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Bizarro e Trágico

Drogas: Internação compulsória? Nem pelo caramba!

Internação e tratamento só funcionam quando é da vontade do usuário

Opinião  –  02/06/2013 16:23

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(Foto Ilustrativa)

Não proponho nenhum modelo; quero debater

 

Internação compulsória? Nem pelo caramba! Lembram do filme "Bicho de 7 cabeças"? Também lembrei de uma amiga de minha mãe, quando eu era criança, que o marido internou compulsoriamente, alegando que era maluca porque fumava maconha. Foi bizarro e trágico! Descriminalização, legalização e políticas sérias de prevenção são a maneira correta de lidar com o assunto. E, claro, combater o racismo, o machismo, a desigualdade social! Políticas sérias para a questão das drogas já!

Algumas pessoas, convencidas pelo discurso dos conservadores, se utilizam do seguinte argumento: "Você não tem ninguém da família no fundo do poço. Você não sabe a dor da família". Quem tem alguém no fundo do poço precisa se tratar também, como no caso dos alcoólatras. Serão internados compulsoriamente? É urgente a necessidade de política para esses, mas não uma política torta de internação compulsória. Política de prevenção, de tratamento de usuário e família. É bom lembrar também que a internação e o tratamento só funcionam quando é da vontade do usuário.

O real combate ao tráfico

É preciso debater exaustivamente na sociedade, sem pré conceitos, sem hipocrisia, o real combate ao tráfico. Sim, digo real combate, pois a "guerra ao tráfico" que vivemos nada mais é do que higienização social. Na capital, essa guerra só promoveu a ocupação dos morros por uma polícia troglodita e com o objetivo de higienizar o asfalto. Manter negros e pobres no morro vigiados pela polícia e ainda sem os direitos básicos, como saúde, cultura, lazer garantidos.

As pessoas confundem-se com os argumentos utilizados pelos conservadores, pelos que se utilizam de políticas proibicionistas para continuar fazendo uma limpeza social e étnica, criminalizando pobres e negros. Se estudarmos a história da proibição da maconha, veremos que ela foi proibida porque chegava na Europa e EUA brancos pelas mãos negras de africanos e árabes mãos mestiças latino-americanas. Aqui, serviu para jogar na cadeia muitos jovens negros, e favelados, opositores ao regime militar e por aí vai. As pessoas continuam sendo enganadas e acreditando que a "onda" da maconha tem esse poder de nos fazer esquecer os problemas. Ou, na argumentação dos conservadores, de nos encorajar a realizar crimes. Mentira. Não tem! Ninguém usa para este fim. Usam de maneira recreacionista, como quem toma uma cerveja ou um vinho com amigos.

Visão do subterfúgio

Há também o uso religioso, que para quem conhece, ajuda ainda mais a argumentar contra essa visão do subterfúgio. Ela é utilizada religiosamente para nos ajudar a raciocinar e interpretar melhor as Leituras Sagradas, e, principalmente, os Salmos, e para melhor entendê-los e para melhor argumentar sobre seus conteúdos. Uma erva sagrada e de poder para alguns. Como o vinho o foi para os gregos, a cerveja para os egípcios, o Santo Daime para os amazonenses... Em alguns países ela já foi descriminalizada ou legalizada, como no caso do Uruguai onde o governo vai começar a plantar para, ele próprio, comercializar. Na Holanda, o exemplo é mais antigo. E por aí vai.

Não tenho ainda certo qual exemplo devemos seguir. Na minha cabeça, nenhum. Precisamos encontrar nosso próprio caminho. Mas o início do caminho passa pelo fim da hipocrisia e medo de debater o assunto. Passa pelo debate franco entre usuários, sociedade, governo. E só para lembrar: não é a maconha a droga mais consumida no país: o álcool ganha disparado, mata mais e destrói mais vidas e família. A cocaína, vendida hoje em cápsulas próprias é mais vendida, e o crack nas ruas também.

Um debate nacional é urgente

Lembrando que 80% dos usuários de crack não usaram maconha antes, foram direto para ele, desmentindo assim que a maconha é "porta" para outras drogas. Veja bem que minha defesa não é para usar ou não, mas para aprofundar um debate nacional que é urgente! Como é mais urgente que a internação compulsória, uma política séria de prevenção, com mais educação, lazer, cultura, saúde e igualdade social! Não proponho nenhum modelo. Quero debater os modelos. E chegou a hora de fazermos isso em Volta Redonda.

Paz e bem a todos e todas!

Por Giglio  –  gigliovr@facebook.com

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