
(Foto: Divulgação/Vanice Zimerman)
“Penso que a internet prejudica mais do que ajuda porque usa muitas imagens, muitos vídeos curtos, ideias prontas que dispensam a escrita e leituras nas postagens”
Nosso entrevistado é o poeta e filósofo Paulo Roberto de Jesus. É graduado em Filosofia pela UFPR, em 1996. Publicou: “A Singularidade do Ser em Verso e Prosa”, 2014, Ed. de Autor. “Reflexos do Ser em Verso em Prosa”, 2016, Ed. de Autor. Participou da “Coletânea Feira do Poeta”, edições de I a IX, Nogue Editora - Curitiba. Participou da “Coletânea Crônicas da Resistência 2016” - Ed. Compactos Curitiba.
Confira a entrevista com Paulo Roberto de Jesus
. Quando começou a escrever poesia?
Comecei a escrever ali pelo ano 2000. A poesia apareceu tardiamente para mim. Fiz parte da Oficina Permanente de Poesia da saudosa poeta Rosa de Oliveira. Ali aprendi algumas técnicas do versar e comecei a escrever. Não consigo ficar sem escrever, mas escrevo pouco.
. Você reconhece a influência de algum autor em seus livros?
Gosto de escrever redondilhas maiores e isso creio que primeiramente aprendi com Camões e Patativa do Assaré. Quanto aos temas versados gosto do Luiz Gama que foi poeta e advogado abolicionista. Li um livro do Gama há pouco tempo, logo, não me influenciou. Gregório de Matos também me apraz. Creio que as leituras dos poetas que aprazem ao poeta terminam por deixar algo neste. Este algo adquirido das leituras ajudam o poeta a encontrar a sua voz. Mas não me rotulo dizendo que este ou aquele poeta tenha determinado meu caminho poético.
. Fale um pouco de seus livros publicados?
“A Singularidade do Ser em Verso e Prosa” (2014) e “Reflexos do Ser em Verso e Prosa” (2016) são dois livros que publiquei em Edição de Autor. São miscelâneas de textos escritos ao longo dos anos. Tem poemas existenciais, poemas com temática cristã, poemas com temáticas sociais e algumas intertextualidades. Sou um sujeito bonzinho e escrevo sobre coisas que me incomodam como as injustiças sociais por exemplo. Participei também de uma dezena de Coletâneas de Poesias e também das “Crônicas da Resistência 2016”. Narrativas de uma democracia ameaçada. Ed. Compactos, Curitiba - PR.
. Para alguns poetas é difícil colocar os títulos aos poemas que escrevem. Como você decide qual será o título de um poema?
Normalmente não tenho dificuldades em colocar títulos. Verso a partir de uma ideia sobre determinado tema e esta ideia acaba sendo o título ou o caminho para o título.
. Como é seu processo criativo? Para escrever um poema, por exemplo, você parte de uma palavra? De uma imagem? De uma música? De uma vivência? De acontecimentos?
O tema pode vir de um sentimento, de um acontecimento, de uma sugestão de alguém. Vários caminhos me levam a versar.
Parto sempre de uma ideia de algo que está me incomodando ou provocando reflexões. Não verso imediatamente, mas o tema fica “martelando” na minha cabeça por dias. Um certo dia sento e rabisco algumas ideias e frases chaves já como gancho para rimas. Então verso o poema. Depois do poema pronto sinto um alívio no corpo como se tivesse retirado um peso do corpo. Parafraseando Sócrates, digo que o poeta é um parteiro de poemas.
. A internet incentiva a leitura de livros ou prejudica?
Ela propicia ocasiões para leituras como por exemplo os sites de escritores clássicos e sites e grupos de poetas contemporâneos. Penso que ela prejudica mais do que ajuda porque a internet usa muitas imagens, muitos vídeos curtos, ideias prontas que dispensam a escrita e leituras nas postagens. As vezes algumas postagens dispensam interpretação e é só consumir. Sem falar nos CEOs que são os especialistas. O que não falta na internet é especialista.
. Fale sobre o Sarau Popular. Quando e como iniciou? Qual é o objetivo?
A partir do próximo evento o Sarau Popular passará a ser septuagenário porque entramos na septuagésima edição. O Sarau Popular foi criado pelo poeta e produtor cultural Getúlio Guerra no ano de 2014, no tempo que trabalhou na Fundação Cultural de Curitiba. O objetivo era criar um espaço para que poetas, músicos e artistas em geral pudessem mostrar sua arte. Este processo deu visibilidade aos artistas. Muitos escritores ou músicos que estavam parados retomaram e outros iniciaram suas produções artísticas. Quando trocou de prefeito em 2016 o Sarau Popular parou de ser realizado. Ficou dez anos parados e agora retomamos e já fizemos quatro edições em 2026 sem patrocínio.
. Qual é o perfil dos poetas que participam do Sarau Popular? Participam poetas iniciantes? Poetas com nomes reconhecidos? Poetas premiados?
Nas edições anteriores eram maiores os artistas a procura de espaço e visibilidade. O projeto era este e duas pessoas que trabalhavam na Fundação Cultural de Curitiba (FCC), Getúlio Guerra e Brisola, conduziam o processo.
Nesta nova versão tem aparecido artistas iniciantes, mas também artistas com um espaço na cena curitibana, tanto na poesia quanto na música. Temos a participação de poetas premiados, por exemplo, no Sarau nº 69 tivemos três poetas já premiados, a saber, Isabel Furini, Vanice Zimerman e Paulo Eduardo Gonçalves.
Vejo uma vontade de participar dos artistas. Antes da pandemia (novo coronavírus/Covid-19) tinha o CuTUCando do falecido Geraldo Magela e outros saraus que a pandemia extinguiu. Este retorno é necessário.
. Escreva um poema de sua autoria para que os leitores possam conhecer o seu estilo poético.
Anseio por um mundo melhor.
Que a fome fique no passado.
Que a tecnologia nos liberte.
Que a alegria seja a rainha.
O amor seja o fio condutor.
O verbo seja a inclusão
E a vida seja plena.
. Fale um pouco de seus planos para o segundo semestre 2026.
Ler mais, escrever mais. Realizar um Sarau Popular por mês com a coordenação do Getúlio Guerra e colaboração minha e do poeta Marcio Gleide. Participar de outros saraus e nessa vivência literária fortalecer contatos em prol da Poesia.
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