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Rede Nacional

Alguns tontos já falam em impeachment da Dilma

Esse grupo se esquece da quadrilha que a segue na fila sucessória, a começar por Renan Calheiros

Opinião  –  22/06/2013 14:44

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(Foto: Divulgação)

Presidente fez firula com as palavras para dizer que não podemos voltar ao tempo da ditadura

A presidente Dilma veio ontem, 21, em rede nacional falar à nação: condenou o uso da violência, prometeu 100% do dinheiro do petróleo para a Educação, fez alguma firula com as palavras para dizer que não podemos voltar ao tempo da ditadura. Prometeu diálogo (Ela é a presidente desta bagaça e tem que dialogar mesmo!), parecia nervosa, estava ao meu ver muito maquiada (para esconder olheiras?) e parece que fez o dever de casa direitinho na reunião com Lula! Alguns tontos já falam em impeachment, esquecendo-se da quadrilha que a seguem na fila sucessória, a começar por Renan Calheiros! 

Ah! Não podia acabar sem tocar em nossos queridos Cabral e Paes: os dois, com toda empáfia arrogante e cínica, falam em justeza das manifestações, condenam a violência, criticam a (mandada por eles!) violência policial e, juntos com o Beltrame das UPPs campos de concentração de pobres favelados, anunciam (ameaçam) que a qualquer momento, caso a ação dos vândalos continue, o Exército irá para as ruas. Conhecem esse filme? 

um novo dia
com cara de dias antigos
o fogo não apagou
a ferida não se curou
foi só mais um pouco
um pouco mais do mesmo
e se você não se cuidar
e se a gente deixar
sai uma serpente do ovo
pra nos devorar
pra nos devorar
um novo dia
um pouco mais do mesmo
balas de borracha
bombas de gás
e a pimenta não é tempero
é só um pouco mais do mesmo
um pouco mais do medo
e se você não se cuidar
e se a gente deixar
sai uma serpente do ovo
pra nos devorar 

PS: Um fanfarrão fascitoide no grupo da UFF Volta Redonda no Face, me acusou (com falas bem radicais, contundentes, acusando a quem estava envolvido no ato com frases como "esses maconheiros já foram longe demais. Merecem borrachada!) de maconheiro criador de polêmicas, skatista e que eu só azaro novinhas!" KKKK Até o FHC já assumiu ter fumado maconha e hoje se diz favorável à legalização. Pois eu sou, sim, totalmente a favor da legalização, fumo e o meu esporte é andar de longboard como o dele deve ser falar besteira. E, desde que eu não seja pedófilo, minhas preferências sexuais só interessam a mim e a quem vai pra cama comigo! No mais, um grande beijo pra ele! Alguma polêmica?!?!?! KKKK

"Apenas a violência pode servir
onde reina a violência, e / apenas os homens
podem servir onde existem homens"
  

(Bertolt Brecht) 

Provavelmente vou desagradar a muita gente, mas não tô aqui para agradar ninguém, mas para opinar. Ainda não digeri o que vi, ouvi e senti, mas é bom escrever assim, com as coisas fresquinhas ainda no estômago e no coração. Desta vez sem o silêncio inicial. Rage Against Machine, Legião Urbana, Soja, Plebe Rude e, meu hino predileto, cantado por punks de primeira linha: 

 

Confesso que detesto o Hino Nacional pelo simples fato de ter sido obrigado a cantar minha infância inteira graças à ditadura. E vamos combinar que A Internacional é internacional!

Estava quase desistindo de ir para o ato por causa de tudo que estava lendo e vendo. Mas por tudo que já vivi, vi e ouvi na minha vida de militância (Diretas Já, greve de 88, Fora Collor, greves dos profissionais de Educação) e até pelo meu filho Dudu, de 19 anos que queria ir, tirei o traseiro do sofá e parti para a praça da prefeitura.

