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Cláudio Alcântara

claudioalcantaravr@hotmail.com

Beleza Transformista

Allessa Paes, do Pará, é eleita Miss Brasil Gay 2026 em noite que celebrou 50 anos do concurso

Realizado em Juiz de Fora, evento teve desfiles, etapa de oratória, shows de artistas LGBTQIAPN+ e apresentação inédita das candidatas em praça pública na véspera

Cobertura Fotográfica  –  25/08/2026 01:58

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(Fotos: Cláudio Alcântara)

A noite também foi marcada por uma programação artística criada para celebrar as cinco décadas do Miss Brasil Gay e o legado da cultura LGBTQIAPN+

Meio século depois de Chiquinho Mota transmutar a arte transformista em concurso de beleza, o Miss Brasil Gay chegou aos 50 anos com uma nova coroa e algumas das tradições que ajudaram a construir sua história. No sábado, 22 de agosto, no Terrazzo, em Juiz de Fora, Allessa Paes, representante do Pará, foi eleita Miss Brasil Gay 2026, entre candidatas dos estados brasileiros e do Distrito Federal.

A 44ª edição oficial do concurso que elege a maior beleza transformista do país manteve os tradicionais desfiles em trajes Típico e de Gala, mas também contou com a etapa de Oratória, realizada desde 2023. As candidatas finalistas responderam a perguntas de conhecimentos gerais, com os temas sorteados na hora.

Ao todo, foram 12 semifinalistas, das quais seis avançaram para a decisão. Entre elas estava a vencedora escolhida pelo júri popular.

A noite também foi marcada por uma programação artística criada para celebrar as cinco décadas do Miss Brasil Gay e o legado da cultura LGBTQIAPN+. Rhada Vasconcelos, TiTiago, Penelopy Jean, Divina Nubia, Hellena Borgys, Deborah Killer, Italo Saturnino e Sayhuri Heiwa subiram ao palco em uma homenagem à transformação da arte e ao reconhecimento da trajetória construída pelo concurso ao longo de meio século.

A comemoração contou ainda com os dançarinos Allyson Castro, Mikê Fídelis, Higor Pereira e Marcos Wernecke, além do Ballet Chiquérrimo.

Misses ganham as ruas de Juiz de Fora

A edição de 50 anos trouxe uma novidade antes mesmo da noite principal. Pela primeira vez, as candidatas aos títulos estaduais e do Distrito Federal fizeram uma apresentação gratuita em praça pública na véspera do concurso.

A ação aconteceu na sexta-feira, 21 de agosto, a partir das 17h, na Praça Prefeito Tarcísio Delgado, antiga Praça Antônio Carlos, como parte do Baile do Manifesto, evento multicultural que integrou a Semana LGBTQIAPN+ de Juiz de Fora.

A iniciativa aproximou as misses do público e levou para as ruas a beleza, os trajes e o carisma das concorrentes, em uma proposta que ampliou o acesso ao evento para moradores, turistas e admiradores da cultura LGBTQIAPN+.

Em uma edição dedicada aos 50 anos de história e legado da arte transformista no Brasil, a apresentação pública também buscou reforçar a relação de afeto e acolhimento construída entre Juiz de Fora e o Miss Brasil Gay desde a criação do concurso por Chiquinho Mota, na década de 1970.

- As misses sempre ficavam nos palcos dos concursos e nunca foram para a rua. Foi uma honra receber o convite para levá-las para uma praça pública e apresentá-las à população - destaca André Pavam, diretor artístico do concurso.

A parceria com o Baile do Manifesto teve como proposta promover inclusão, visibilidade e acesso cultural democrático, aproximando a população das representantes dos estados e do Distrito Federal antes da decisão no palco oficial do Miss Brasil Gay, no Terrazzo.

Meio século de história

A edição de 2026 teve como principal mote os 50 anos do concurso criado por Francisco Mota, o Chiquinho Mota. Para André Pavam, diretor artístico e coordenador nacional do Miss Brasil Gay, alcançar esse marco representa um capítulo importante para um evento que surgiu em plena ditadura militar.

- Chegar a esse marco histórico de um evento que nasceu há meio século, em plena ditadura militar, que defende o respeito à diversidade, por meio do glamour, da beleza, da alegria e da arte do transformismo, é um grande feito - afirma.

