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Cláudio Alcântara

claudioalcantaravr@hotmail.com

Enquetes

Música: banda Zero Ora! receberá o Prêmio OLHO VIVO 2013

"El diablo cazador de muchachas con el culo caliente" teve 50,50% dos votos; em segundo ficou "Doce ilusão" e "Acabou o gosto do vento" aparece em terceiro lugar

Crítica  –  03/12/2013 16:30

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(Fotos: Divulgação)

Zero Ora! é uma banda de blues e rock formada em 2003; venceu na categoria Música 

"El diablo cazador de muchachas con el culo caliente" (banda Zero Ora!) venceu a enquete do Prêmio OLHO VIVO 2013 - Categoria Música e vai receber o troféu que será entregue no início de 2014. Com o projeto reformulado, na 28a. votação do ano, a página da enquete foi visualizada 6.946 vezes e a reportagem com os indicados, mostrando fotos e links de cada um deles, foi vista 395 vezes. Foram registrados 1.911 votos. "El diablo..." fechou a enquete com 50,50% dos cliques. Em segundo lugar ficou "Doce ilusão" (banda Esquadrão Zero), conseguindo 41,29%. E "Acabou o gosto do vento" (banda Le Trouver) aparece na terceira colocação, com 3,77%. O resultado completo da enquete está aqui. Até 1 de dezembro, em 28 categorias, foram registrados 79.776 votos, a página das enquetes foi visualizada 233.342 vezes e as reportagens mostrando o material dos indicados tiveram 16.613 views.

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A cerimônia de premiação, reunindo 450 convidados, será em 7 de fevereiro de 2014, às 20h, no Gacemss (Grêmio Artístico e Cultural Edmundo de Macedo Soares e Silva)     

Zero Ora! é uma banda de blues e rocknroll formada em 2003, batizada inicialmente de Zero Hora, por conta de um vizinho que reclamava dos ensaios e dizia sempre estar de "zero hora". Mais tarde, o nome perdeu o "H" e ganhou um "!" por uma questão simples: já existiam dezenas de bandas "Zero Hora" pelo Brasil. Francisco Júnior, o Garga (guitarra), Hudson de Souza, o Pangaré (bateria), Maxuel Almeida, o Suel (contrabaixo) e Jefferson Sarmento (vocal, violão e gaita) fazem o som. 

Confira a entrevista com o vocalista Jefferson Sarmento 

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A banda esperava ganhar o prêmio por votação popular? A reta final foi disputadíssima. Como foi a campanha?

Torcemos bastante pelo prêmio e inicialmente não tínhamos muita ideia de como seria a votação. Assim que recebemos a notícia de que estávamos na disputa, começamos a divulgar pelo Facebook, para nossos contatos, por e-mail... Dia a dia, mandávamos mensagens in box para os nossos fãs na fan page da banda. Hoje são mais de 3.800, estamos crescendo quase 100 pessoas por dia. Com certeza a contribuição desse pessoal foi primordial! 

Das canções indicadas há alguma que vocês acham que também merecia o prêmio? Ou outra que não tenha entrado na enquete? Por quê?

Particularmente, gosto muito do apuro sonoro da banda Quarto do L. A música "Da mesa para o quarto" tem um timbre instrumental que lembra bastante o U2, mas tanto a letra como o vocal da banda são inconfundivelmente indie, flertando diretamente com as músicas de bandas como Los Hermanos, Vanguart, ou mesmo Mallu Magalhães e Marcelo Camelo.

Das músicas que não estavam na lista destaco "Produto da praça", do Trio Rock Party, de Barra Mansa. Pela sonoridade e qualidade da música e da gravação. Clique e confira

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Francisco Júnior, o Garga (guitarra)

Como foi o processo de concepção do disco que traz a canção vencedora? Quanto tempo levou para compor todas as músicas? Existe um conceito no disco? E a música vencedora, quem é o autor da letra? Quem fez o arranjo? Como ela nasceu? Qual a mensagem que ela quer passar?

O disco "Z!", que lançamos este ano, é o segundo do Zero Ora! e levou quase dois anos para ser finalizado, mas se considerarmos que existem músicas ali com mais de dez anos de idade... Isso eleva um pouco a soma final. Nossa ideia inicial era fazer um disco mais "robusto" do que o primeiro, com composições mais elaboradas e arranjos mais cuidadosos. Acreditamos de verdade que o produto final ficou até além do que esperávamos, mesclando o rocknroll clássico e o blues.

As letras foram escritas por mim, também escritor e tenho dois romances publicados.

Os arranjos, em sua maioria, são do nosso guitarrista, Francisco Júnior, o Garga. Mas o que mais acontece quando criamos uma canção é que as ideias originais vão sendo misturadas e amalgamadas até chegarmos a uma canção final que é realmente de toda a banda. É comum uma música ser composta de uma maneira e sua versão final... Transformar-se em algo completamente diferente.

