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Cláudio Alcântara

claudioalcantaravr@hotmail.com

Memória Preservada

Regina Vilarinhos destaca o bem que um simples texto pode fazer ao mundo

Nova acadêmica ocupou a cadeira 4, que é (em memória) da poetisa Maria José Bulhões Maldonado

Geral  –  25/11/2012 18:08

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(Foto: Divulgação)

Regina Vilarinhos falou sobre imortalidade

e lembrou que estamos todos

conectados numa grande aldeia

Um dos pontos altos da noite de posse dos sete novos acadêmicos foi o discurso de Regina Vilarinhos, que ocupou a cadeira 4, que é (em memória) da poetisa Maria José Bulhões Maldonado. Regina destacou o bem que um simples texto pode fazer ao mundo.

O discurso de Regina Vilarinhos

Saudação às autoridades constituídas na mesa principal

Caros Confrades e Confreiras da Academia Voltarredondense de Letras

Caros Acadêmicos que comigo tomam posse: Giovana Damaceno, Mario Carneiro, Renato Barozzi, Tarcísio Cavaliere Júnior, Thiago Ferreira e Vicente Melo, que pela grandeza de seus corações, me deram a honra de representá-los nesta solenidade. Missão difícil, em função de seus brilhantes currículos apresentados ao longo dessa cerimônia.

Familiares, Amigos, escritores e artistas aqui presentes

Senhoras e senhores

“Para viver construindo
me dispo de farrapos de ontens.
Preparo os pés para outros caminhos
e os olhos para novas paisagens.”

(Maria José Bulhões Maldonado)

A cadeira 4, que hoje eu recebo em honraria, foi ocupada pela poetisa Maria José Bulhões Maldonado. Para ela, a poesia tinha uma das mais nobres missões: distribuir o amor, a fraternidade e a liberdade para todos os homens. E despindo-me de meus ontens, como em seus versos, me apresento agora à sociedade e aos confrades, em minha investida nesta Academia.

Quem fala neste momento é a emoção. E por causa dela, espero contar com a compreensão e generosidade de vocês, os amigos queridos que nos prestigiam nesta significativa homenagem que recebemos, talvez a mais significativa ao longo de nossas vidas.

Inicialmente, quero saudar nossos patronos que dão o nome às cadeiras que vamos ocupar, mercê da contribuição que deram as letras, a cultura e as artes, em nossa cidade.

Assim, ao trovador Pedro Viana, cadeira 10, a ser ocupada pela jornalista e cronista Giovana Damaceno; a Antonieta Barreira Cravo , cadeira 21, a ser ocupada pelo professor e médico Mario Carneiro; ao historiador Alkindar Candido da Costa, cadeira 8, a ser ocupada pelo historiador Renato Barozzi; a Elizabeth Mathias de Araújo, cadeira 23, que será ocupada por Tarcísio Cavaliere, poeta e romancista; ao professor Nestor Dockorn, cadeira 19, que será entregue ao professor Thiago Ferreira; e ao poeta Jose Luiz de Oliveira, cadeira 20, que terá o jornalista Vicente Melo em sua ocupação, a gratidão a sua contribuição na formação da cultura literária em nossa cidade.

Prestamos nossa homenagem, através do patrono da cadeira que ocuparei, a 04, que leva o nome da poetisa Maria José Bulhões Maldonado, uma amiga de quem tenho guardadas as mais doces lembranças. A leitura de sua obra faz da alma pássaro, nos põe em comunhão na sua luta pela liberdade dos povos; é compartilhar do bálsamo da amizade e do afeto maior. Maria José, nas palavras da amiga e poetisa Dora de Araújo “sabe saciar a necessidade mais profunda da alma humana: a necessidade do amor.”

É ele que transbordava de seus gestos, quando estive em sua companhia em várias ocasiões. Uma de suas paixões era o Brasil, que a recebeu em 1975, e já em 77, fixou residência em Volta Redonda, onde editou “Dias habitados”, “Perspectivas de Pássaro, “Navegante da palavra” e, mais recente, em 2008, “Amor Mundi”, uma coletânea organizada pelo filho, Carlos Fernando. Faleceu em 2010, deixando nossa cidade coberta por suas asas de paz e de seu coração repleto de amor mundi. Obrigada, poetisa, pela amizade, pela honra de estar aqui hoje e por sentir seu braço a conduzir os meus nesta e em todas as noites e dias em que estarei junto à Academia Voltarredondense de Letras.

