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Aldeia das Águas

Ritmo Quente

Dança, a musa inspiradora de Ricardo Mendes

Resende tem novo professor de salsa e samba no Studio Movimento em Arte; workshop dará início aos trabalhos

Entrevistas  –  05/10/2016 21:48

Publicada: 11/09/2016 (12:53:34) . Atualizada: 05/10/2016 (21:48:39)

(Fotos: Arquivo Pessoal)

Com experiência profissional no eixo Rio/São Paulo, artista já trabalhou com Carlinhos de Jesus 

Ricardo Mendes está de volta à dança. Ele é o novo professor do Studio Movimento em Arte, que fica ao lado do Resende Shopping. Vai ministrar aulas de salsa e samba. Para começar, tem workshop de salsa neste sábado, 17, às 19h. 

O artista de 36 anos nasceu em Volta Redonda e foi criado em São Paulo capital. Chegou em Resende em 1999, mas em 2003 já estava no Rio, para onde voltou em 2008. Foi professor de dança em Resende (2006/2007), viajou para o Pará em 2010, retornando dois anos depois. 

- Resolvi voltar a estudar, me preparei por nove meses, passei para a UFRJ (educação física), Uerj (letras) e no concurso do Detran. Atualmente sou funcionário público do Estado e curso português/espanhol na Uerj, mas tranquei a matrícula devido à greve e só retorno no próximo ano, pois estou me preparando para outros concursos - conta. 

Confira a entrevista com Ricardo Mendes 

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"Todos precisamos olhar o próximo com, no mínimo, respeito, e se possível com um pouco mais de amor, pois ambos estão em falta. Mais amor, por gentileza"

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Como a dança entrou em sua vida? 

Foi puro acaso! Estava num pagode no Campos Elíseos (amo samba e suas vertentes e durante os quatro anos que morei em Resende era figurinha fácil nos pagodes da cidade), como sempre curtindo e dançando muito, e alguém me apresentou o cara que hoje eu chamo de meu primeiro "mestre", Cleverson Mariano. Por algum motivo, que até hoje não sei, ele me convidou para um ensaio na HidroAcademia, e eu aceitei sem nem saber do que se tratava. Chegando lá, havia mais dois caras, além de mim e ele, que estavam alongando e aquecendo, umas batidas black no som, e de repente:
- Bora, de frente pro espelho!
Ele fez uma sequência pequena de movimentos, eu fiquei completamente perdido, parei e perguntei:
- Cleverson, o que é isso?
- Street.
- Oi?!
- Dança de rua, Ricardo.
- Ah! Mas eu não danço isso aí não, foi mal!
- Relaxa, você vai dançar!
Menos de três meses depois eu estava fazendo apresentações em festas da cidade, festivais etc.
Que bom que os olhos dele enxergam diferente né, porque do pagode para a dança de rua há uma distância bem grande! É por essa, e outras, que eu o chamo de mestre! 

O que fazia antes da dança? 

Vou me ater ao que fiz em Resende, antes e durante a dança, pois só passei a "viver" de dança depois que fui para o Rio e voltei para dar aulas. Fui repositor em dois mercados, cobrador de lotação, atendente de vídeo locadora, trabalhei no bar e na divulgação de algumas festas, fui garçom, auxiliar de produção na antiga BASF e auxiliar de expedição na Expresso Jundiaí. E isso não é um terço de tudo que já fiz na vida. 

Como você vê o espaço para dança em nosso país? É possível viver da dança? 

Levando em consideração os oito anos que vivi de e para a dança, com o olhar mais voltado para a dança a dois, digo que o espaço é mínimo, isso porque nos últimos dez anos ou pouco mais tivemos uma ótima divulgação, apesar de desvirtuada, através do quadro "Dança dos famosos". Apesar de sermos um país pluralíssimo no que diz respeito à música e dança, não temos incentivo quase nenhum para estudar e exercê-las como profissão. Na minha opinião esportes e artes, de uma forma geral, deveriam ser disciplinas nas escolas, fazer parte da formação das pessoas, mas para que isso acontecesse precisaríamos de uma revolução na nossa educação e isso ao meu ver é praticamente uma utopia. Sobre viver de dança, sabe como é brasileiro, né?

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"Apesar dos pesares, existe um mundo, quase que paralelo, que é o mundo da dança, onde as pessoas vivem ou sobrevivem dela. Não é fácil, mas se tiver o apoio da família, estudar e se dedicar muito, for bom no que se propõe a fazer e tiver um pouco de sorte, dá pra viver" 

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Quem é sua fonte inspiradora?

Essa pergunta me deixou meio intrigado, porque se me perguntasse isso na época em que vivia da dança responderia sem pensar com os nomes dos meus ídolos Michael, Carlinhos, Cleverson, Bruno, porém hoje a resposta será diferente. A música é que sempre me inspirou, os ídolos são admirados pela forma como eles a interpretam, os sentimentos que ela desperta, nas diferentes épocas da minha vida, unidos as vivências e as pessoas, isso sim inspira. Pra completar, além da música, tenho como inspiração minha filha e recentemente uma certa moradora de Resende. (risos) 

Como foi trabalhar com Carlinhos de Jesus? 

