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Cargos na Mesa

Neto reeleito; e, agora, como fica a Secretaria de Cultura?

Seria uma santa ingenuidade acreditar que o prefeito abandonaria seu projeto de hegemonia, ao aceitar a indicação de quem quer que seja

Opinião  –  01/11/2012 15:12

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(Foto Ilustrativa)

Carta fora: Com a saída praticamente certa de Moa, já
começaram as campanhas para ocupar a pasta da Cultura  

Um certo professor de Barra Mansa, sindicalista, costumava soltar uma frase de efeito nas assembleias e reuniões, sempre que achava que alguém estava tentando passar uma ideia falsa: “O mais bobinho aqui dá rasteira em cobra!”. É preciso dizer isso constantemente aqui em Volta Redonda, e, principalmente, para uma galera que faz política cultural. Também é preciso acabar com certas ingenuidades.

Depois de uma eleição polarizada, rapidamente tivemos uma campanha para tentar levar uma candidata a vereadora (derrotada nas urnas, é bom que se diga) para a pasta da Cultura. Seria uma santa ingenuidade acreditar que nosso prefeito abandonaria seu projeto de hegemonia, ao aceitar a indicação de quem quer que seja. Conhecemos bem nosso prefeito e sua forma de fazer política. E sabemos que quem quer que tivesse vencido as eleições, as cartas e cargos já estavam lançados na mesa. E seria assim com qualquer um que fosse eleito.

Indicados pelos fazedores culturais

Mas, na maturidade do atual momento, nós - artistas e fazedores culturais -resolvemos pensar em nomes e fazer uma indicação ao prefeito. Demonstração clara de que estamos querendo o diálogo e querendo contribuir para que os erros do antigo secretário sejam corrigidos, levando Volta Redonda a ocupar o seu espaço de Cidade da Cultura, título tão propalado pelas propagandas governamentais e que, sabemos, não é a verdade absoluta. Bom, ao menos quando se trata do poder público, pois alternativamente, em pontos de cultura, espaços de ONGs, em grupos e bandas, a Cultura está fervilhando. E muito!

Façamos uma análise mais fria; entenda o que se passa

As cidades sempre investiram em cultura por razões de prestígio, para mostrar poder político ou sucesso econômico. Esse foi um dos modelos seguidos por nosso prefeito e seu secretário. Um modelo vindo lá do século XIX. O outro modelo foi o de se utilizar de eventos culturais para angariar votos e calar o movimento dos artistas que protestavam contra o secretário. Afinal, ele estava fornecendo “cultura para todos”...

Hoje, os investimentos em arte e cultura não devem acontecer para exibir pujança econômica, muito menos para ganhar uma eleição. Devem acontecer para gerar divisas e provocar transformações na vida da população. Essa não é uma ideia nova, pois ganhou força no fim do século XX.

Por essas e outras, podemos afirmar que Volta Redonda tem ainda muito a fazer. Afinal de contas, estamos perdendo a chance de perceber o impacto que um investimento real em cultura pode ter em uma economia do tamanho da que há na cidade de Volta Redonda.

Geração de emprego e renda

Se ninguém sabia, que saiba agora: a cultura é a política industrial deste século, um dos setores mais importantes para geração de emprego e renda na sociedade. E estamos, em nossa cidade, muito atrasados nessa compreensão. Tanto que existe mais investimento em eventos, o que leva para a capital, no bolso dos artistas de fora que aqui se apresentam, as divisas que deveriam permanecer na cidade.

Outro equívoco é apostar na cultura como o grande milagre que viabilizará a inclusão social de que a cidade tanto precisa. Isso porque a cultura ainda não entrou na agenda política como deveria: como forma de gerar emprego e renda, como forma de se levar informação à população, e, aí sim, promover uma grande transformação e inclusão.

