
(Fotos: Divulgação)
“minha inspiração não é o amor, não são coisas agradáveis; admiro quem consegue fazer isso”
Nosso entrevistado é o artista Evandro Castagna (Kastanha), compositor e cantor, com atuação na cena cultural de Cascavel, Toledo e Curitiba. Integrou a Banda Balbúrdia Sonora, com a qual produziu a música “Metropolitino”. Atuou em apresentações musicais no Ponto de Cultura e na Mostra de Cultura da UFPR. É integrante da Banda Redução de Danos, com atuação em eventos e saraus populares de Curitiba, Cascavel e Toledo. Sua trajetória reúne música, composição, cultura popular e produção cultural independente.
Confira a entrevista com Evandro Castagna
. Evandro, fale um pouco de sua trajetória no campo musical.
Comecei em Cascavel, no grupo de adolescentes da Igreja São Cristóvão, onde produzi duas peças teatrais. Ao ingressar na universidade (UniOeste), passei a compor letras e melodias, isso em 2001. Desde então, não parei mais. Tenho 20 composições e algumas em processo de produção.
. Você se sente mais contente cantando ou tocando violão?
As duas coisas juntas.
. Fale sobre seu processo criativo: Como chega a inspiração? Qual momento do dia é melhor para você criar composições musicais?
Minha produção está relacionada ao cotidiano, à conjuntura da cidade e aos processos políticos do país. A injustiça social, a violência urbana e a alienação do trabalho me tiram a paz. Portanto, minha inspiração não é o amor, não são coisas agradáveis. Admiro quem consegue fazer isso.
Minha produção parte de muito ódio, muita raiva contida. Esse ódio se transforma em letra, em melodia, em ironia.
. Sobre o Sarau Popular: Pode falar um pouco sobre sua participação?
Conheci o Sarau Popular em Curitiba neste ano. Gostei muito da proposta. Gosto muito da forma de produção artística do sarau, em que me sinto à vontade para apresentar minha produção. A troca com outras e outros artistas também é gratificante. Por mais saraus!
. Evandro, você é um leitor de livros de poesia?
Pouco. Gosto de literatura e geopolítica. O último livro que li foi “O Avesso da Pele” (Jeferson Tenório). Também li “Torto Arado” (Itamar Vieira Jr) e “O Pacto Narcísico da Branquitude” (Cida Bento), livros que abordam o tema do racismo no Brasil. Este tema, o racismo, é algo que tem me chamado a atenção, que me tira o sono. Minhas composições abordam muito o tema do racismo, assim como o machismo e a LGBTfobia. Estou com dois livros na gaveta pra ler sobre geopolítica, um balanço dos processos de independência de países africanos na luta anticolonial no fim do século XX e sua relação com o mundo bipolar da época. São eles: “Uma História Popular do Terceiro Mundo” e “A Estrela Vermelha”. ambos do indiano Vijay Prashad.
. Na sua opinião, podcasts, YouTube e outras tecnologias ajudam ou atrapalham a área cultural?
Ajudam, principalmente para artistas como eu, que produzem arte caseira, artesanal, sem maiores pretensões comerciais. É uma forma de guardar, de tirar da cabeça e colocar em uma estante virtual, para que as pessoas possam conhecer.
. Fale de seus projetos para 2026.
Estou com uma parceria com meu filho, que também é compositor, no projeto “Redução de Danos”. Nós nos apresentamos também no Sarau Trechos das Ruas, em Cascavel, e já nos apresentamos no Sarau do Neabi, em Toledo. Em agosto, fiz uma apresentação no Sarau no Festival da Palavra, na Casa da Polônia de Curitiba.
.....................................................................................
Apoie o jornalismo cultural independente
Como apoiar
Para contribuir: Chave Pix 88836843700
O processo é simples e seguro.
A cultura agradece. O jornalismo independente também.

