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Momento Poético

Sarau Poesia Jah volta repaginado

Polêmica envolvendo o Memorial Zumbi será a tônica do evento comandado pelos Circunlókios e pelo Coletivo Poesia Jah!

Opinião  –  25/02/2017 12:36

 

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(Foto: Lucas Alves)

Os Circunlókios: Sarau terá microfone aberto para que qualquer pessoa possa participar 

Ele está de volta. E repaginado. O Sarau Poesia Jah ocupa dia 11 de março (sábado), às 19h, o espaço embaixo da Biblioteca Municipal, na Vila Santa Cecília, em Volta Redonda. O comando ficará a cargo dos Circunlókios e do Coletivo Poesia Jah! 

- Agora, estaremos em um espaço público, para que os poetas e as poetas fiquem cada vez mais pertinho e façam de suas vozes o lugar da poesia - diz Carlos Eduardo Giglio, dos Circunlókios. 

O sarau terá microfone aberto para que qualquer pessoa possa ler, falar, declamar poemas próprios e de autores consagrados. Também é aberto aos músicos, para que possam mostrar seus talentos e composições. 

- É só chegar e se inscrever para participar na hora. E quem é tímida ou tímido, não tem problema. Nós lemos os seus escritos. E vamos ter também varal de poesias, fotos e outras surpresinhas mais, com sorteio de brindes. 

A polêmica envolvendo o Memorial Zumbi 

A volta do Sarau Poesia Jah estava programada para o Memorial Zumbi, também na Vila Santa Cecília. Segundo Giglio, seria uma forma de ocupar um dos aparelhos culturais mais importantes da cidade. Ainda de acordo com Giglio, a Secretaria de Cultura apoiou a ideia e estava tudo pronto. 

- Mas, por conta de todos os problemas encontrados no Memorial, causados pelo descaso do governo Neto (o ex-prefeito Antônio Francisco Neto) e a má administração, o Ministério Público fechou o espaço e exigiu reformas urgentes. E agora, além de tudo, um blogueiro se arvora a falar bobagens e pedir que o Memorial seja fechado. 

O blogueiro citado por Giglio é Adelson Vidal Alves, que publicou em seu blog o texto “Pelo fim do Memorial Zumbi”. 

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"O artigo é um desserviço à cultura negra. Desserviço à cultura. Desserviço à luta e ao empoderamento dessa parcela da população". (Giglio)

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- É assustador o nível de fascismo que vem daí. Racismo disfarçado de nem sei mais o que. Com um texto bizarro, demonstra o nível de desinformação sobre o lugar, sobre a luta do movimento negro para conquistá-lo, sobre como o racismo capitalista opera em nossa cidade - enfatiza Giglio

O ponto de vista do blogueiro 

Em entrevista ao OLHO VIVO, Adelson Vidal Alves disse que seu texto foi distorcido. 

- É impressionante a capacidade de alguns em distorcer coisas que escrevemos e falamos. O problema que coloco no artigo não é a cultura negra ou africana, aliás, o termo “cultura africana” é o maior dos preconceitos, já que passa a ideia de que o continente tem uma única matriz cultural, quando na verdade é complexo, cheio de tribos, línguas e culturas diferentes - frisou. 

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"Minha crítica se dá em torno da tentativa de usar um espaço como escola racial tentando fazer as pessoas de pele negra se sentirem parte de uma raça, que por sua vez tem uma mãe racial, a África. Isso sim é desserviço e desinformação". (Adelson Vidal Alves)

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- Sabemos que não há raças humanas na natureza. Mas o movimento negro, sem amparo da genética, quer racializar o Brasil usando de doutrinação cultural, como se todos os negros fossem parte de uma identidade de raça - frisa Adelson Vidal. 

O ponto de vista do blogueiro, na opinião de Giglio, exige um desagravo, por parte dos artistas e da população. 

- Escreva textos em apoio ao Memorial Zumbi e ao movimento negro da cidade. Fale sobre a África, a capoeira, o jongo, os orixás. Fale de turbantes. E leve para lá. Leve tambores, berimbaus, leve sua voz. Chame a sua galera, sua banda, sua roda de rima. Bora fazer um sarau bem bacana e mostrar que a luta contra o racismo, a história, a cultura e o empoderamento do povo negro é coisa séria e que fascistas racistas não vingarão em nossa cidade. 

Já Adelson Vidal explica que sua crítica é contra toda inciativa que visa trazer à tona o discurso da raça: 

- Dividir pessoas pela cor da pele é a base do racismo. Só venceremos o preconceito racial quando pararmos de dividir e segregar.

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