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Aldeia das Águas

Contador de Histórias

Hugo Dalmon mergulha fundo em "Babilônia encantada"

Ideia é retratar, em exagero, a atual conjuntura social, transmitindo uma visão de tolerância e realização pessoal

Livros  –  10/12/2012 18:37

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(Fotos: Divulgação)

Autor tem 24 anos, é graduado

em Letras e autor de um blog

 

"Babilônia encantada" é um romance do voltarredondense Hugo Dalmon. Ele tem 24 anos, é filho de metalúrgico aposentado e uma dona de casa, graduado em letras e autor do blog #espaçozero desde 2008. "Sala de Leitura" foi saber tudinho sobre o autor e seu livro. Confira:

• Quando começou a escrever esse livro e por quê?

- Comecei a escrever esse livro no segundo semestre de 2011. Eu já tinha escrito um livro com 15 anos, mas não quis vingá-lo. Então, no fim do curso de letras, quando eu já havia visto coisas sobre fundamentos literários que me deram uma boa base pra criar essa história que eu já idealizava desde 2008, decidi pôr em prática. Eu o escrevi porque quis retratar essa fase em que vivemos, essa fase de liberdade de ser o que quisermos! Além de, sutilmente, tentar transmitir, humildemente, logicamente, uma mensagem de tolerância.

• Para a maioria dos escritores, escrever é uma forma que encontram para expressar sentimentos reprimidos. O livro foi uma válvula de escape bem arquitetada que calhou de ser tão bom que virou livro?

- Não o considero uma válvula de escape. Nesse livro quis mesmo ser um contador de história. A ideia era mesmo retratar, em exagero, essa atual conjuntura social. Claro, como já dito, transmitindo uma ideia de tolerância e realização pessoal.

• Abel passa por diversas situações inusitadas, alguma delas foi real?

- Sim! (risos) algumas situações, como eu cito no agradecimento, eu adaptei à vida dele. Foram situações que presenciei junto a uma grande amiga. Algumas situações, por mais que pareça ficção, de fato, foi algo inusitado que alguém me contou e eu adaptei à vida perturbada de Abel, dando um toque exagero.

• A vida de um escritor é uma vida "alternativa" hoje, você viveria só para escrever livros e por quê?

- Meu sonho! Queria realmente viver só de escrever livros. Mas, confesso que por enquanto, pra mim, é meio difícil. Ainda estou começando e o espaço é bem disputado, além da cena literária está mais voltada para obras fantásticas, sobretudo, internacionais. Sonho com isso, porque trabalhar com o que a gente mais ama fazer, em minha opinião, é cumprir sua missão na Terra com total excelência.

• Qual o motivo do nome do livro?

- A Babilônia na Bíblia foi pregada como uma terra de loucos, pois, as pessoas em geral tinham pensamentos livres, que eram considerados pecaminosos. Também, faz-se referência apocalíptica à nova Babilônia, que seria quando o mundo estaria mais humanista novamente. Ainda, historicamente a Babilônia é considerada uma das civilizações mais inteligentes e extremistas, pois tinham leis, códigos penais, absurdos, mas organizados, era cada um por si: "olho por olho, dente por dente". Como estamos vivendo em um mundo de pensamentos livres, evoluídos e mais humanistas, mas, de certo modo, pacífico, nada melhor do que coroá-lo de encantador (Encantado). Mas, em sentido dúbio, também intitulei assim, porque estamos em uma sociedade evoluída e humanista encantada pelo seu sistema, uma sociedade que não quer, e não deve, largar a zona confortável que o sistema lhe deu.

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"Publicar um livro não é tão complicado hoje em dia. Basta ter perseverança e paciência.
Mas aparecer no mundo literário, ter a credibilidade ou o reconhecimento
é uma caminhada mais longa"

• A frase ou um dizer que definiria seu livro?

- “Se podemos sonhar, podemos, também, tornar nossos sonhos realidade” (Walt Disney). E me refiro ao enredo do livro mesmo e não a conquista de ser o primeiro a ser publicado. (risos)

• A parte favorita da história para você e por quê?

- Gosto muito do final. Mas o final mesmo, em que toda a trama é surpreendente! Gosto, porque o final surpreendeu até mesmo a mim. Inicialmente, eu tinha, mentalmente, início-meio-fim do livro. Mas, quando chegou ao fim tive uma espécie de insight que surpreendeu até mesmo a mim. E que caiu bem para o estilo tragicômico da história.

• Com qual frequência você costuma escrever? Entre espaços ou é contínuo?

- Escrevo todo dia. Mesmo que eu não publique no #espaçozero, ou mesmo, que sequer eu salve e arquive o que escrevi, ainda assim, escrevo! Mesmo que prosas bem pequenas, mas escrevo.