Nossa gratidão vai inicialmente para nossos padrinhos. Eles enxergaram em nós o que Goethe viu em alguns de seus discípulos, quando disse: “vá até onde puder ver; quando lá chegar poderá ver ainda mais longe”. Nossos paraninfos, com amizade e generosidade viram nossas realizações no ambiente cultural em nosso município e, por que não, também nos arredores. E com base nelas acreditaram em nossa capacidade de colaborar para o progresso da AVL.

Recebemos com humildade essa tão significativa e honrosa indicação, mas iremos seguir o ensinamento de Aristóteles quando disse “a grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las”. Para merecê-la, nosso objetivo será juntar nossas potencialidades físicas e mentais à dos membros que compõem a AVL, para que ela se destaque e se projete cada vez mais, no cenário local e estadual. Gratidão pelo convite e nossa entrada na Academia.

Gratidão ao meu pai que, de certo em outro plano, se alegra por mais essa conquista, consciente que contribuiu para ela junto com minha mãe, ao moldarem meu caráter e minha personalidade, assim como a de todos meus irmãos, com o amor e a honra, fazendo de todos seus filhos pessoas de bem e do bem. Mais ainda, unido com minha irmã, Cecília, da qual posso vislumbrar o sorriso de orgulho e felicidade por este momento tão especial em minha vida.

Com certeza, esses são os sentimentos de todos os pais e familiares dos novos acadêmicos Giovana, Mario, Renato, Thiago, Tarcisio e Vicente: a alegria de presenciar o reconhecimento por uma trajetória que, acima de tudo, é pontuada por levar ao outro o descanso e a paz do universo da leitura, seja da poesia, do conto ou do romance.

A maior parceira que pude encontrar nessa travessia é minha filha, Ludmila, que é a expressão do companheirismo, compreensão e amor. E, junto a todos os empossados nessa noite, que seus companheiros, maridos e esposas, filhos e filhas, sintam-se homenageados, com os nossos aplausos calorosos.

Aos amigos, parentes e, no meu caso, aos companheiros do Poesia em Volta e da Toca do Arigó, a gratidão por nos aceitarem como somos, perdoando nossos defeitos e vivificando as qualidades que acreditam possuirmos. Vocês partilham e impulsionam as potencialidades de nossos escritos, juntam-se aos sonhos tantos que possuímos de escrever cada vez mais e melhor, no intuito de contribuir para o crescimento de nossos leitores. Nossas almas se rejuvenescem com o apoio de cada um de vocês. Juntam-se aos nossos leitores que, mesmo não os conhecendo todos, sabemos que nunca deixaram de nos inspirar nos momentos de desânimo, diante da folha em branco, quando o poema/texto se interrompe entre a mente e as mãos.

Diante de nós, agora se apresenta a imortalidade. A preservação da memória de nossos textos se fortalece na honraria de sermos imortais. Ela não nos faz melhores.

Pelo contrário, nos impõe a responsabilidade de colaborar cada vez mais com o crescimento de todos que nos leem, que dão asas às suas fantasias, seus objetivos, sonhos, enfim, que saciam sua mente na verdadeira literatura, “aquela que é uma fonte inesgotável da razão, alimento para a alma, estímulo para o cérebro”, nas palavras do confrade Djalma Augusto.

Essa denominação causa espanto, notoriedade, admiração. O homem busca a imortalidade como um tesouro, uma conquista para o século XXI. Desde o investimento em alta tecnologia até mesmo ao propósito de se imortalizar ciberneticamente, é o sonho da humanidade viver para sempre. E um pequenino ser, de poucos milímetros e quase transparente, uma medusa raríssima, é capaz de enganar a morte, quando depois de atingir sua maturidade sexual, reverte seu estado para uma nova puberdade, o Turrito.

A natureza nos ensina sempre. Não é preciso buscar a tecnologia, viajar para outros mundos. O que precisamos está bem próximo de nós: a amizade, o afeto dos nossos parentes, o bem que podemos fazer ao mundo, através de um simples texto. O reconhecimento de nossa comunidade intelectual, que hoje nos dá um presente, nos sirva de norte para que possamos retribuir a esta mesma comunidade com a boa leitura de nossos escritos.

Fui aluna do professor Mario Carneiro, paciente do Tarcísio, tenho em Giovana uma amiga afetuosa, e Vicente Melo é amigo de minha família desde minha infância. Os laços entre nós já são anteriores a este momento. Que nossa noite seja sempre lembrada como o momento em que descobrimos que estamos todos conectados numa grande aldeia. Pertencemo-nos e precisamos fortalecer nossos laços e expandi-los, pois é assim que devemos agir, sempre.

Por Cláudio Alcântara  –  claudioalcantaravr@hotmail.com

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