Sem nenhum apoio da prefeitura

Mesmo sem receber os incentivos devidos, Volta Redonda tem alguns dados surpreendentes a exibir. Conta, por exemplo, com Pontos de Cultura incentivados pelo governo federal, cinemas, espaços culturais alternativos e um grupo seleto de artistas e produtores que sobrevivem da sua arte e que levam o nome da cidade para outras paragens. Detalhe importante a destacar: sem nenhum apoio da prefeitura!

E temos ainda uma infraestrutura de fazer inveja a qualquer cidade, com uma biblioteca enorme, mais de uma dezena de anfiteatros esparramados (e abandonados) pelos bairros, cinemas, bares e boates. E demanda para consumir cultura é o que não falta nos bairros de Volta Redonda - sobra espaço para fazer cultura e sobra gente realizando trabalhos culturais e artísticos que precisam, notem a ironia, de espaço.

Mais investimentos e políticas públicas

É interessante observar que, se por um lado o investimento real não está em todos os lugares, por outro, nota-se que a criação pode ser vista por toda parte: de artesanato a grafite, de música a teatro, de saraus de poesia a pintura, de manifestações populares a música erudita. Isso não quer dizer que prescindimos do poder público, mas que fazemos tudo sem ele. E que estamos precisando dele para que a cidade, como já disse, se transforme realmente na Cidade da Cultura. O peso econômico disso já seria mais do que suficiente para justificar mais investimentos e políticas públicas voltadas para o setor.

Temos também outra característica que justifica esse investimento: a dimensão não-material da cultura está mais forte a cada dia. E se torna particularmente importante, se considerarmos os imensos desafios sociais que a cidade enfrenta. Não é uma solução mágica e não acaba com a pobreza, mas aliada a outros projetos pode gerar emprego e renda.

E por que entrei nesse debate?

Simples assim: nós, artistas, estamos nos colocando para o diálogo com o prefeito e pretendemos enviar nomes para serem apreciados para a pasta da Cultura. Nomes de consenso entre nós, e que, por seu envolvimento no governo - seja por bom trânsito ou por já fazerem parte da equipe - podem ser apreciados sem medo de embates com o prefeito.

Nomes, por exemplo, como de Pablo Duca, músico, funcionário da prefeitura e com bom entendimento disso tudo o que levantei nas linhas acima.

Necessitamos de mudanças urgentes

Mas é preciso ficar claro que não somos bobos ou ingênuos, sabemos qual será a posição do prefeito. É também necessário que o prefeito entenda que necessitamos de mudanças urgentes, mudanças que nos tornem aptos a participar realmente do Sistema Nacional de Cultura, por exemplo. Afinal, o prefeito assinou a adesão ao SNC, mas isso não basta: para participarmos é necessário que cumpramos critérios estabelecidos pelo Ministério da Cultura. É necessário que o Conselho de Cultura seja eleito e seja paritário, assim como determina a Lei Orgânica do Município.

É necessário que tenhamos um Fundo de Cultura nos moldes do que a Lei Orgânica prevê e o Minc aponta. É mais que necessário que realizemos a Conferência Municipal de Cultura de maneira democrática e que nela se eleja o Conselho. E ela deve ser realizada até o fim de novembro.

Não basta mudar o secretário e manter a política que aí está. Por isso pedimos o diálogo. Enviaremos nossos nomes para serem apreciados pelo prefeito, mas continuaremos fazendo uma política com pés no chão, sem ingenuidade, de organização e de proposição, e, quando necessário, de mobilização e oposição.

Por Giglio  –  gigliovr@facebook.com

1 Comentário

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  • NEGÃO

    O NETO É PRAGMÁTICO. NÃO TÁ NEM AÍ PRA MINC OU FUNDO DE CULTURA. SE CEDER NÃO VAI FUNIONAR. VAI COLOCAR QUEM ELE QUER E TODOS VOLTARÃO PARA SEUS LARES SATISFEITOS.
    DEPOIS É SÓ ESPERAR UM POUCO...