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Jean Carlos Gomes

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Dialogando com Várias Estéticas

Godofredo de Oliveira Neto - Um agente de mediação à cultura coletiva

Escritor, professor universitário e integrante da ABL fala sobre mídias digitais, a função da literatura na sociedade e vida acadêmica

Entrevistas  –  08/06/2026 17:35

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(Foto: Divulgação)

“Escrevam sem se preocupar com o sucesso e com as vendas. Esse não é o nosso papel. Tentem ‘sair de si’ ao escrever. Vocês estarão, assim, criando um narrador/narradora que não é vocês realmente”.

 

Godofredo de Oliveira Neto (Blumenau, Santa Catarina, 22/5/51) é escritor e professor universitário. Ocupa a Cadeira 35 da ABL, desde setembro de 2022, sucedendo ao acadêmico Candido Mendes de Almeida (1928-2022). Foi recebido pela acadêmica Ana Maria Machado. É o primeiro catarinense na ABL.

Confira a entrevista com Godofredo de Oliveira Neto

. Diante da crescente relevância das mídias digitais, que novo cenário se desenha para a literatura brasileira?

Penso que as mídias digitais provocaram uma ruptura com o lado impessoal do romance moderno no que diz respeito ao tempo. Com as mídias digitais o romance tem basicamente um tempo, com exceções, claro. A ficção atual é uma representação sem antecedentes. Quem me dizia isso foi o Derrida, já no fim dos anos 70 do século passado. A ausência da crítica literária, tão notada pelos especialistas, vem daí, penso. Os romances têm uma poética diferente entre eles. Eles existem nesta nossa época pelas relações contextuais que eles provocam. A "vitória do eu" (contém ironia!) e do sujeito empreendedor engendrou um Cada um por si. O escritor/ escritora sentado no seu quarto diante do computador é um empreendedor solitário. Não segue correntes e modelitos como outrora, ou seguem bem menos. Mas começa a haver uma mudança estrutural de grande porte nas duas últimas décadas do século XXI, com a famosa literatura chamada de "cura", preocupada, corretamente, com a necessária inclusão de partes enormes na sociedade brasileira, durante séculos excluídas.

. A constante crítica de que somos um país de poucos leitores interfere de alguma forma em sua atividade?

A obra é o resultado da convergência do texto e de sua recepção, seus leitores. Como a obra tem leituras sucessivas no tempo, quanto mais leitores, mais leitura crítica haverá. Quer dizer, interfere na própria dimensão do romance na medida em que uma massa maior de leitores densifica, necessariamente, a narrativa. Leituras diferentes enriquecem o romance.

. O que a literatura de mais satisfatório lhe proporciona?

A sensação de que o que a gente escreve serve de mediação à cultura coletiva mexe com a nossa emoção. As leituras diferentes remetem à intertextualidade e à polifonia. A sensação de estar contribuindo para o diálogo de várias linguagens e discursos que formam a sociedade dá arrepios.

. Qual é a função da literatura na sociedade?

Tem a função de dialogar com as várias estéticas e com vários lugares e mundos, além de ressuscitar os mitos fundadores, sem os quais a condição humana seria animalizada.

. Fale um pouco de sua vida acadêmica, como escritor e como é ser integrante da ABL?

Um espaço de convivência pautada por discussões sobre o conhecimento humano, o desejo de produzir saber e de pensar o Brasil.

. Uma mensagem aos autores iniciantes.

Escrevam sem se preocupar com o sucesso e com as vendas. Esse não é o nosso papel. Tentem "sair de si" ao escrever. Vocês estarão, assim, criando um narrador/narradora que não é vocês realmente.

. O que acha de nossa iniciativa de entrevistar/homenagear renomes de nossa literatura, fazendo, além de uma justa homenagem, um “intercâmbio” entre o autor consagrado e o autor iniciante?

Acho louvável essa iniciativa, eu teria gostado de ter tido, na minha adolescência, mais contato com ficcionistas já estabelecidos escritores.

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