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Cláudio Alcântara

claudioalcantaravr@hotmail.com

Produção Independente

Curta de Renan Brandão ganha prêmios internacionais

Cineasta de Volta Redonda conquista público e crítica com - Ao final da conversa eles se despedem com um abraço - e vai rodar seu próximo filme na Cidade do Aço

Entrevistas  –  14/01/2018 00:33

Publicada: 07/12/2017 (22:14:41) . Atualizada: 14/01/2018 (00:33:00) 

(Fotos: Divulgação)

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Ao mesmo tempo em que Elisa se despede de Heliomar, encontra o jovem Michel 

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O filme foi rodado na cidade do Rio de Janeiro, em específico na Glória/Lapa. O sobrado utilizado fica no bairro, a Praça Paris, a Escola de Música da UFRJ, a Santa Casa de Misericórdia. A única locação fora desses arredores foi o baile charme no Viaduto de Madureira. O curta foi rodado em apenas sete dias. Dito assim, parece muito simples. O voltarredondense Renan Barbosa Brandão, o Renan Brandão, 29, no entanto, sabe que não é bem dessa forma. E, mesmo de maneira independente, fez “Ao final da conversa eles se despedem com um abraço”. O esforço está sendo recompensado com premiações em festivais no Brasil e no exterior. 

Ganhou o prêmio de melhor direção no III Petit Pavê - Festival de Cinema Independente de Curitiba. Recebeu as indicações de melhor direção, melhor atriz e melhor direção de arte. No 15º FestCine Amazônia - Festival Latino Americano de Cinema, ganhou o prêmio de melhor atriz (Marina Vianna). No 27º Festival Internacional de Curtas-metragens do Rio de Janeiro Curta Cinema, recebeu menção honrosa da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro. Já no 6th Delhi Shorts International Film Festival-2017 (New Delhi - Índia), prêmio de "Best Film" (melhor filme do público). No XII CineFest Gato Preto – Lorena, SP, ganhou o prêmio de melhor direção de fotografia para Marcelo Martins Santiago e melhor direção de arte para Júnior Paixão. 

O filme ainda foi exibido no 15º Curta Santos - Santos, SP; no 19º Festival Kinoarte de Cinema - Londrina, PR; e no 6th Mumbai Shorts International Film Festival (Mumbai - Índia). Terá exibição em 10 de dezembro (nesta sexta-feira), na Mostra São Luiz de Curtas-metragens Brasileiros - São Luiz, MA; e no I Palmacine - Festival de Cinema de Palmácia, CE. 

- A maior dificuldade para realizar o filme foi a falta de recurso financeiro, fazer um filme com financiamento já é difícil, sem o mesmo torna tudo muito mais desgastante e cansativo. A duas semanas de filmar, eu estava ainda convencendo donos de algumas locações do filme a cedê-las para a filmagem e conseguindo o apoio de alimentação que ainda não estava fechado, e o dinheiro já tinha acabado - conta. 

Renan Brandão é bacharel em cinema. Sócio fundador da produtora B A R A Ú N A, realizou quatro curtas-metragens, com destaque para “Lágrimas de Ogum” (2009|Ficção|35mm), selecionado para mais de 25 festivais nacionais e internacionais, e “Eu nunca deveria ter voltado” (2012|Ficção|35mm), que ganhou os prêmios de melhor direção, ator e trilha sonora no 45 Festival de Cinema Brasileiro de Brasília. 

Confira a entrevista com Renan Brandão

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“Me interessa a reflexão sobre personagens que guiam suas vidas rumo aos abismos da existência” 

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Quando e como nasceu a ideia de rodar o curta “Ao final da conversa eles se despedem com um abraço"? 

Eu já tinha lido o roteiro do Eduardo Morotó, meu sócio na B A R A Ú N A, e a personagem da Elisa, desde a primeira leitura me instigou muito. Logo depois que escreveu o roteiro de “Ao final...” , o Morotó começou a se dedicar ao primeiro longa-metragem de ficção dele, e o “Ao final...” acabou ficando guardado na gaveta, ele já havia demonstrado o interesse em ter um filme escrito por ele dirigido por outra pessoa, e resolvemos então fazer o filme acontecer. 

O ponto de partida na concepção e motivação ao realizar “Ao final da conversa, eles se despedem com um abraço”, está ligado à exploração dos laços afetivos de uma mulher madura, que envolvem sofrimento e tomadas de decisões que estão diretamente ligadas ao processo de ressignificação de suas dores. Desde a primeira leitura do roteiro, eu tentava julgar a personagem da Elisa e não conseguia, ela me cativava e me trazia muitas perguntas que eu não conseguia responder, isso me instigou a realizar o filme. 

Somado a isso, eu observava algumas mulheres da minha família que estavam na mesma faixa etária da Elisa e se separando dos maridos, esse momento de morte e ressignificação da vida me afetava. Me interessa a reflexão sobre personagens que guiam suas vidas rumo aos abismos da existência. 

