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Na Espiral da Revolução

Podemos revolucionar, mas jamais perder a ternura

A manifestação sai da Praça da Matriz, em Barra Mansa, com uma energia; prestes a chegar ao fim, ascende em calor e ebulição, recomeçando do eixo inicial, porém um grau acima

Opinião  –  21/06/2013 20:17

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(Foto: Rafael Crooz)

Esse ato no Brasil, essa indignação da nação é uma violência
moral e direta contra o Sistema de governo democrático brasileiro

"Esse é um movimento pacífico!.."
Definitivamente não é.

Ninguém tá dando paz para ninguém. Esse ato no Brasil, essa indignação da nação é uma violência moral e direta contra o Sistema de governo democrático brasileiro, que cobra tudo do povo. Resposta, troco, réplica, defesa contra tanta violência moral ao povo. São atos violentos contra a moral da PM, do entes federados, dos primeiros, segundos e terceiros setores. Essa é uma espiral, estamos no centro dela. No olho. Nos últimos dez anos houve um sectarismo, um resguardo de cada grupo. Uma dispersão natural. Agora ciclicamente os átomos se chocam novamente para explodir em seus pequenos grupos e reivindicarem suas particularidades. Mas cada causa é uma parte desse todo. Cada causa, causinha ou causão será mais forte com todas as causas juntas.

Me lembro de uma cena que montamos de teatro fórum dentro da Oficina de Som e Ritmo que o Bianco Marques nos ofereceu como multiplicação das técnicas do Teatro do Oprimido. Ao final, depois de tantas propostas, a melhor foi chamar a plateia, os músicos, os atores, os ouvintes, os câmeras para juntos expulsarmos os opressores. Ideia de Paulinha Roots. Naquele caso o debate era sobre o conflito de terras.

Os grupos devem ser capazes de se governarem

Todas as forças de múltiplos interesses despertam no cosmos o dever de se comportar de acordo com o ambiente, sendo no micro cosmo e/ou no macro cosmo. Cada indivíduo deve ser capaz de se governar, e os grupos de indivíduos também devem ser capazes de se governarem. 

Assim, olhando lá do alto, até percebermos lá do cosmos uma imensa bola azul. De lá onde não se vê as fronteiras políticas como aparecem nos mapas desenhados. Se vemos o planeta Terra em imagens fotográficas, e colocamos uma lupa, não se encontram as linhas territoriais. Vemos nossos organismos criando cada vez mais autoimunidade, e cada vez mais auto destrutivo. Com o sistema em colapso, um organismo falha e perde sua capacidade de organização.

Orgânico está longe de ser organizado

Um movimento natural está longe de ser da natureza. E instintos estão cada vez mais nos provando que estão longe de estarem extintos. A opinião pública é um monstro. E não há um Criador para isso. As células que não possuem anti corpos, defesas contra os ataques internos, perecem e causam falhas no órgão, falhando a colaboração entre as bases do sistema, afetando novamente o todo.

É em espiral. A manifestação sai da Praça da Matriz com uma energia, com um grupo de pessoas. Prestes a chegar ao seu fim, ela ascende em calor e ebulição, recomeçando do eixo inicial, porém um grau acima, chegando a encontrar seu centro no topo até ser sugada gravitacionalmente chocando todos num solo realimentando a sede de um segundo encontro.

Podemos fazer a revolução, mas jamais perder a ternura.

Por Rafael Crooz  –  rafaelcrooz@hotmail.com

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