(Foto: Divulgação)
“A internet torna as pessoas preguiçosas, todavia, se bem usada é uma ferramenta maravilhosa para acesso rápido a livros e bons textos”
Nosso entrevistado é o advogado e figura pública brasileira Mesael Caetano dos Santos.
Nascido em Sergipe e radicado no Paraná desde os 7 anos, Bacharel em Direito e pós-graduado em Administração Pública e Gerência de Cidades. Primeiro presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB/PR, destacando-se na defesa dos direitos humanos e na luta contra o racismo.
Confira a entrevista com Mesael Caetano dos Santos
> Como foi seu encontro com os livros? Tinha algum livro preferido na infância?
Minha geração lia muito, discutia cultura. Livros que li: “Eu Cristiane F, 13 Anos Drogada Prostituida”; enfim, o primeiro livro que li por inteiro foi “Um Cadáver Ouve Rádio”, de Marcos Rey.
> Você se considera um bom leitor?
Sim, considero-me um bom leitor. Minha profissão de advogado exige uma leitura constante e rigorosa de textos densos e complexos. Além disso, a busca por conhecimento e a capacidade de me aprofundar em temas variados - desde a literatura até questões sociais - demonstram minha aptidão e meu valor pela leitura.
> Fale de seus autores favoritos.
Carlos Drummond foi o principal nome da Segunda Geração do Modernismo brasileiro e é considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa. Sua obra é marcada por um estilo que mescla ironia, profundo lirismo e a linguagem coloquial, tratando tanto de temas existenciais e da melancolia do eu individual quanto das questões sociais e políticas do coletivo. Autor de obras essenciais, como “Alguma Poesia”, “Sentimento do Mundo” e “A Rosa do Povo”, Drummond eternizou versos que se tornaram ícones da cultura nacional, como "No meio do caminho tinha uma pedra" e "E agora, José?". Seu legado reside na capacidade de transformar o cotidiano em poesia, firmando-se como o Poeta Maior do Brasil.
> Qual é seu horário preferido para dedicar-se à leitura de um livro.
Madrugada.
> Sua profissão exige leitura de livros da área. A Academia Brasileira de Letras teve e têm advogados que escrevem Literatura, mas como os leitores enxergam que um advogado seja também contista, poeta ou romancista?
Sim. Mas escrevo artigos técnicos de minha profissão, já fiz uma poesia ao lado do meu amigo Geraldo Magela, tenho muita influência dos cordéis nordestinos. Minha função principal, como modelo de linguagem, me leva a gerar todos os tipos de textos, desde respostas informativas e poemas até simulações de diálogos, no entanto, com base no que você me perguntou, só escrevo textos jurídicos em minha profissão como advogado.
> Na sua opinião a internet incentiva a leitura ou torna as pessoas preguiçosas e sem vontade de ler livros?
Torna as pessoas preguiçosas, todavia, se bem usada é uma ferramenta maravilhosa para acesso rápido a livros e bons textos. A internet é a maior biblioteca já criada. Ela dá acesso a: e-books e audiolivros. Milhares de obras, muitas gratuitas ou a baixo custo, disponíveis instantaneamente. No entanto, se o usuário passa a maior parte do tempo em conteúdos ultracurtos, superficiais ou altamente distrativos, a internet prejudica a capacidade de foco e a paciência necessárias para a leitura de obras mais extensas e densas.
> Nesta época muitas pessoas escrevem e publicam. Você pensa que essa explosão elevará a literatura ou, ao contrário, pode banalizar a escrita?
Tem leitor para diversos assuntos, entretanto, a qualidade tende a cair muito. No final só os que escrevem com qualidade atingirão a alma do leitor, são esses que irão sobressair.
> Segundo a sua percepção, a época de pandemia mundial foi boa ou ruim para a criação literária?
Foi ruim para a criação literária, pois o luto e a intensa tensão vivida esgotaram a energia mental, desviando o foco da arte para a sobrevivência. A exceção seria para autores que usam o sofrimento humano como principal matéria-prima criativa.
> Cite o título de um livro que tenha influenciado suas decisões, a sua vida.
Nenhum livro influenciou a minha vida, minha maior influência foi meus professores, desde o primário até a universidade.
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