultura do nosso município esteja entregue. O prefeito Neto fez a parte dele quando assinou a adesão e nós, como Sociedade Civil, juntamente com o Legislativo, temos que finalizar o processo. Estamos caminhando lentamente, mas tenho certeza de que juntos podemos agilizar o processo.

Possivelmente, a posse no Conselho Estadual será após o Carnaval, por enquanto estamos criando uma Rede, e é preciso nos manter ligados, sou representante de 12 cidades, isso é de suma importância, vamos buscar a visibilidade para a região inteira. 

De que forma você pretende atuar nesse novo desafio?

Com muita dedicação! Busquei muito nesses últimos oito anos, me dediquei a entender a Gestão Pública, a participar de debates, briguei muito em encontros, corri atrás de reconhecimento e respeito para nossa categoria, e por isso os que votaram em mim sabiam que tinham uma representante de Volta Redonda, e agora vou fazer valer a confiança a mim depositada.

O papo sempre começava assim: “Sou do interior” (risos), continuo no interior e busco que nos respeitem quanto natural do Estado do Rio de Janeiro, venho do Conselho Nacional de Políticas Culturais, conheço muito bem as metas e diretrizes do Sistema Nacional de Cultura, foram dois anos que trabalhamos pela Conferência Nacional passada, fiz minha parte e escolhi não participar da reeleição, trabalhando a convite da habilitação dos novos candidatos, fui parecerista do Ministério da Cultura e assim ganhei muita experiência com a Lei Rouanet, que vem sendo um grande pomo de discórdia. Portanto, eu gosto da Lei e faço uso da mesma no Instituto (Dagaz) em que sou presidente; e já atuando em dez municípios (Pinheiral, Barra Mansa, Volta Redonda, Quatis, Porto Real, Resende, Itatiaia, Piraí, Seropédica e Japeri). Por isso, afirmo categoricamente que eu sei do que estou falando!

Com toda minha experiência e militância nesse quesito eu me vejo preparada para atuar em nossa região. Precisamos agregar valores, para termos uma região com mais força e respaldada pelas políticas públicas; e quem sabe a cultura consiga destruir as fronteiras existentes e fortalecer nossos fazedores. 

Você sabe que, apesar de todo esse processo bastante democrático, ainda existem críticas de muitos artistas. A que você atribui isso?

Sempre haverá, esse é o grande poder da democracia. E nós podemos coexistir com as diferenças. Lembrando sempre de aproveitar tais críticas para aperfeiçoar nossas ações e atuações. 

O que pode ser feito para mudar essa mentalidade, se é que há esse tipo de preocupação?

3> "É de suma importância que estejamos
unidos buscando um bem comum; fazendo
do meu interesse, do seu interesse, do
interesse dele, um interesse só"

Não podemos crer que temos que ter vantagem em tudo, temos que ter trabalho, não podemos de forma alguma esperar que a gestão pública seja responsável pelos meus sonhos, temos que ler a Lei Orgânica de nossas cidades, conhecer nossa Constituição e saber que temos direitos e deveres. A gestão pública pode ser seu parceiro, mas nem sempre o seu financiador.

Buscar capacitação, conhecimento, parcerias e formar a Rede. Como eu disse anteriormente, só somos mais fortes quando estamos unidos, e essa união é participar de encontros, fóruns, e claro, que sejam embasados e organizados, senão nada agrega e pode acabar em ringue ou na brincadeira de cabo de guerra, cada um puxando para ele, é a lei do mais forte.

É importante termos em mente que nossa fala, nossa luta tem que ser em prol do coletivo, e não somente para benefício próprio. Por isso, há um espaço democrático para participação, queremos estar juntos para um objetivo comum. 

Em quanto tempo podemos esperar resultados práticos com toda essa novidade?

Já estão acontecendo, as regiões ainda estão fechando suas representatividades. É um grande começo. 

De que forma os artistas e fazedores culturais podem participar?

Estando de mãos dadas conosco. Participando das discussões, fóruns, eleições, entre outros. É fundamental a representatividade de todos. É de suma importância que estejamos unidos buscando um bem comum. Fazendo do meu interesse, do seu interesse, do interesse dele, um interesse só. E isso só acontecerá se rompermos com uma visão endógena e focalista, e a partir disso olhar de dentro pra fora a cultura de nossa região. 

O que vem por aí?

Como parte do Conselho, só saberemos após a posse, depois do Carnaval.

> Contato com Marinez Fernandez pode ser feito pelo Facebook 

Por .Cláudio Alcântara  –  claudioalcantaravr@hotmail.com

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