• Volta Redonda é uma cidade que te inspirou de alguma forma. Quais fatos e pessoas do cotidiano te ajudaram como inspiração?

- Me inspirou um pouco inicialmente, mas depois decidi deixar tudo envolto num pequeno mistério. Não dei nome, só me refiro a uma região metropolitana. Algumas pessoas me inspiraram sim. Abel tem algumas características minhas e algumas de um grande amigo. Outras personagens têm características que admiro de algumas pessoas a minha volta. Mas, em geral, cada personagem tem características, em grande maioria, próprias, criadas, que não vieram de ninguém.

• O fato de o livro ser exagerado intencionalmente nos acontecimentos. Como o pai gay, a amiga que se deformou com cirurgias plásticas, a outra que tatuo 90% do corpo, o sósia do Elvis, todos esses acontecimentos sugerem o que a Abel?

- Abel é como um retrato de alguém que ainda está se adaptando com as novas morais sociais. Ele ainda está se acostumando com a ideia de liberdade que vem sendo pregada. E fazer a cirurgia pra virar o sósia do Elvis mostra que ele está se acostumando bem e gostando dessa ideia.

• Algum livro, personagem fictício ou livro te influenciou?

- Inicialmente não. Comecei a criação por mim, o desenvolvimento da narrativa por mim. Mas, confesso, que quando eu já estava na metade da história, reparei que um livro, que li naquele mesmo período, me influenciou um pouco em alguns aspectos narrativos. “A mulher que escreveu a Bíblia” de Moacyr Scliar.

• Quais são seus escritores favoritos?

- Clarice Lispector, Moacyr Scliar, Walmir Ayala, Augusto do Anjos, Fabrício Carpinejar... De imediato, acho que são só esses!

• Qual foi sua dificuldade ao entrar e permanecer até hoje, no mundo literário?

- (risos) A impressão que me ficou é a de que ainda estou com dificuldade de entrar. Porque publicar um livro não é tão complicado hoje em dia. Basta ter perseverança e paciência. Mas aparecer no mundo literário, ter a credibilidade ou o reconhecimento é uma caminhada mais longa, principalmente, para escritores iniciantes, mais ainda, os que são do interior, e, de fato, a sensação que tenho é a de que ainda não estou. Geralmente, com falta de notificações na imprensa, falta de comentários em jornais, falta de atenção das mídias de informação, somente os escritores renomados é que têm vez. Entenda bem, a literatura não é uma arte muito comentada e esperada como as artes áudio e visual, a divulgação é muito mais complexa. E quando você mora no interior e não tem tempo muito hábil, ou alguma forma de investimento alto, fica complicado participar de eventos literários, ou encontro de autores, bienais, feiras, por exemplo, que geralmente ocorrem nas capitais. Logo, a maior dificuldade é o tempo e o dinheiro. (risos)

• Você já planeja outro livro e, se sim, pode falar sobre?

- Sim. Planejo, já estou até começando os trabalhos. Mas ainda considero só um esboço. Prefiro, por enquanto, não comentar. Muita coisa ainda pode mudar.

• É muito comum hoje escritores se juntarem ao outro, vivenciar coisas juntos e "tacar" no papel, essa é uma possibilidade válida para você?

- Acho isso bem bacana! E super válido. Gosto da mistura de estilo, da fusão de ideias e do contraste que geralmente isso dá. Inclusive, tenho um projeto assim, em um blog. Infinito de Plástico, que funciona como um folhetim, com uma autora lá da Bahia, Paolla Milnyczul.

• Quais temas você procurou abordar no livro e por qual motivo?

- Queria mostrar de forma tragicômica que somos de fato o que queremos ser. Quis, com a ideia central, transmitir a mensagem de que quem controla nossas vidas, somos nós mesmos e que o pensamento é que nos faz chegar ao que queremos e ser o que pretendemos ser. Ainda, procurei abordar o tema tolerância. Não de forma militante, mas fui sutil nos assuntos de sexualidade e religiosidade, tentei não ofender e tentei ser imparcial, para demonstrar sutilmente que devemos tolerar o próximo, pois todos temos o direito de sermos o que quisermos.

• Em sua opinião qual a necessidade dos leitores?

- Acho que ter acesso à opinião e divulgação de uma obra. Não tem como os leitores conhecerem novas ideias, novos autores e mesmo os velhos, sem o apoio das mídias de informação. Dificilmente se vê alguém em uma livraria procurando algo novo, geralmente já vão à procura do que já conhecem.

• O que os futuros leitores podem esperar de "Babilônia encantada"?

- Um choque inicial (risos). Acho que podem esperar uma surpresa no fim. Podem esperar muita reflexão sobre si mesmos, através das reflexões de Abel. E podem esperar ironia, sarcasmo e tragicomédia. Além de uma reflexão sobre coisas que ainda são um tabu pra sociedade.