Qual a proposta estética e a proposta cinematográfica? O que vocês queriam deixar (não de mensagem pronta, mas de reflexão) para o público? 

Dentro do campo de aporte estético, cinematográfico e dramatúrgico, usamos como referência a elegância da mise-en-scène do diretor polonês Kieslowski, um dos meus diretores preferidos. Foi de grande inspiração o tratamento de análise psicológica das personagens femininas em sua “Trilogia das cores”. Mulheres em deslocamento, ressignificando as dores e os prazeres do mundo e acrescentando a elas uma dose de compaixão e acaso; associados à codificação do formalismo da imagem desses filmes, em específico “A Fraternidade é vermelha”, buscamos uma fotografia contrastada, sutilmente obscura - dando contornos e mistérios a Elisa - e com tons de vermelho em movimentos específicos. A direção de arte, a música e a fotografia foram trabalhadas dentro da narrativa como representação da alma das personagens. 

O curta é muito bem acabado. Qual foi o custo total de produção? E como ele foi viabilizado? 

O filme foi realizado de forma totalmente independente, sem editais. Até porque a cidade do Rio de Janeiro não possui um edital de cinema que abra todo ano, que funcione regularmente. Só foi possível realizar o filme devido ao apoio e parcerias que conseguimos, a começar pela equipe do filme. Fazemos filmes juntos desde a época da faculdade. O curta teve um investimento privado de R$ 14 mil, para gastos básicos de produção, como o seguro dos equipamentos, transporte e alimentação. Todo o restante do filme foi conseguido com apoio, como elétrica e maquinária, câmera, som, locações e a finalização. 

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"Eu acredito no vazio existencial como adubo para a vida. Tentamos tratar a solidão, o desejo, o sexo e a maldade com naturalidade".

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Qual foi a maior dificuldade ao fazer esse curta, e o que você já sabe que pode contornar para seu próximo projeto? Qual será esse projeto, já existe um planejamento, o que você já pode adiantar sobre ele? 

Para um próximo projeto, espero poder viabilizar com uma estrutura financeira melhor, por ele se passar em Volta Redonda, que é a cidade onde nasci, espero poder contar com apoio da prefeitura e empresas. Trata-se de um curta-metragem de ficção que tem como tema central a vingança e gira em torno de um personagem chamado Sebastião, um ex-operário da fábrica. 

Alguns pontos positivos chamam a atenção no curta, como, por exemplo, a direção de arte, fotografia, o desempenho homogêneo do elenco e a direção. Mas o roteiro me pareceu um pouco óbvio (na primeira cena e nos primeiros minutos do filme já é possível antecipar toda a história, o que fica mais óbvio ainda com a ajuda do título do filme). Isso foi proposital, dando ênfase à reflexão? 

Quando li o roteiro pela primeira vez, o título do filme “Ao final da conversa eles se despedem com um abraço” era a última frase do roteiro, achei bem instigante essa experiência, pois isso não diminuiu meu envolvimento com os personagens e com a história, pelo contrário. O óbvio para mim nesse sentido se aproxima muito mais de um lugar desafiador e arriscado do que o filme se propõe com esse título, pois acredita na relação que será construída entre os personagens. 

O curta também deixa no ar uma certa atmosfera depressiva, não no sentido pejorativo da palavra, e nem de forma excessiva ou asfixiante. Como vocês trabalharam esse clima, para que o curta não cruzasse a linha tênue entre a negação do público em aceitar a história e a aceitação filme/público, essencial em qualquer produção do gênero? 

Eu acredito no vazio existencial como adubo para a vida. Tentamos tratar a solidão, o desejo, o sexo e a maldade com naturalidade, como desejo humano, o que para mim é sempre um ponto relevante de exploração diante de uma sociedade cheia de interditos, fazendo emergir o afeto e a poesia além daquilo que se percebe como aparentemente sórdido. 

As personagens se despedem com um abraço. Isso foi um ato simbólico, no sentido de... 

Deles se despedirem com um abraço. 

Quem é quem no filme

2

. Sinopse: Ao mesmo tempo em que Elisa se despede de Heliomar, encontra o jovem Michel
. Elenco:
Marina Vianna
Ravel Andrade
Júlio Adrião
Anja Bittencourt
William Nascimento
Júnior Vieira
. Produção: B A R A Ú N A
. Direção: Renan Brandão
. Roteiro: Eduardo Morotó
. Direção de Fotografia: Marcelo Martins Santiago
. Direção de Arte: Júnior Paixão
. Produção Executiva: Lucas H. Rossi
. Diretor de Produção: Breno Soares
. Figurino: Ana Avelar
. Maquiagem: Nani Gama
. Som: Sérgio Scliar
. Trilha Sonora: Pedro Gracindo
. Chefe de Elétrica e Maquinária: Allan Marinho 

 > Contato: Renan Brandão - brandao.renan@gmail.com

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Por Cláudio Alcântara  –  claudioalcantaravr@hotmail.com

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