
(Fotos: Divulgação)
Temáticas: Renna gosta de trabalhar com temas; um tema recorrente em suas obras é a liberdade
Nilton Renna faz pop art, mas com grande influência do surrealismo. Suas obras são muito autobiográficas, bastante pessoais. Começou a pintar aos 11 anos, por influência da avó Lydia de Jesus. Ela fazia aulas de pintura na época e ele se interessou. Ficava desenhando na casa dela enquanto Lydia pintava seus quadros e dava dicas para ele. O envolvimento mesmo com arte foi em 2001, quando iniciou sua participação em eventos e coletivas de arte, inclusive, como curador. Desde então, participou de diversas mostras, incluindo duas individuais.
- Há muito de mim mesmo nas minhas obras, da minha alma, dos meus sentimentos mais profundos. Isso se reflete também nos materiais que utilizo. Gosto muito de experimentar materiais, de pegar coisas no lixo, reciclar, usar objetos do cotidiano, tintas diferentes. Por aí vai. Como trabalho muito com instalações, essa pescaria no lixo e em depósitos se torna totalmente obrigatória e uma experiência extraordinária de autoconhecimento e conhecimento dos outros. Também trabalho muito com colagens, textos e fotografias. Eles permitem passar uma mensagem além das tintas e das telas - explica.
Veja um vídeo de Nilton Renna
Confira a entrevista com Nilton Renna

"Há muito de mim mesmo nas minhas obras, da
minha alma, dos meus sentimentos mais profundos"
Você tem outra profissão paralela, além da arte?É difícil viver da arte aqui na região? Em que está trabalhando atualmente?
Sou formado em fisioterapia. Não é uma profissão que tenha muito a ver com arte (risos). Não trabalho na profissão por ter um mercado muito defasado e de difícil atuação. Em relação ao trabalho com arte, acredito que Volta Redonda é uma cidade com um potencial incrível. Temos grandes artistas aqui. No entanto, encontramos cada vez mais dificuldades e barreiras de mostrar nosso trabalho. Isso se dá principalmente pelo baixo investimento dos governos e pela falta de conhecimento do público em geral sobre o que é arte e o que ela pode proporcionar. As pessoas gostam de arte quando a vêem. O que elas precisam é de mais estímulo, o que não ocorre. No momento estou parado, à procura de um trabalho que possa me remunerar, porque arte, infelizmente, não enche barriga.
De todos os gêneros e estilos na arte, com qual você se identifica mais?
Gosto muito do impressionismo, principalmente Vicent Van Gogh, que é meu ídolo maior. No entanto, acredito que minha arte esteja mais ligada ao surrealismo, expressionismo abstrato e principalmente ao pop art. Esse último é com certeza o estilo mais presente em minhas obras. Tenho influência de artistas como Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Keith Haring e outros artistas pop. Na minha arte também estão as performances. Elas procedem das minhas experiências com teatro, que adoro. Por isso, também tenho influências do grupo Fluxus e de muitos artistas performáticos, como Yoko Ono e Nam June Paik.
Como é o seu processo criativo? Você depende de inspiração para criar suas obras? Tem algum ritual para trabalhar?
Minha cabeça é um verdadeiro turbilhão de ideias, o que chamam de brain storm. Quando tenho essas ideias, imediatamente começo a anotar todas e depois passo a analisar quais são mais viáveis no momento. A inspiração vem a todo momento, vendo notícias, acontecimentos, nas cenas do cotidiano. A questão está em observar. Um bom artista é um bom observador, como me disse certa vez um professor de teatro que eu tive. Quanto a rituais de trabalho, posso citar gostar de trabalhar à noite. A noite é mais silenciosa, a noite é mais convidativa para viajar no eu.
E temáticas? Você explora temas específicos em séries de suas criações? Ou trabalha com temas variados? Quais?