• Obrigada Hugo Dalmon.

- Eu quem deve agradecer! Fico muito feliz e grato pela oportunidade, pela atenção e pelo carinho!

O livro pelo autor

Existe um mundo em que tudo pode acontecer, um mundo mágico, livre e encantado. Um mundo em que podemos ouvir a voz de quem está longe, assim bem perto da gente, bem no pé do ouvido. Trazemos as pessoas o mais próximo que podemos e isso nos afaga o coração. Um mundo em que podemos voar. Podemos estar em vários lugares ao mesmo tempo, podemos controlar nossas vidas com a ponto dos dedos, assim como mágica. Existe mesmo um mundo em que podemos ser quem quisermos em que podemos escolher o nosso sexo, homens podem se tornar mulheres e mulheres podem se tornar homens, um mundo em que podemos reparar todos os nossos defeitos físicos e até psicológicos, em que existe remédio e comprimido pra combater a tristeza, podemos comprar felicidade nas melhores farmácias. Existe esse mundo mágico, quase perfeito, encantado e você está nele agora. Nesse mundo encantado que se movimenta evolutivamente graças a todos nós que o alimentamos desde tempos imemoriais para que se torne essa fantástica “Babilônia encantada”, esta que sou eu e é você. Essa “Babilônia encantada” que somos nós, porque antes de tudo ela existe porque existimos! O Encanto não pode se quebrar, o mundo é mágico, é fantástico e é nosso. Acredite quando falo sobre esse mundo, até porque você já está nele. 

Na Babilônia Encantada:

A sátira de um mundo de possibilidade ínfima e de tolerância também ínfima para aceitar todas as diversas possibilidades de "caos" e mesmo assim se sentir bem. Este é o mundo de Abel que antes da perfeição de seu mundo e sua aparência, era apenas um garoto que era sozinho na infância e adolescência sendo excluído até por nerds. Abel é o narrador de sua própria história, passa da infância à adolescência com muito humor só para mostrar o quanto sofrera por ter relações tempestuosas, o quanto nunca foi inteiramente compreendido pela sua esquizofrenia e posteriormente, na vida adulta, pela sua narcolepsia. O garoto não tinha sorte nem no amor, o que não me assusta, mas se apaixonar por uma lésbica ainda me comove e a ex-namorada se casa com sua esposa além de tudo que já houve a haverá Abel tem um amigo que fizera cirurgia para mudança de sexo. Todos eram em suas respectivas vontades, bem sucedidos, exceto Abel, como não poderia deixar de ser.

Pode me chamar de Elvis... Elvis Presley

Abel trabalhava em, uma sexy shopping, mas tudo bem ele ser virgem com tantos problemas psicológicos em seu histórico e com essa - ótima (?) - exposição à sexualidade diariamente não seria um problema. Procurou a ajuda de um psicólogo e descobriu que amava a amiga que dividia apartamento consigo. Mas, ela, apegada à beleza, jamais o quereria. Assim, ele decide manter uma relação sado-masoquista com uma mulher do andar de cima, que sempre mantivera certo distanciamento, esta, que é cirurgiã plástica, o presenteia com a cirurgia que mudou sua vida. E assim nasce Abel Presley, um sósia com problemas psicológicos do famoso Elvis Presley. Seu irmão, um charlatão, lhe deixa um dinheiro inesperado e então - Espera; lindo e rico depois de tanto tempo se dando mal. Algo muito ruim está por vir ou Deus realmente abençoa os justos? Abel continuou vivendo e assistindo às loucuras da vida moderna bem à sua frente e aceitou seu pai e seu padrasto, aceitou coisas que jamais imaginou aceitar, em relação ao seu pai e outros relacionamentos à sua volta.

Por fim...

Abel o Presley descobre que a vida jamais lhe seria doce, mas simplesmente por que ele não quis que fosse. A vida de Abel mostra-nos que o mundo atual nos é o que queremos que seja.

> Frente & Verso

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. Livro: Babilônia Encantada
. Autor: Hugo Dalmon
. Ano: 2012
. Gênero: Romance
. Páginas: 140
. Preço: R$ 36

Por Natália Elisa  –  nataliasouzavr@hotmail.com

3 Comentários

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  • Carina Sandré

    Já eu me refiro ao lançamento de seu primeiro livro:
    ?Se podemos sonhar, podemos, também, tornar nossos sonhos realidade?.
    Sonhe mesmo e busque cada um de seus sonhos, Hugo, você vai longe!Sucesso, estarei na torcida sempre!

  • Pablo Marccellus

    Poderia ficar horas aqui falando desse livro, mas vou resumir com algumas palavras, surpreendente, mágico, único, original. Quem ainda não leu, está perdendo tempo, e a oportunidade de curtir uma obra de qualidade....

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