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.Cláudio Alcântara

claudioalcantaravr@hotmail.com

Sonho e Realidade

Beatriz Viana é selecionada para curso de balé em Nova York

Bailarina de Volta Redonda participou do Summer Intensive, da Academia de Balé Clássico Vassiliev; um programa de aulas intensivas de quatro semanas

Entrevistas  –  25/12/2015 11:18

Publicada em: 13/12/2015 (10:08:45)
Atualizada em: 25/12/2015 (11:18:35)

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(Foto: Divulgação/Vinícius Souza)

“Foram dois meses de muita correria, atrás de patrocínio, vendendo
rifas e tortas, site de vaquinha na internet para os amigos distantes”
 

Beatriz Viana, de Volta Redonda, viu um de seus sonhos saltar à frente de seus olhos. Na ponta dos pés. Em abril deste ano, participou de um workshop na cidade do Rio de Janeiro, onde fez uma audição e foi aprovada para o Summer Intensive (curso de verão) da Academia de Balé Clássico Vassiliev em Nova York - EUA. Ela conta que foram dois dias de balé clássico, com duração de quatro horas em cada dia, sendo que no segundo dia teria a audição para o curso no exterior.

- Uma amiga me indicou, me mandando um e-mail com todas as informações sobre o curso e sobre a audição.O professor foi o próprio diretor da escola dos EUA, Andrei Vassiliev - diz.

O Summer Intensive é um programa de aulas intensivas de quatro semanas que tem como objetivo proporcionar aos bailarinos melhorar a técnica, habilidades e força. E ainda uma maior compreensão profunda sobre o balé, como uma forma de arte.

- Foram cinco alunos, e tive como professor Andrei Vassiliev, com balé clássico e alongamento, e com dança moderna um que não gravei o nome, era muito difícil - brinca. 

Confira a entrevista com Beatriz Viana 

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(Fotos: Divulgação/Yuri Sibucks)

“Foi incrível, sem dúvidas, uma experiência única e a maior que tive até hoje” 

Depois de aprovada na audição, como foi o processo de preparação para a viagem aos EUA? Quanto tempo levou? Você contou com ajuda da família e amigos através de vendas de rifas e outras colaborações para viajar para os EUA. Como isso foi feito?

Depois que recebi o e-mail dizendo que fui aprovada, fiquei muito feliz, mas também desanimada com todas as despesas que já estavam esclarecidas no e-mail. Estava muito em cima para conseguir tanto dinheiro e documentos burocráticos, o curso seria em julho. Então deixei pra lá, pois seria impossível para mim, tentei me satisfazer apenas com o gostinho de ter passado. Foi então quando meus amigos e minha professora Izabel muito me incentivaram para tentar de todas as formas conseguir todo o dinheiro necessário. Foram dois meses de muita correria, atrás de patrocínio, vendendo rifas e tortas, site de vaquinha na internet para os amigos distantes. As passagens foram doadas por uma ONG de Barra Mansa - Carinho Brasileiro.

Ainda tive problemas com o visto, que foi liberado, mas por falha no sistema do consulado americano atrasou toda a viagem. Assim, tive que acertar valores para poder ir em setembro.

O que você aprendeu especificamente durante esse curso de verão?

Difícil de dizer, foi muito o que vi e aprendi lá. Tanto de técnica quanto artisticamente, cada detalhe de pernas, braços, olhar e cabeças, combinações.

Como foi a experiência de estudar nessa academia nos EUA? O que isso representou para você? Onde você morou nos EUA nesse período? Você ganhou uma bolsa para o curso de verão? Ou esse curso foi pago?

Foi incrível, sem dúvidas, uma experiência única e a maior que tive até hoje. Voltei com a cabeça expandida, por todas as coisas que vi e vivi lá. Morei em Astoria, no Queens.

Não tive bolsa para ir, somente lá, o diretor me deu uma porcentagem para eu continuar até dezembro (mas com o dólar super alto, impossível, mesmo com bolsa).

Retornando ao Brasil, e a Volta Redonda, realidades completamente diferentes dos EUA. Isso te motiva de que forma a continuar no balé?

Realidade completamente diferente, voltei sem dúvidas com muito gás e inspirada, com outros olhos para a dança. Querendo pôr em prática tudo que vi e o que aprendi por lá, sabendo sempre que nada tem limite. Que eu posso sempre ir mais longe, e sempre tenho o que melhorar e buscar essa melhora.

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“Voltei do curso nos EUA com a cabeça expandida, por todas as coisas que vi e vivi lá”

Que análise você faz do cenário da dança aqui na região sul fluminense, especificamente Volta Redonda?

Que a dança ainda é muito desvalorizada. O que faz com que os bailarinos e até mesmo quem trabalha com a dança se sinta desvalorizado de uma certa forma. Infelizmente, nós bailarinos não podemos viver apenas da dança aqui.

A sua experiência em trabalhos com a banda D´HanKs. Como isso aconteceu? E que outros caminhos nessa mesma área podem ser percorridos?

Eu conheci a banda e já tinha uma grande admiração. O meu primeiro trabalho com eles foi na gravação do clip "Silêncio", junto com o Ballet Gacemss, onde passei a conhecer mais os integrantes, principalmente a linda Angélica Ribeiro, que passou ser peça fundamental na minha vida dali em diante, até mesmo para essa viagem acontecer.

Fui convidada para dançar no show de 10 anos da banda em 2013, e ali mesmo já me intitulei bailarina da banda, dançando depois em outros shows (risos).

Projetos. O que vem por aí?

O meu foco agora está em fazer um belíssimo espetáculo com o Ballet Gacemss, e continuar buscando oportunidades como esta. Ir dançar em festivais, e trabalhar bastante para continuar fazendo audições, e quem sabe assim poder viver só da dança.

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Por .Cláudio Alcântara  –  claudioalcantaravr@hotmail.com

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