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Cláudio Alcântara

claudioalcantaravr@hotmail.com

Artes Plásticas

Escultura gera projeto que visa criar lugar de referência em arte

Rodolfo de Oliveira quer um local onde os artistas se encontrem e consigam se expressar, quase como um movimento cultural

Indicados ao Prêmio OLHO VIVO  –  09/04/2013 16:32

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(Fotos: Divulgação)

Peça "Volta Redonda de corpo e alma" se transformou
no início de um projeto aglutinando os artistas da região
 

Escultura é a sua forma de expressão. Um dia, Rodolfo de Oliveira pegou uma barra de vergalhão, colocou na forja e quando estava bem quente ele a torceu. Apareceu, como mágica, o esboço da curva de um rio, aí ele foi se encantando. Coincidência? Do aço nasceu a curva do rio e Volta Redonda veio do aço. Batizada de "Volta Redonda de corpo e alma", a peça se transformou no início de um projeto aglutinando os artistas da região.

- O meu foco é criar um lugar de referência em arte da nossa região, onde os artistas se encontrem e consigam se expressar, quase como um movimento cultural - diz o artista, que nasceu e foi criado em Volta Redonda.

Oliveira conta que sua família sempre esteve envolvida em movimentos culturais e que sempre teve profunda admiração pelo trabalho feito. principalmente, pela mãe dele (Ely Telles) e Josely Telles, irmã do escultor, junto à cultura.

- Mas, infelizmente, tiveram pouquíssimo apoio, e eu nunca tive tempo, pois estava sempre correndo desesperadamente para ter dinheiro para dar um bom futuro à minha família (mulher e três filhos). Tinha certeza de que iria mudar o paradigma das nossas vidas. Com muita luta, consegui. A mais velha hoje é cirurgiã plástica; a do meio, advogada; e o caçula casou e está fazendo engenharia - orgulha-se. 

Foi aí que aconteceu uma grande mudança na vida do escultor. O casamento terminou, seu trabalho foi por água abaixo, como ele fala, e perdeu a motivação. Mas renasceu, começou a se dedicar à arte e colocar todo o seu sentimento em suas esculturas. 

Confira a entrevista com Rodolfo de Oliveira 

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"Não existe diálogo do poder público com as artes plásticas,
mas vejo uma esperança na mudança do secretário de Cultura"

Como é o seu processo criativo? É uma arte cara para quem faz e para quem consome?

Tudo começa com uma ideia, às vezes, quando ela toma forma, já não é a ideia que deu início, mas sem dúvida vem através de um grande sentimento. Acho que toda arte que envolve dedicação é uma arte cara para quem faz, e a escultura em metal envolve ferramentas, calor, eletricidade etc. Daí acredito que acaba se tornando um pouco cara. 

Como está o mercado de arte na região? Melhorou, já esteve melhor? 

Nossa região infelizmente não tem mercado de arte, e é exatamente aí que quero me empenhar. Hoje, nossa população que consome arte vai para Penedo, Maringá, Rio, São Paulo e muitas vezes compram trabalhos lá que são feitos aqui e nem sabem. 

Qual o caminho para que a população em geral tenha acesso às artes plásticas?

O caminho é, sem dúvida, incentivar e descentralizar os trabalhos artísticos e culturais, parar de priorizar os grandes shows que alcançam grandes multidões e muito volume de dinheiro, mas não contribuem com cultura, a cidadania e envolvimento. 

Você já expôs o seu trabalho? Tem algum projeto nesse sentido?

Não. A princípio, estou usando a internet como meio de divulgação. Meu projeto é criar esse local para exposições diversas, inclusive minhas. 

Qual o diálogo do poder público com as artes plásticas atualmente? Você sente que faltam projetos de incentivo nessa área? 

Não existe diálogo. Vejo uma esperança na mudança do secretário de Cultura. Acho que a nova secretária tem capacidade, espero não estar enganado. Em nível de município, estamos completamente carentes. A TV Rio Sul tem dado alguns incentivos como talento da terceira idade, e acho que esse é o caminho, sem dúvida. Mas temos que começar a mostrar o talento de todas as idades. No mais, os artistas que conseguem algum valor são aqueles que saíram de nossa cidade para procurar a realização em outros lugares, longe das famílias, mas onde podem ser reconhecidos por seu talento. 

Percebo o engajamento de artistas de outras áreas (música e teatro, principalmente) nas reivindicações para a melhoria do fazer artístico em Volta Redonda. Posso estar errado, mas não vejo muitos artistas plásticos envolvidos nesse processo. Como os artistas plásticos podem contribuir? 

Primeiro o artista tem que se sentir acolhido, valorizado, para que ele possa se expressar. O artista é, por essência, uma pessoa tímida e sensível, muito voltada aos pensamentos e filosofias. 

Qual a sua maior dificuldade em viver de arte aqui na região? 

É a falta de cultura artística, as pessoas não estão acostumadas a gastar dinheiro com arte, a maioria encara a arte como decoração, se tal peça combina com a cortina, ou com o sofá da sala... 

O que vem por aí em 2013? Projetos? Expectativas? 

Se depender do meu entusiasmo, vem muita coisa. Eu realmente gostaria de primeiro sensibilizar o poder público para perceber a essência da capacidade artística da população de nossa cidade, que é enorme. Quando a arte for valorizada aqui em nosso município, cada artista, sem dúvida, vai poder resgatar e ter história.

> Contatos: Facebook e e-mail: rodolfo.palco@hotmail.com

Por Cláudio Alcântara  –  claudioalcantaravr@hotmail.com

5 Comentários

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  • Nelson Gabriel Batista.

    Aqui em fortaleza-ce. Nós artistas sentimos as mesmas dificuldades que o colega relator. precisamos de parceria e incentivos de outros artista da nossa área. contate-nos.

  • Stella Telles

    Muito bom !!!! E essa é só o começo... vale a pena conferir as outras!

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