Participei da plenária de organização do ato, e nela já havia me preocupado com alguns posicionamentos. Compreendo a insatisfação da maior parte da gurizada com os partidos e políticos. Como já disse, Bakunin fez minha cabeça bem antes do Marx. Mas vi ali na plenária, junto dos insatisfeitos e dos neo anarquistas, ao menos duas figuras com a clara missão de inviabilizar a participação de filiados a partidos e suas bandeiras. Um deles, inclusive, foi um dos responsáveis pela vinda do Bolsonaro a Volta Redonda. E parece militante partidário profissional, pois estava fazendo isso nas plenárias e debates virtuais de toda região. A posição dele venceu graças ao desgaste da maioria dos políticos brasileiros. Mas vamos em frente. A plenária acabou e ficaram resolvendo como seriam os detalhes, tipo carro de som e segurança.

Fiquei no grupo de animação e planejei mil coisas, como um bom teatro e algumas poesias. Mas no dia, como já escrevi, bateu um desânimo que só me deixou chegar em cima da hora. E, já na chegada, começo a me decepcionar, vendo um guri com uma sombrinha com as cores do arco-íris. Não por ele ser gay e estar com a sombrinha colorida! Muito pelo contrário. Quando vi pensei: "Todo mundo junto! Bom!". Mas logo começo a escutar gente sacaneando o guri, fazendo piadinhas machistas e rindo. Já foi broxante ver posições tão conservadoras em um ato majoritariamente jovem e antenado (não articulou-se tudo pela internet?). Chegando na praça, dou de cara com uma manifestação bonita mas... Nenhuma referência mais contundente à política local nem ao nosso querido El Rey que, inclusive, tão bonzinho, já havia mandado a polícia dar segurança ao ato e reorganizar o trânsito.

Outra coisa que me incomodou foi a aparência de uma micareta que o ato ganhou, com o comando no carro de som cantando musiquinhas e orientando passinhos. E num movimento que se queria horizontalizado o comando pouco mudou, e teve arroubos de arrogância, se negando a dar entrevistas, encerrando o ato etc. etc. etc.

Ainda no Aterrado um impasse: os que defendiam o antipartidarismo, anti-sindicalismo, encresparam com o carro de som que um dos sindicatos da cidade disponibilizou, com a presença da imprensa em outro carro e com a verticalização com um comando em cima do carro. Mas o bom senso prevaleceu e a passeata (gigante, mais de 30mil, tranquilo) continuou, avançando rumo à Vila.

O nacionalismo com ares fascistas dava a tônica com as bandeiras e o Hino Nacional e o repúdio aos movimentos organizados. O machismo e a homofobia de certas falas e musiquinhas também estavam presentes e fortes. Me mantive no ato e para alguns amigos mais novos e animados com a primeira grande manifestação ainda tentei esboçar algum ânimo, gritando algumas palavras de ordem. Mas parecia que eu tinha caído num misto de caras-pintadas com as marchas da TFP (tradição família e propriedade). Cheguei a escutar uma fala (graças a Deus, uma só!) pedindo Exército e ordem no Brasil. 

A "primavera do povo brasileiro"
começou junto com o inverno!

Mas nem tudo está perdido: o crescimento das manifestações, a participação maciça da juventude, misturada a gente mais velha e experiente, a crítica a alta de passagens somada à crítica da qualidade da educação e saúde públicas, as falas contra os gastos excessivos com a Copa/Olimpíadas. Ao menos isso estava ali e a tendência é que continue e se avolume.

Mas atitudes como o antipartidarismo que traz de volta reacionários que insistem em dizer que a melhor política é aquela "apartidária" e que o "meu partido é o Brasil". Realmente me incomodou muito. Aceito a militância anarquista, já fui um deles e sei o que realmente pensam. Mas não aceito que me tolham o direito de ser filiado ou simpatizante de um partido e me manifestar assim, em atos como aquele. É extremamente perigoso que junto aos anarquistas se encontrem grupelhos fascistas e que esses se aproveitem para intimidar e agredir militantes partidarizados. Os inimigos de anarquistas e comunistas são os mesmos. Devemos estar ombro a ombro na luta anticapitalista. É nossa tarefa (de quem milita - nos partidos de esquerda, anarquistas, libertários em geral) unificar ações com movimentos sociais, sem conflitos pela busca desenfreada pela hegemonia do movimento. Essa disputa só favorece à direita conservadora.

