
(Fotos: Divulgação)
"O alternativo é o que está acontecendo agora; desacreditado,
sim; é novo e todos os antigos têm medo do novo"
"Meu trabalho é feito para ser sentido... Percebido pela alma". Assim Alexandre Pinheiro dos Santos, 56, define a exposição "O caminhante", que o público poderá conferir na Galeria Cílio Bastos - Espaço Cultural Gacemss (Grêmio Artístico e Cultural Edmundo de Macedo Soares e Silva), em Volta Redonda. A abertura será em 6 de novembro, às 20h.
O artista nasceu em Cachoeiro de Itapemirim (ES). Separado e pai de dois filhos (um casal), conta que, quando pequeno, passavam as férias escolares toda em uma fazenda, onde à noite desenhavam muito, toda a família. Daí veio o interesse pelas artes e em seguida o da marcenaria, quando faziam os próprios brinquedos. Casou e isso ficou meio esquecido, estando agora mais presente em seu dia a dia, no atelier/oficina que tem (Rua Nilo Peçanha, 29, Centro, Barra Mansa).
Alexandre Pinheiro apresentou um trabalho seu pela primeira vez na Sobeu (hoje, UBM - Centro Universitário de Barra Mansa), uma exposição que inaugurava o salão de artes de lá, mais ou menos por volta de 1978, quando conheceu o saudoso Clécio Penedo. Ficou muito tempo parado, "incubando", como ele fala, e teve outro trabalho apresentado ano retrasado pela TV Rio Sul, na galeria que eles promovem todo ano. "O caminhante" é sua primeira exposição individual.
Veja um pouco sobre a arte de Alexandre Pinheiro
Confira a entrevista com o artista plástico
Como e quando surgiu a ideia dessa exposição? Haverá algo especial na abertura?
A exposição é quase uma conquista, fui amadurecendo a ideia aos poucos e acabei tomando a liberdade de procurar o Gacemss, apresentando meu trabalho e por fim tendo minha mostra marcada para 6 de novembro. Quanto à abertura, meu filho está amadurecendo a ideia de uma produtora e é ela que está encarregada dessa parte, mas combinamos uma poesia para mostrar o início da exposição.
Qual o conceito? Vai além de uma exposição "tradicional"? É uma instalação?
O conceito fundamentou-se na obra do homem sobre a natureza, boas, ruins, sonhadoras, empreendedoras... Enfim, um ponto de vista. Estou montando uma pequena instalação e uma meia ideia para outra, mas não sei se vai dar tempo.

Quantas obras compõem a exposição, quais os tamanhos, os materiais utilizados, as técnicas?
A quantidade de quadros ainda é uma incógnita (risos), mas estão em fase de acabamento 11 quadros, ainda faltam duas telas e a instalação por fazer... Vai dar tempo. As técnicas são diversas, mas a base de meu trabalho é o MDF, papelão prensado, é algo meios alternativo. Vale a pena conferir!
Como foi o processo de criação, em quanto tempo os trabalhos ficaram prontos?
O processo começou a fervilhar em maio, quando fui informado da exposição pelo Gacemss, mudou por duas vezes e por fim fundamentou-se na natureza. Os trabalhos ainda não estão prontos, mas estou dedicando 45 dias a eles.
Que análise você faz do atual cenário das artes plásticas em Volta Redonda?
Olha, é minha primeira exposição individual, não me caberia uma análise, conheço pouco esse cenário de arte de Volta Redonda. Tenho amigos artistas, mas acho que, se a pessoa quiser, e o talento existir mesmo, ela consegue ir se sobressaindo e ocupando um espaço. Começamos por Volta Redonda, que não é uma cidade onde as pessoas valorizam os aristas e suas obras, sou de Barra Manas, aqui então nem sei.
Sua arte tem como base a emoção, a técnica, a mensagem, ou tudo junto e misturado?
Seria uma mistura, sem técnica, voltada para a emoção da mensagem, sou romântico por natureza e desde pequeno gosto de traços que equilibram e são belos.... Meu trabalho é feito para ser sentido... Percebido pela alma.

O artista plástico é essencialmente estético em seu trabalho ou mantém um diálogo com o social e o político?
O artista plástico é essencialmente um ser social, só existe enquanto ser social... Minha irmã me diz sempre o seguinte: - Para se tornar artista conheça pessoas certas; aí você nem precisaria ser estético.
Você vê renovação nos artistas plásticos da região? Estão surgindo novos talentos ou estamos meio estagnados nesse processo?
Não saberia responder, eu sou algo novo, acredito que se aconteceu comigo pode acontecer com outros, mas estamos pautados ainda no antigo... O novo ainda é visto aqui na região com olhos desacreditados pelos mais antigos.
Existe espaço para todo tipo de artes plásticas na região? Ou os ditos "alternativos" ainda enfrentam preconceitos e barreiras no mercado?
Olha, o alternativo é o que está acontecendo agora; desacreditado, sim; é novo e todos os antigos têm medo do novo. Meu trabalho é todo ele alternativo, sou uma chance, já fui olhado de jeito atravessado, criticado, mas vamos mostrar que não... Meu trabalho é belo e, acima de tudo, equilibrado.
Projetos futuros? O que vem por aí?
Projetos futuros... Que tal darmos sentido para arte além de ser somente estética... Entramos na onda... Vamos até onde ela nos levar!
Serviço

> O caminhante - De Alexandre Pinheiro. Abertura: 6 de novembro, às 20h. Visitação: até 22 de novembro, das 10 às 18h, na Galeria de Arte Cílio Bastos - Espaço Cultural Gacemss. Rua 14, número 22, Vila Santa Cecília, Volta Redonda.