A apresentação da noite ficou a cargo de Ikaro Kadoshi e Sheila Veríssimo, dupla já conhecida do público do Miss Brasil Gay e do universo do concurso.

O júri também reuniu nomes conhecidos da arte e do entretenimento. Entre os convidados estavam David Brazil, Monique Arruda, Pri Helena, Luciano di Carvalho, Michelly X, Isabelita dos Patins, Tatiane Feiticeira, Viviane Araújo e Joel Divo.

Guanabara mantém parceria

O transporte oficial do Miss Brasil Gay 2026 ficou novamente sob responsabilidade da Guanabara, que mantém uma parceria de alguns anos com a organização do concurso.

Para Rodrigo Montalverne, gerente de marketing da empresa, a relação entre o evento e Juiz de Fora ultrapassa a realização de uma competição.

- O Miss Brasil Gay faz parte da história de Juiz de Fora e da história da diversidade no país. O nome permanece como registro da origem, mas o evento não parou no tempo, segue evoluindo, acolhendo, conversando com o presente. Para a Guanabara, é uma satisfação contribuir para que essa tradição continue reunindo gente em um ambiente de respeito, arte e celebração.

Representação nacional

Em sua 44ª edição, o Miss Brasil Gay manteve a participação de candidatas dos estados brasileiros e do Distrito Federal, característica que dá ao concurso alcance nacional e amplia sua representatividade.

As concorrentes se prepararam durante meses para a disputa pelo título, chegando à noite decisiva depois de uma preparação que envolveu os diferentes momentos da competição.

Um concurso criado em 1976

O Miss Brasil Gay nasceu em 1976, em Juiz de Fora, quando o cabeleireiro Francisco Mota criou o concurso. A competição reúne 27 candidatas, sendo representantes dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal.

Entre as regras do concurso está a exigência de que os concorrentes sejam do sexo masculino. Travestis e transexuais não podem participar, assim como são proibidas intervenções cirúrgicas estéticas com próteses de seios e glúteos.

Conhecido internacionalmente, o Miss Brasil Gay também integra a história cultural de Juiz de Fora. Em 2007, o evento recebeu o registro como patrimônio imaterial do município.

Resultado final

1º lugar: Pará - Allessa Paes
2º lugar: Distrito Federal - Mary Miller
3º lugar: Rio de Janeiro - Wend Caster
4º lugar: Mato Grosso - Melissa Oliveira
5º lugar: Goiás - Nicolly Almeida
6º lugar: Amapá - Sofia Smith

Júri Popular: Mato Grosso - Melissa Oliveira
Miss Simpatia: Rondônia - Liandra Santana
Miss Fotogenia: Rio de Janeiro - Wend Caster

Melhor traje típico:
1º lugar: Pará - Allessa Paes
2º lugar: Amapá - Sofia Smith
3º lugar: Mato Grosso - Melissa Oliveira

Melhor traje de gala:
1º lugar: Pará - Allessa Paes
2º lugar: Distrito Federal - Mary Miller
3º lugar: Rio de Janeiro - Wend Caster

As candidatas

Acre - Eva Machado
Alagoas - Sophia Guimarães
Amapá - Sofia Smith
Amazonas - Victoria Vasconcellos
Bahia - Anthonela Medeiros
Ceará - Déborah Furtado
Distrito Federal - Mary Miller
Goiás - Nicolly Almeida
Maranhão - Bárbara Bronkson
Mato Grosso - Melissa Oliveira
Mato Grosso do Sul - Marianny Souza
Minas Gerais - Lettcyya Andrade
Paraiba - Vanessa Castilho
Paraná - Layza Drummond
Pará - Allessa Paes
Pernambuco - Laura França
Piauí - Laryssa Rachelly
Rio de Janeiro - Wend Caster
Rio Grande do Norte - Vithorya Bacellar
Rio Grande do Sul - Paola Hoff mann
Rondônia - Liandra Santana
Roraima - Beatrisse D´Luka
Santa Catarina - Louise Gama
Sergipe - Havenna Drumond
São Paulo - Betina Leal
Tocantins - Jessica Carvalho

Ficha técnica

Organizador: Michel Brucce ( @michelbrucce )
Produção: Aline Firjam ( @alinefirjam )
Direção artística e coordenação nacional: André Pavam ( @andre_pavam_ )

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Por Cláudio Alcântara  –  claudioalcantaravr@hotmail.com

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