Outra questão que deve ser amplamente avaliada foi a postura dos PMs em VR City. Enquanto nas capitais a ação extremista levou à reação violenta da PM, aqui eles estavam tranquilos. O ato aqui foi organizadamente encerrado, e rumei para o bate-papo com companheiros de partido. Mas na Vila, muitos que ficaram atearam fogo em lixo no meio da rua, tentaram quebrar algumas coisas como em outras cidades. Nas capitais, isso causou uma reação violenta do Aparelho Repressor do Estado e uma reforçou o discurso conservador de que o ato era de "vândalos". Isso só reforça e legitima o uso da repressão militarizada contra os movimentos sociais. 

"Do rio que tudo arrasta, diz-se
que é violento. Mas ninguém chama
violentas às margens que o comprimem"

(Bertolt Brecht) 

mesticado. o gigante foi domesticado.
um pouco de estimulo.
festa.
farra.
o governo.
o político.
Aquele inimigo comum apontado por todos virou o jogo. Domesticou o gigante com falsas reduções, dando dinheiro de impostos para os grandes empresários donos de empresas de transporte coletivo que possuem concessões para explorar o serviço. Em algumas cidades o poder público prepara segurança e transito para a manifestação. Como se não fosse uma insatisfação também com a administração municipal o motivo do ato. Como se estivesse tudo bem com os serviços públicos de Saúde, Educação Transporte... Como se estivesse realmente do lado de cá. Sim, de cá. podemos ser iguais. Podemos ser solidários. Podemos ser tudo. Mas sempre tem o lado de cá e o de lá. Ainda é assim. Não sei até quando será, mas ainda será. Eu, você, nós somos isso ainda. Mesmo que tentemos ser mais além. A humanidade caminha em passos lentos mesmo com a velocidade da internet. Oportunistas domesticaram o gigante. Os mesmos que estão no poder. Qualquer coisa fora disso é mera ficção.
vão falar mau de mim
chamar de bandido
arruaceiro maconheiro
mas eu quero ver
esse galinheiro pegar fogo
a bastilha cair
o planalto incendiar
não quero mais do mesmo
quero ver tudo mudar do

Fiquei calado um pouco observando. Grande exercício da alma e da mente é o silêncio! pois que algumas coisas foram clareando em minha análise sobre os recentes fatos e acontecimentos acerca dos atos pela redução das tarifas do transporte público. Tentarei aqui expor minhas conclusões iniciando... Pelo início:

O movimento, puxado pelo Movimento Passe Livre (nascido em Porto Alegre, no Fórum Social Mundial de 2005 - eu estava lá!) reivindica redução das tarifas de transportes coletivos (chamarei assim, pois públicos seriam se fossem do poder público e não da iniciativa privada) em São Paulo e em seu ato, coordenado horizontalmente (por consenso e sem lideres), integrantes dos Black Blocs usam da sua prática violenta (prontamente reprimida pela polícia truculenta de Haddad e Alckmin) e transformam o ato em um ato de "vandalismo", segundo a grande mídia nacional (leia-se Globo). Ruim ou não, foi isso que deu a esse movimento visibilidade mundial.

Dentro do movimento, cansados da velha política clientelista, corrupta, sectária e cheia de todos os adjetivos negativos que já conhecemos e proferimos no dia a dia do país, o sentimento antipartidário crescia e fazia eco nas vozes da gurizada cansada disso tudo. Bandeiras de partido foram tomadas e rasgadas e ouvia-se a palavra de ordem "Sem Partido!". Em algumas cidades, esta foi a grande polêmica dentro do movimento, mais ainda do que o emprego da violência, que todos sabiam ser fruto de uns poucos manifestantes.