A música "El diablo cazador de muchachas com el culo caliente" nasceu com essa frase, que era repetida pelo nosso guitarrista em alguns ensaios ou shows que fazíamos, principalmente quando íamos tocar em estabelecimentos menos... Usuais. Ele costuma chamar esses bares e casas noturnas de "El diablo". A partir disso, nosso vocalista montou a história de uma banda independente que resolve sair em "tour". Acabam sem contratos e sem dinheiro na estrada, sendo convencidos por um sujeito estranho a tocar num bar mais estranho ainda, nos confins do Brasil. 

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Hudson de Souza, o Pangaré (bateria)

Como foi a experiência em estúdio? Muito diferente do palco?

Gravar é sempre muito diferente de tocar em um show ao vivo. Mesmo uma música ensaiada à exaustão traz inúmeras diferenças quando a colocamos à prova do estúdio. Arranjos que julgávamos perfeitos às vezes perdem o brilho. E detalhes a que não dávamos atenção de repente nos surpreendem. Sendo o segundo CD da banda, o disco "Z!" já nos pegou com uma noção bastante clara disso, de forma que tivemos tempo e até uma certa experiência para "usar" as diferenças entre palco e gravação para aprimorarmos as canções. 

Faça um faixa a faixa do disco comentado, por favor.

Todas as canções do disco "Z!" foram criadas, letra e música, com uma ideia em nossas mentes: não podem estar ali apenas para encher o disco. Cada uma delas precisa ter uma história, um motivo, um porquê. Vamos a eles:

1 - Mar aberto: Faixa de abertura do disco, é um épico, uma jornada... Pelo corpo de uma mulher. A letra acompanha o narrador que descreve em detalhes uma viagem de navio pelos mares revoltosos do corpo de uma mulher. O arranjo veio primeiro que a letra aqui e a ideia de "jornada" já estava presente nele antes mesmo de haver um letra. É só fechar os olhos e imaginar, enquanto o narrador descreve sua viagem.

2 - Baby blue: É o bar fictício do meu livro de mesmo, ainda não lançado (mas espere um pouco e o verá nas prateleiras). Se parece com os bares de beira de estrada americanos, onde se toca o blues e o rocknroll todos os dias e onde você pode ir à noite para beber a melhor cerveja de toda a região!

3 - El diablo cazador de muchachas com el culo caliente: Arranjo clássico de rocknroll que acompanha uma banda independente passando perrengues num "tour" malfadado pelas estradas do Brasil. Ouça aqui 

4 - Virando lata no boteco: É uma homenagem a todos os canalhas do mundo. Todo mundo conhece um. Mas um canalha que se preze nunca se deixa ser odiado. Pelo contrário: ele é sempre perdoado no final, como um cachorrinho vira-lata que faz cara de que caiu da mudança e ainda ganha um osso na saída.

5 - Autópsia: Uma história de amor não correspondida que acaba na pedra fria do necrotério. O garoto que era maltratado pela menina mais bonita da turma cresceu e virou assistente do legista. Agora ele narra sua desilusão amorosa e o fim trágico de sua amada em sua mesa de autópsia.

6 - Bicicletas assassinas: Todo mundo já teve um sonho sem pé nem cabeça. Desses que você está voando e de repente não começa a cair. Desses em que você está aqui e de repente aparece no Alaska depois de piscar o olho. Imagine um em que bicicletas o perseguem como assassinas profissionais e você precisa fugir para as montanhas, montado em um porco voador que atravessa sinais de trânsito e escala fachos de luz!

7 - Asas do desejo: Outra que começa como um sonho... Você está voando sobre selvas e desertos e montanhas. Você tem asas! Mas as pessoas comuns não podem vê-la! Você diz a verdade, mas as pessoas comuns não acreditam nela.

8 - Se...: É a música que mais destoa das outras. A ideia era criar uma música que se aproximasse do pop-rock, com violões e um andamento próprio. A letra fala dos "se..." que encaramos durante a vida. E se tivesse dobrado aquela esquina e não a outra? "E se eu perdesse o meu juízo... e se te gritar de madrugada..."

9 - 1001 dias: Um blues clássico sobre o amor: inesperado e desesperado. Outra letra baseada em um livro meu. "1001 dias" é um romance de mistério em que o personagem central se perde completamente pelo amor de uma mulher e chega a vender sua alma por ela.

10 - Os dias são mais longos no inferno: A gente tem a sensação de que os dias custam mais a passar quando estamos sofrendo, quando as coisas não estão indo bem. Mas não se desespere: esses dias passam. Basta perseverar, continuar lutando, porque esse inferno não é eterno...