Conheci o Carlinhos em Resende, em junho de 2003, assim que soube que ele faria um show no antigo Estoril fui atrás de uma maneira de conhecê-lo, consegui entrar no camarim e depois de algumas lágrimas falei a respeito do meu amor pelo samba e da minha vontade de aprender samba de gafieira. Ele me deu uma bolsa, um mês depois eu estava fazendo aulas na CDCJ e com três meses de casa já surgiu a primeira oportunidade: reserva da Comissão de Frente da Mangueira. A partir daí comecei a entender o que era trabalhar com dança profissionalmente, a postura que se deve ter, entre outras coisas.

O Carlinhos é um cara perfeccionista, se entregava de corpo e alma aos trabalhos, na época dos ensaios de comissão de frente então, era pior, tinha muitos compromissos e se chegasse ao ensaio e as coisas não estivessem fluindo bem, ficava irritado, chamava a atenção de todos e mostrava como deveria ser feito.

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"Com o Carlinhos aprendi a valorizar meu trabalho, pois as pessoas ainda têm o péssimo hábito de falar/pedir/pensar: Você não pode ir ao evento e fazer uma dancinha?. Isso me deixa injuriado".

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Nninguém pede ao pedreiro para "fazer uma reforminha", ao dentista que "arranque um dentinho" ou ao advogado que "faça uma defesinha de causa", assim como qualquer outro, o profissional de dança tem que estudar, se dedicar e ralar muito para poder exercer a profissão, e como os outros ele também têm contas a pagar!

Além do profissional, passei a admirar a pessoa Carlinhos de Jesus também, no tempo que estive lá sempre o vi tentando ajudar as pessoas, sempre valorizando a equipe como um todo, não só a sua cia. de dança. Depois de alguns meses na casa, em 2004, fomos fazer uma participação no antigo “Programa do Gugu”, era meu aniversário, poucos dias depois ele me chamou em seu escritório e me mostrou um e-mail que havia recebido. Minha prima havia enviado um e-mail para ele porque minha mãe me viu na TV no dia do meu aniversário, não nos falávamos há cinco anos devido a alguns problemas que tivemos, ele conversou comigo, quase como um pai, pediu para que eu entrasse em contato com minha família e tentasse acabar com essa mágoa. 

Ricardo Mendes por Ricardo Mendes: 

Sonhador, chato, romântico, perfeccionista, genioso, amigo, algumas qualidades e muitos defeitos, assim como todos os "serumaninhos". 

Um ritmo que mexe com sua alma? 

Lá vem você com essa história de "um" de novo! Um não dá, pois quase tudo que tem batuque mexe comigo, mas samba e salsa são sem comparação. 

Para quais lugares sua dança já te levou? 

Infelizmente não fui a muitos lugares ainda, pelo menos não fisicamente, fora o eixo Rio/São Paulo passei três anos no Pará, onde ajudei a colocar a Arte Vida Dança e Teatro em funcionamento e ela está lá, firme e forte até hoje. 

Quais seus novos projetos? 

Depois de quase cinco anos longe das salas de aula de dança, recebi o convite de uma grande amiga para dançar uma salsa numa mostra em Resende, aceitei e conheci uma galera com uma energia incrível, fiquei muito empolgado e com uma vontade que não tinha há tempos: voltar a dançar! Recebi um convite da professora Melissa Assumpção, proprietária do Studio Movimento em Arte, para ministrar aulas de salsa e samba. Ou seja, meu novo projeto é voltar a dar aulas em Resende. 

Um sonho: 

Não sou candidato a mister lugar nenhum, mas seria ótimo se minha filha tivesse um Brasil melhor para viver, menos corrupção, mais educação, uma desigualdade social bem menor, é clichê, eu sei, mas é real e eu vivo isso, passei perrengues por isso e sonho com essa mudança. 

Deixe uma mensagem. 

Recebi uma imagem no WhatsApp esses dias que continha a seguinte frase: "Em tempo de egos quem tem um olhar amoroso é rei". Acho que todos precisamos olhar o próximo com, no mínimo, respeito, e se possível com um pouco mais de amor, pois ambos estão em falta. Mais amor, por gentileza!

Por Rodrigo Raó  –  rodrigorao.hairstyle@hotmail.com

2 Comentários

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  • Cris Souza

    Sucesso sempre Ricardo!

  • Geisa Vieira

    Fico muito feliz em saber que está conquistando cada vez mais espaço no cenário artístico. Quando fazemos o que gostamos, fazemos com muito prazer. E esse é o seu caso!
    Algumas vezes tive a oportunidade de dançar e bater um papo contigo e sempre que sempre acabavam em risadas e sensação de "que cara legal!". Saúde e sucesso!!!!!