O movimento cresceu e se esparramou pelo país e, além das tarifas, outras reivindicações foram sendo agregadas. Chegou-se a um consenso de cinco pontos comuns, mas foram respeitadas particularidades de cada cidade ou capital. E por aí foi caminhando. Mas... E daí?

Daí que algumas questões são colocadas agora para uma análise mais demorada por parte de teóricos acadêmicos, jornalistas, políticos e a população em geral. A primeira é que tá todo mundo cansado da velha forma de se fazer política. Chegam a falar que não existe a direita e a esquerda ou que estão cansados disso. OK, entendo isso, pois sou hoje um socialista filiado a um partido de esquerda (PSOL), mas lá na década de 80 minha formação política veio por meio de leitura dos teóricos anarquistas Proudhon, Bakunin, Malatesta e ainda tenho muito daquelas palavras em minhas veias. Mas dentro desta conjuntura observo que essa postura mais está servindo a forças conservadoras do que às progressistas. Além dos já citados Black Blocks, observei diversos indivíduos com um discurso inflamado contra partidos, defendendo posturas caretas e preconceituosas, de viés fascista. Um indivíduo estudante da UFF, chegou a escrever que os "maconheiros que estão fazendo o ato já foram longe demais e precisam levar porrada". Durante a ditadura civil-militar de 1964 os nazifascistas da TFP e os milicos usaram desta estratégia de desqualificar pessoas, partidos e de afirmar que a única bandeira que devia ser utilizada era a da pátria. Daí para frente só tortura, morte, censura e tudo o que sabemos e agora investigamos com as Comissões da Verdade. Sem querer, os que estão cansados da velha política estão servindo à... velha política de direita!

Sobre a questão das tarifas dos transportes coletivos a coisa também ficou confusa: depois de tantos atos vigorosos e de grande repercussão, prefeitos e governadores resolveram revogar os aumentos. Mas... Em alinhamento com o governo federal, que reduziu impostos e aumentou subsídios para as empresas! E, acredito eu, não é isso que queremos! Ou tô errado? Afinal, a passagem não sobe, mas o dinheiro continua saindo de nosso bolso, via impostos ou em detrimento de verbas de Educação, Saúde, Cultura, Infraestrutura! Eu quero é transporte público, onde o trabalhador, que paga um dos maiores impostos do mundo, circule de graça ou por preços módicos pela sua cidade, para o trabalho, lazer ou escola, em veículos de boa qualidade. Assim como quero saúde e educação públicas e de qualidade!

Conclusão: em tempos de "uma nova política sem partidos" a política da velha direita continua a mesma e uma grande maioria que critica a mídia (novamente e principalmente a Globo) e os políticos embarcam nessa política reacionária que é a mesma que oprime pobres, negros, mulheres, LGBTs, maconheiros, professores e estudantes... É de suma importância que nossos teóricos e políticos progressistas façam imediata análise de conjuntura e comecem a apontar novos caminhos mais arejados, mas ainda caminhos distantes da direita fundamentalista de bolsonaros, felicianos, petistas mal intencionados (nem todos são), dens e tucanato em geral! 

Em tempo: Procuro em meus livros de História e não encontro nenhum momento, ruptura com ideologias e práticas políticas que não tenham passado pelo calor de conflitos violentos. Sou pela paz! Mas há quem não! Então.. 

meninos e meninas
brincam nas ruas junto aos lobos
o tempo ficará marcado em tintae algum lixo queimado
foguetes de pólvora barata
sujam antigas casas
já ruídas
corroídas
por dentro
pelas vísceras
enquanto o mundo escorre
pela web
a vida vale nada
o tempo nada
não
não mais valia
comoção
comichão
onda
a vida segue
mas não

Por Giglio  –  gigliovr@facebook.com

1 Comentário

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  • Léo Cárfrei

    Boas palavras Giglio. Concordei comquase tudo.