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É Necessário Fazer Barulho

Silêncio dá poderes para Neto governar acima do bem e do mal

Em Volta Redonda ele é grande, é imposto, é covarde; já vimos este filme silencioso na Alemanha hitlerista, na União Soviética stalinista, nas ditaduras latino americanas

Opinião  –  12/06/2013 11:04

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(Foto Ilustrativa)

Silêncio, em Volta Redonda, faz com que Legislativo

e Judiciário permitam que El Rey descumpra leis

 

"O Silêncio é Reacionário" (Jean-Paul Sartre)

Um grande silêncio se abate sob nós. Um silêncio que assiste à morte de adolescentes pela polícia e pelos bandidos, um silêncio que vê meninas e suas bonecas emprenhadas pela maldade do mundo, um silêncio que acompanha a tudo em cima do muro. Um silêncio conivente com as barbaridades cometidas contra os gays, as lésbicas, os bissexuais, os transexuais, as mulheres, os negros. Um silêncio que apoia a redução da maioridade penal como solução da criminalidade e cala quando deve buscar solução para a desigualdade social, essa, sim, causa de crimes, tráfico, envolvimento de nossos meninos e meninas nas notícias das páginas policiais.

Um grande silêncio se abate sobre a política nacional. Um silêncio que em nome da liberdade de expressão deixa que calhordas como Felicianos e Bolsonaros saiam por aí disseminando e destilando ódio e preconceito, como Bolsonaro tentou fazer marcando palestra na UFF em Volta Redonda. Um grupo de estudantes e ativistas começou a se organizar para realizar ato (quebrar o silêncio) pelo Facebook, e imediatamente apareceram fakes (sempre eles, como na época da eleição passada, esparramando mentiras e boatos como o que dizia que o candidato da oposição estava com milicianos para ameaçar a população), acusando os estudantes e ativistas como na época da ditadura civil e militar (que ganhou adeptos justamente com essa prática fascista) de estarem indo contra a liberdade de expressão, de serem "arruaceiros", "comunistas maconheiros", entre outros rótulos preconceituosos. É assim, que esses senhores se fortalecem como baluartes de um fundamentalismo religioso que também está na base de sustentação dos governos Dilma, Paes e Neto e com o qual a rede de Marina Silva flerta tão aberta e alegremente. Mas, felizmente, essa prática foi rechaçada por esses estudantes e ativistas de esquerda que não se calaram.

Rabo preso com uma política selvagem

Mas o silêncio está aí. Um silêncio que tem rabo preso com uma política selvagem de entrega do patrimônio público e com uma onda conservadora que leva a pauta de Direitos Humanos (especialmente a questão indígena, LGBT e da redução da maioridade penal) para a centralidade em função da necessidade destes governos de sufocarem a legitimidade dos direitos individuais e coletivos, para levar a cabo projetos desenvolvimentistas de modelo agroexportador, com privatizações de ferrovias, estradas, portos e aeroportos, ou de segurança pública, com a implementação das UPPs nos morros cariocas e criminalização da pobreza, realizando a higienização social necessária para que os centros urbanos fiquem "limpos, bonitos e modernos" para os turistas esperados para a Copa das Confederações, Jornada Mundial da Juventude, Copa do Mundo e Olimpíada. Sem esquecer dos "consumidores" de casas noturnas e shoppings que acham um "horror" os "negros pobres, viados, maconheiros" frequentando os mesmos lugares que eles.

Foi o silêncio (dos movimentos sociais, cooptados ou calados pela ascensão do PT ao poder) que permitiu a reforma previdenciária que retirou direitos dos trabalhadores. Foi o silêncio que permitiu a feitura do Novo Código Florestal muito brando para impedir o desmatamento e outras práticas destruidoras do meio ambiente por ruralistas e latifundiários de toda espécie (e que a ex-verde e agora enredada Marina foi conivente). O mesmo silêncio, que em Volta Redonda, pasmem, faz com que Legislativo e Judiciário permitam que El Rey descumpra leis como o Plano de Carreira, Cargos e Salários do Funcionalismo, terceirize serviços como a coleta de lixo e o fornecimento de merenda, por firmas envolvidas em inúmeros escândalos país a fora. Silêncio que coloca famílias em cima de lixo tóxico na Volta Grande, que deixa que o Lixão de VR City continue, apesar de desativado, poluindo nascentes e lençol freático, que desaloja famílias em nome da ampliação de ruas para carros, mais importantes que as pessoas, na visão do prefeito. Aliás, prefeito que fica em silêncio quando o assunto são mecanismos de democracia participativa como as Conferências, em especial a de Cultura, que atinge sua política de pão, circo, e provável corrupção (esta, investigada pelo Ministério Público, como no Caso Moa, aquele secretário acusado de assinar RPAs ilegais).

Fome de poder e conquistas

O silêncio em VR City é grande, é imposto, é covarde. É um silêncio que dá poderes para El Rey governar acima do bem e do mal. Poderes de calar oposição, jornais, juízes, vereadores. Poder de super candidato que está perdendo terreno na corrida ao governo do Estado do Rio para seu vizinho de pé grande. E isso faz com que ele não tenha nada a perder e parta para o tudo ou nada na sua fome de poder e conquistas.

É necessário fazer barulho! Ou o monstro pode ficar ainda maior! já assistimos este filme silencioso na Alemanha hitlerista, na União Soviética stalinista, nas ditaduras latino americanas!

Por Giglio  –  gigliovr@facebook.com

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