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Jean Carlos Gomes

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Resgatando Memórias

Diego Mendes Sousa - Homenageado na XVII Coletânea Século XXI

Escritor e jornalista fala sobre mídias digitais, a função da literatura na sociedade e o fazer literário

Entrevistas  –  04/11/2026 18:59

 
HOMENAGEM

(Fotos: Divulgação)

“A minha literatura perpassa pela dor universal e por temas siderais: o tempo, a agonia, a crueldade, o desespero, a miséria e a solidão”

Diego Mendes Sousa nasceu na Parnaíba, cidade litorânea do norte do Piauí, em 15 de julho de 1989. É servidor público federal, advogado, escritor e jornalista. Mestre em Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Acre (Ufac). Escreveu os livros de poemas “Divagações” (2006), “Metafísica do Encanto” (2008), “50 Poemas Escolhidos Pelo Autor” (Edições Galo Branco, 2010), “Fogo de alabastro” (2011), “Candelabro de Álamo” (2012), “Gravidade das Xananas” (2019), “Tinteiros da Casa e do Coração Desertos” (2019), “O Viajor de Altaíba” (2019), “Velas Náufragas” (2019), “Fanais dos Verdes Luzeiros” (2019), “Rosa Numinosa” (2022), “Agulha de Coser o Espanto” (2023), “A Borda do Mar de Riatla” (2025), “O Escrevente do Chão” (2025) e “Igaraçal” (2026). Participou de mais de 30 livros em coautoria pelo Brasil, como por exemplo, “Piauí Celeiro de Icônicas Paisagens” (2021), “Peripandêmicos” (2022) e “O Rio - Coletânea de Poemas Sobre o Parnaíba” (2022).

O autor torna-se o mais jovem a ser homenageado pela PoeArt Editora. O livro reúne 59 escritores de 11 estados brasileiros - Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, mais o DF, uma participante de Valência (Espanha), divididos em duas modalidades de participação: Cinco Primeiros Colocados e Poetas Selecionados.

Confira a entrevista com Diego Mendes Sousa

. Diante da crescente relevância das mídias digitais, que novo cenário se desenha para a literatura brasileira?

As mídias digitais democratizaram o acesso e a publicação literária. A literatura brasileira contemporânea tornou-se mais ágil, fragmentada e interativa. A barreira geográfica diminuiu, permitindo que vozes de todas as regiões do Brasil ganhassem visibilidade global instantânea. O avanço tecnológico traz velocidade, porém, na minha jornada particular, tenho um ritmo criativo torrencial próprio que atribuo à urgência da vocação e à sensibilidade nata. Eu opero sim com a inteligência e sei o momento exato de trazer a lume o meu confessionalismo estético. Diante de qualquer modernidade, continuo um escritor íntimo da caneta e do papel. O cenário muda, porém, a linguagem do criador deve continuar provindo tanto da cultura popular quanto da cultura erudita, vinculada à tradição.

. A constante crítica de que somos um país de poucos leitores interfere de alguma forma em sua atividade?

Não interfere, porque o meu fazer literário nasce da naturalidade, sem busca comercial ou racionalização. Eu sempre li muita filosofia, teoria literária e dicionários; o conhecimento é a armadura do meu ser. Escrevo pela espontaneidade dos sentimentos. O meu compromisso não é com estatísticas de mercado, mas com a busca do sublime. É como a imagem da cigarra: aquela que se ouve, todavia não se vê. Este poeta escreve para a permanência.

. O que a literatura de mais satisfatório lhe proporciona?

A poesia é a experiência mais viva na vastidão dos sentimentos humanos. O processo é puramente intuitivo. Para mim, a poesia é como um ovo de ave: a gema é o sopro com música, com tom, com ritmo, com mito e com enigma; a clara espelha-se em símbolos, em metáforas, em sentidos e em sentimentos, culminando na mais alta beleza. A maior satisfação estética é o momento do espanto, essa paixão e esse amor que funcionam como um relicário de reconhecimento de mim mesmo.

. Qual é, a seu ver, a função da literatura na sociedade?

Sou uma testemunha do meu tempo. A minha literatura perpassa pela dor universal e por temas siderais: o tempo, a agonia, a crueldade, o desespero, a miséria e a solidão. A função da literatura é mistificar o humano como um inventário de assombros e de iluminações. A literatura serve para resgatar as memórias, salvar o que o tempo tenta apagar e fundar um território simbólico de resistência emocional contra o esquecimento do mundo.

. Uma mensagem aos autores iniciantes.

Encontrei a minha vocação ainda menino e me ofertei a essa mitificação dos tempos. Minha mensagem aos autores iniciantes é que estudem. Não racionalizem excessivamente o processo de escrita. Deixem que a linguagem os encontre. Escrevam a esperar o destino. Afinal, não será o acaso o estranhamento absoluto da vidência? Se entreguem ao mistério e cuidem da palavra. Descobri-me poeta por arranhões que o destino me reservou.

. O que acha de nossa iniciativa de entrevistar/homenagear renomes de nossa literatura, fazendo um intercâmbio entre o autor consagrado e o autor iniciante?

Penso ser essencial, pois existe uma consciência geométrica de ser um poeta que cuida da memória genealógica da criação. O diálogo intertextual e geracional é um casamento estético onde diferentes tempos dividem o mesmo temperamento nostálgico, místico, mágico e geográfico. Dedico frequentemente poemas a outros autores como forma de homenagem. Esse intercâmbio preserva viva a nossa tradição lírica. 

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