(Foto: Divulgação)
Grupo Da Boca pra Dentro se reuniu em
Volta Redonda, para discutir o assunto
O Estado do Rio de Janeiro já é o segundo com maior porcentagem de beneficiários por habitante e também em volume nesse segmento, segundo o mais recente levantamento feito pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), fechado em junho deste ano. A região tem hoje cerca de 3,039 milhões de beneficiários, o que representa quase o dobro de crescimento em cinco anos, já que em 2009 esse número era de apenas 1,6 milhão. Com o aquecimento do mercado, cresce também o índice de reclamação dos consumidores que, no primeiro trimestre de 2014, registrou aumento de 55% em relação ao mesmo período do ano anterior - dados da ANS. A principal queixa dos pacientes são as dificuldades de acesso aos serviços, em função de alguns mecanismos de regulação impostos pelas operadoras.
Apesar dos números favoráveis, os dentistas não têm sido impactados positivamente com o aumento de beneficiários. Segundo Outair Bastazini, integrante do Conselho Federal de Odontologia, o repasse das operadoras de planos odontológicos aos dentistas não cobre o custo da grande maioria dos procedimentos executados nas clínicas.
- Essa deficiência no repasse prejudica o profissional e o próprio paciente, pois os custos acabam sendo repassados para aqueles que realizam consultas particulares ou então é necessário realizar um número infinitamente maior de atendimentos por dia para que o consultório consiga se manter - afirma.
Buscando alternativas de aproximação com a ANS
Na tentativa de solucionar o problema, o grupo de dentistas denominado Da Boca pra Dentro se reuniu na quinta-feira, 25, em Volta Redonda para debater o assunto. De acordo com o subsecretário de Saúde de São João de Meriti (RJ), Renato Gonçalves, o objetivo do grupo é buscar alternativas eficazes de aproximação com a ANS para que sejam atendidas as necessidades dos consumidores e dos profissionais da área.
- A ANS precisa regulamentar a comercialização dos planos odontológicos e o repasse justo e devido, de modo que o paciente tenha seus direitos assegurados e nós, dentistas, possamos oferecer um tratamento de excelência. O maior prejudicado acaba sendo o nosso paciente e isso não pode continuar dessa forma - salienta.
O movimento Da Boca pra Dentro já realizou encontros na cidade do Rio de Janeiro e em outras cidades do interior e pretende impactar a classe de dentistas bem como a população como um todo para dar voz a esse debate.
- É preciso levar esse assunto à tona para que a gente consiga, de fato, uma atenção maior da ANS, e a participação da cidade de Volta Redonda, bem como de toda região sul fluminense é crucial para darmos voz a esse debate - diz Bastazini.
Segundo ele, a ausência dessa discussão entre as partes envolvidas para fomentar mudanças efetivas acaba prejudicando tanto os consumidores dos planos odontológicos, quanto os profissionais da área. Ambos não recebem o que lhes é de devido direito - um tratamento de qualidade e o valor justo pela execução seu trabalho - respectivamente.
O grupo enfatiza que a iniciativa de colocar o problema em pauta na busca por melhores soluções já é um grande passo, mas como qualquer processo decisório é preciso unir forças e ter voz para mudar, e, atualmente, essa é a missão do Da Boca pra Dentro e demais envolvidos.
_____________________________________________________
Sobre o movimento Da Boca pra Dentro
O grupo foi criado por profissionais com experiência na área de odontologia em diferentes setores que a profissão engloba, como a área pública, acadêmica, atendimento clínico e até participantes do próprio CRO (Conselho Regional de Odontologia).
Como essência: "Visam atender os anseios de todos os colegas de profissão, abordando e discutindo pautas de melhorias para o segmento odontológico em todas as esferas. O nome Da Boca pra Dentro traz o conceito de falar, mas com trocadilho para abranger o universo do dentista, que não fala da boca pra fora como no bordão popular, e busca o resgate da valorização da odontologia e do amor à profissão".
Além da proposta do diálogo sobre os planos odontológicos, o grupo também propõe uma aproximação com as universidades e com os recém-formados, por meio de um projeto que defende a isenção da taxa de registro no 1º ano de formação do profissional no Conselho Regional de Odontologia e, progressivamente, haveria o reajuste do valor até chegar à taxa integral. O grupo acredita que é uma forma de contribuir para o desenvolvimento do dentista e de acolhê-lo de fato na organização.
> Essas e outras propostas podem ser vistas no site Da Boca pra Dentro