11 - Rockumba: É uma mistura de ritmos. Queríamos uma música que não fugisse ao som da banda, mas que fosse... Diferente. Traz uma letra que mistura rebeldia e um quê de heresia, pontuada por tambores e "riffs" nervosos de guitarra.

12 - Veneno e fel: É a musica mais velha do CD. É uma regravação de uma música da antiga banda Modulus Five, antiga na região, em que nós quatro já tocamos em algum momento de nossas carreiras.

13 - João!: Rockabilly nervoso que conta a história de João, um menino criado pelo pai frequentador de botecos sujos e pela mãe carola de igreja, influenciado pelo avô sacana e pelos prazeres da vida. Acabou virando um pastor 171 com um olho na Bíblia e outro nas fiéis. 

Vamos dar crédito à parte técnica do CD (capa, trabalho gráfico, gravação, masterização etc.).

Capa e encarte do CD são arte minha, que sou um sujeito inquieto e cheio de artimanha, agrego à lista de compositor, vocalista e escritor o diploma de publicitário muito pouco usado. Já a gravação e a masterização ficaram a cargo do Studio 430 e do produtor Luiz Paulo Paiva. 

Hoje em dia não se ganha dinheiro com CD, é mais uma questão de registro do trabalho. Você concorda com isso? E a questão da pirataria, de baixar um CD inteiro pela internet de graça. Qual a avaliação da banda sobre essa questão?

Sim, em parte. O CD é um registro do trabalho da banda, mas também um produto de divulgação, de disseminação da obra num contexto mais abrangente. Entendemos que os meios de distribuição de música estão cada vez mais dispersos na rede. Hoje temos nossas músicas disponíveis para compra via rede, mas o número de pessoas que prefere o produto material ainda é muito grande.

Concordamos que uma banda não tem mais como viver da venda de CDs, mas eles são primordiais no alcance de público que ela precisa. Nesse contexto, não entendemos a pirataria como um problema para nós, artistas independentes. Pelo contrário, entendemos que quanto mais divulgada nossa música for, maior será a possibilidade de alcançarmos regiões e públicos que jamais entrariam novamente numa loja de discos. Embora tenhamos nossos CDs à venda, nós mesmos nos encarregamos de distribuir nossa música pela rede.

Nosso primeiro CD, de 2007, teve sua tiragem inicial esgotada e hoje está todo disponível para download gratuito. E continuamos a receber pedidos de CDs, mesmo daquelas pessoas que baixaram as músicas. Algumas consideram isso um ato de respeito ao trabalho da banda. Outros gostam de ter o produto palpável, de folhear o encarte, colocar a caixinha na estante... 

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Maxuel Almeida, o Suel (contrabaixo)

Como está o mercado para as bandas que não são, digamos, comerciais aqui na região? O que pode ser feito para melhorar essa questão?

Entendemos que aquilo que não é "comercial" não o é apenas pelo fato de não ter sido divulgado da maneira correta ou para o público em geral. As pessoas só não consomem as músicas das bandas independentes porque elas não estão nas rádios, na TV, presentes no dia a dia. Há gosto musical para todos os estilos e tipos de banda, mas sem que elas sejam conhecidas, tocadas... Não podem se tornar "comerciais".

Precisamos entender que as bandas são as primeiras responsáveis pelas dificuldades que o ambiente cria: reclamando da falta de oportunidades, de que não existe espaço para a música que fazem... Existe sim. Mas o espaço precisa ser conquistado. E isso dá um trabalho danado. A resposta para isso é "divulgar-divulgar-divulgar".

Precisamos aceitar que o primeiro espaço a ser conquistado é a mídia. É através dela que nossa música se tornará conhecida. Sem as rádios, sem a divulgação das redes sociais, dos formadores de opinião, da televisão... Seremos sempre a banda independente que luta para abrir o show do artista famoso. Isso é importante? É, mas não deve ser nosso ideal. A produção musical da nossa região tem tanta qualidade e potencial quanto a de qualquer outro artista do "mainstream". A diferença está no espaço midiático que eles conquistaram, que precedem seus nomes e música.

Por que uma pessoa sai de sua casa numa noite de sábado para ver uma banda conhecida (Titãs, Lobão, Paralamas, Capital Inicial...)? Porque conhece suas músicas. Porque aquela música estava presente em sua vida em algum momento - veio pelo rádio, pela TV... Só depois houve a compra do CD, ou o download (para sermos mais atuais), ou a ida ao show.

Quando esse espaço na mídia for aberto aos músicos da região, teremos tanto potencial quanto qualquer outra atração.