Posso dizer que gosto de trabalhar com temas. Um tema recorrente em minhas obras, por exemplo, é a liberdade. Inclusive, foi o tema central e o título (em esperanto) da minha última individual, "Libereco", que aconteceu no Espaço das Artes Zélia Arbex em abril passado. Esse é um tema que gosto de explorar, pois eu me sinto de certa forma meio reprimido na sociedade. A violência também está sempre presente, o que gera muitas críticas negativas ao meu trabalho. Mas não ligo. Adoro polêmicas.
Que análise você faz do cenário das artes plásticas na região, principalmente em Volta Redonda? Você acompanha os novos talentos?
Analiso, já disse, como um grande celeiro de grandes artistas. Vejo essas vocações sendo totalmente negligenciadas pelo poder público e fico muito preocupado. Esses artistas merecem mais destaque e oportunidades, pois são estupendos. Sou um rato de vernissage, quem vai em alguma já me conhece, pois sempre me encontra lá. Conheço jovens com verdadeiros dons que estão aí fazendo arte. Crianças, adolescentes, idosos. Gente que faz arte de verdade.
É difícil para o artista conseguir expor em uma galeria em Volta Redonda? Você acha que temos poucas? Qual seria o caminho para abrir esse espaço de exposições?
Sim, muito difícil. As galerias que temos são boas, mas são espaços que ainda carecem de mais atenção. As seleções para exposições ainda são muito mal divulgadas e em alguns casos pouco justas. Com toda certeza é preciso ter mais galerias em Volta Redonda. Mas acredito que é preciso abrir galerias particulares, sem vínculos com governos ou associações. Galerias particulares são mais democráticas, mais livres de pensamentos e podem possibilitar a mais e mais artistas se expressarem. Mas eu digo galerias e não lojas de quadro, como vemos muito aqui na cidade.
Quem te influenciou no seu trabalho artístico? Quais os artistas plásticos que mais tocam a sua emoção?
Hoje, no meu estilo, posso dizer que uma grande influência vem do também artista da cidade e meu amigo Zaqueu Pedroza. Ele me ajudou a encontrar um espaço, um caminho nas artes que eu não conseguia compreender. Como já disse, o artista que mais me emociona, que mais mexe comigo é Van Gogh. Ele é único, extraordinário. Em Volta Redonda gosto muito dos trabalhos da Ana De Nigris.
O estudo é importante ou fundamental para o artista plástico? Ser autodidata também é um bom caminho?
Acho que os dois. O estudo é importante porque nos ajuda a conhecer técnicas diferentes, conhecer artistas e escolas importantes. No entanto, deixar sua mente falar mais alto na frente de uma tela é a maior escola que se pode ter.
Gostou da participação na "Quinta Cult"? Acha uma boa ideia as boates abrirem espaço para os artistas plásticos em suas festas semanais, como fazem com os cantores e bandas?
Achei maravilhoso! Foi uma experiência fantástica. Poder unir a arte com a noite é um ato de coragem e ousadia. E por isso mesmo é maravilhoso! (risos). Com certeza outras boates e bares deveriam fazer isso, abrindo também espaço para teatro, dança e performances (como a que eu fiz na "Quinta Cult"). Seria maravilhoso repetir a dose.
Projetos. O que vem por aí?
Estou querendo levar minha exposição "Libereco" para Angra dos Reis, na galeria da Casa de Cultura da cidade. As negociações estão em andamento. Também quero propor uma nova individual para a Galeria Cílio Bastos, no Gacemss (Grêmio Artístico e Cultural Edmundo de Macedo Soares e Silva), em Volta Redonda, ano que vem. Vou esperar abrirem as inscrições. Tenho boas ideias que quero pôr em prática. Vamos ver o que vai dar (risos).
______________________________________________________
Serviço
> Nilton Renna - Contatos profissionais: (24) 9-9940-5549, Facebook, página do Facebook (Nilton Renna - Artista Plástico), Instagram (Nilton Renna), Twitter (Nilton Renna) e e-mail (niltonrenna@yahoo.com.br).
Edição impressa