Infelizmente, as rádios locais ignoram quase que completamente a cena cultural do Sul Fluminense. Os poucos artistas regionais que às vezes passam pelas programações regionais ou imploraram um espaço restrito ou têm parcerias com programadores que também produzem seus shows na região. Não questiono a qualidade deles, pelo contrário, temos grandes músicos nesses canais. Mas se esse mercado fosse mais amplo, teríamos mais cultura, mais oportunidade de vender nossos artistas para fora e faturar bem mais - não estou me restringindo às bandas, mas aos produtores, aos donos de rádio, aos DJs, aos formadores de opinião que ainda não enxergaram o potencial financeiro de se exportar nossa cultura e não apenas contratar gente de fora. 

Vai rolar clipe de alguma música do CD?

Estamos preparando o clipe para "El diablo...". Em breve teremos novidades e esperamos que a experiência visual seja tão viajante e insólita quanto a história que a música conta. 

Já pensam na gravação de um novo álbum? Projetos, o que vem por aí?

Com certeza. Já estamos preparando as novas canções desde que lançamos o segundo CD. Já nos próximos shows começaremos a experimentar uma ou outra música, apresentando novas letras e arranjos. Se existe uma coisa de que podemos nos gabar é da criatividade do Zero Ora! para novas letras e músicas, sempre flertando com o cinismo, a ironia, o blues e o bom e velho rocknroll!

Serviço

> Acompanhe as novidades sobre a Zero Ora! no Facebook da banda.

Os vencedores do Prêmio OLHO VIVO 2013

1 > Cantora (veja os vídeos das 10 indicadas). A vencedora é Carina Sandré.
2 > Cantor (veja os vídeos dos 10 indicados). O vencedor é Ricky Vallen.
3 > Banda (veja os vídeos das 10 indicadas). A vencedora é Dancing Flame.
4 > Dupla (veja os vídeos das 10 indicadas). A vencedora é Jô & Samuel.
5 > Grupo de Samba (os vídeos dos indicados). O vencedor é Samba Roque Clube.
6 > DJ (veja os vídeos dos 10 indicados). O vencedor é Sandro Dejota.
7 > Casa Noturna (veja os vídeos das 10 indicadas). A vencedora é Black Jack Pub.
8 > Colunista (saiba mais sobre os 10 indicados). O vencedor é Hugo Dalmon.
9 > Blog (saiba mais sobre os 10 indicados). O vencedor é Espaço Zero
10 > Programa de Rádio (os vídeos dos indicados). O vencedor é Henrique Barbosa.
11 > Dança (veja os vídeos dos 10 indicados). A vencedora é Fifi Dance.
12 > Poeta (saiba mais sobre os 10 indicados). A vencedora é Anielli Carraro.
13 > Artista Plástico (mais sobre os indicados). A vencedora é Ludmila Vilarinhos
14 > Web Rádio (saiba mais sobre as 10 indicadas). A vencedora é BSide.
15 > Atriz (saiba mais sobre as 10 indicadas). A vencedora é Poliana Batista
16 > Ator (saiba mais sobre os 10 indicados). O vencedor é Rodrigo Do Val.
17 > Diretor (saiba mais sobre os 10 indicados). O vencedor é Lucio Roriz
18 > Grupo de Teatro (mais sobre os indicados). O vencedor é Liberdade de Expressão
19 > Modelo Feminino (mais sobre as indicadas). A vencedora é Patrícia Guido
20 > Modelo Masculino (mais sobre os indicados). O vencedor é Rafael Botelho
21 > Revelação (saiba mais sobre os 10 indicados). O vencedor é Kell Muniz
22 > Iniciativa Cultural (os indicados). O vencedor é Sai da Rua Menino... 
23 > Fotógrafo (saiba mais sobre os 10 indicados). O vencedor é Yuri Melo
24 > Livro (mais sobre os indicados). O vencedor é "O homem que fugiu para a lua". 
25 > Instrumentista (saiba mais sobre os 10 indicados). O vencedor é Gustavo França
26 > Espetáculo Teatral (mais sobre os indicados). O vencedor é "Los best amigos 2".  
27 > CD/EP (saiba mais sobre os 10 indicados). O vencedor é "Fallen angel". 
28 > Música (mais sobre as indicadas). A vencedora é "El diablo cazador de..."
29 > Show (mais sobre os indicados). O vencedor é "Lugar de mulher é no vocal 4".
30 > Clipe (saiba mais sobre os indicados). O vencedor é "Bad river blues".

Por Cláudio Alcântara  –  claudioalcantaravr@hotmail.com

7 Comentários

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  • THIAGO DE SOUZA

    parabéns ,e muito sucesso!!!

  • Malcolm de Souza

    Prêmio muito bem merecido!Afinal "El diablo cazador de muchachas con el culo caliente",é uma MÚSICA das boas!!Como as outros também são,tanto as do primeiro CD quanto as do segundo. Parabéns a banda pelo prêmio!!!

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