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Olhar Pop

Cláudio Alcântara

claudioalcantaravr@hotmail.com

Esquentando os Tamborins

Dois talentos locais na comissão de frente da Viradouro

Léo Fagundes e Levy Leal se preparam para o desfile na escola de samba do Rio de Janeiro

Indicados ao Prêmio OLHO VIVO  –  13/01/2013 16:13

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(Fotos: Divulgação/Marcelo OReilly)

Léo, Levy e Luciana em ritmo de Carnaval 2013

 

Dois talentos da região vão ajudar a abrilhantar o desfile da Viradouro no Carnaval deste ano: Léo Fagundes e Levy Leal. O primeiro tem 36 anos e começou no teatro aos 15, em Volta Redonda. Fez vários trabalhos na cidade, entre eles, "Pinoquio", "Quem está batendo" e "La bayadére". Ele é formado pela escola do ator cômico de Curitiba e participou de cursos livres de teatro como: direção teatral, com Domingos de Oliveira; interpretação, com Camila Amado; laboratório de pesquisa, com Renato Borghi; pesquisa de cenas, com Zé Celso; cenas com Amilton Vaz Pereira; desconstrução do ator, com Antunes Filho; linguagem, com Antonio Abujamra; laboratório com Moacir Chaves; e corpo/voz/dança contemporânea, na Angel Viana. Entre seus principais trabalhos como ator estão "Boca de ouro", "Sollnes, o construtor", "Beijo no asfalto", "Traíção", "Deflora-te" e "Loucas memórias em um diário". 

Levy começou no balé, aos 8 anos, na Cia. Ballet de Câmara de Barra Mansa, com o coreógrafo Antonio Bento, e dançou espetáculos pela Cia. durante muito tempo. Formado em educação física pela Universidade de Barra Mansa e bailarino da Spinelli Escola de Dança no Rio de Janeiro, fez trabalhos, como a Parada da Disney em algumas capitais do Brasil, a ópera "Alabe" de Jerusalem, coreografado por Fabio de Mello, dançado no Theatro Municipal e no Vivo Rio. Também participou do espetáculo "Dançando Noel", pela Cia. Jovem Spinelli, que teve o prazer de ser o protagonista e poder levar a história de Noel Rosa para vários lugares do Rio de Janeiro. Na Globo, dançou no "Zorra Total", "Casseta & Planeta", na vinheta do fim de ano e no "Criança Esperança", que tive a honra de ser convidado por Junior Scapin (assistente de coreografia) para fazer parte do balé. Em Lisboa, Portugal, fez trabalhos com balé moderno no Rossio e no Bairro Alto, pela Cia. Espazio, durante dois meses. Também mostrou seu talento nas comissões de frente da União da Ilha e Rocinha, coreografadas por Sergio Lobato, do Theatro Municipal, e Viradouro, que foi sua escola de estreia, antes coreografada por Fábio de Mello. 

Veja o compacto do ensaio técnico Viradouro

Confira as entrevistas com Léo e Levy 

Como surgiu o convite para integrar a comissão de frente da Viradouro? 

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Léo Fagundes tem 36 anos e começou no teatro aos 15, em Volta Redonda

Léo: De um amigo, Márcio Brito, que também faz parte da comissão. Disse que a coreógrafa estava pedindo para indicações pessoas para fazer testes, e acabei indo e passei. 

Levy: Conheço o trabalho da Luciana Yegros e já a respeitava como coreógrafa com trabalhos maravilhosas dentro e fora do Carnaval. Surgiu a oportunidade numa audição. Fiz o teste e aqui estou. 

O que especificamente vocês farão na comissão de frente? 

Léo: Isso por enquanto é segredo, só dia 8 de fevereiro vocês vão saber. Mas posso falar do meu personagem especificamente, que representa o tempo. Através desse personagem falaremos da memória do Salgueiro, nosso grande homenageado. Viajando pelo passado, relembrando grandes carnavais, e também passando pelo presente e futuro. Será uma junção das duas escolas. Como se a Viradouro estivesse recebendo o Salgueiro e suas grandes histórias. 

Levy: Esse é um segredo que no dia 8 de fevereiro farão vocês se encantarem. 

É a primeira experiência de vocês nesse tipo de arte? 

Léo: É a minha primeira vez na Sapucaí, nunca tinha desfilado na minha vida, brinco que sou literalmente virgem no Carnaval. Mas está sendo uma experiência maravilhosa pra mim. 

Levy: Não, é minha quarta comissão de frente. Segundo ano pela Viradouro, que é minha escola de coração. 

Qual (ou quais) a(s) diferença(s) básica(s) entre esse tipo de arte e as outras que vocês estão acostumados a experimentar? 

Léo: Como sou ator, pra mim, a primeira coisa diferente do universo que conheço no teatro é a resistência, preparação física. Você tem que virar quase um atleta. E a responsabilidade de não pode errar, porque a sua função é ser o abre alas de uma escola, cartão-postal de uma comunidade. Iniciar o desfile de uma escola é uma responsabilidade muito grande, você ainda é pontuado por isso.

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Levy Leal começou no balé, aos 8 anos, na Cia. Ballet de Câmara de Barra Mansa

Levy: Sou bailarino, desde os 8 anos dançando em palcos. "Quebra Nozes", "Coppéllia", "Dom Quixote", entre outros sempre fizeram parte da minha vida. Emoção sentida sempre quando subia pra dançar. Na avenida, a emoção é diferente. Emoção por estar ali no maior espetáculo do mundo, emoção por defender uma escola de samba, saber que a comunidade confia no trabalho em conjunto. O ritmo é o mesmo, ensaios longos, erros, acertos, mas a realização de entrar na avenida, ver e ouvir os fogos, é uma emoção sem descrição. 

O OLHO VIVO bateu um papo com a coreógrafa Luciana Yegros 

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"O que tenho em mente sempre é que meu trabalho está a serviço de uma escola"

O que o público pode esperar da comissão de frente da Viradouro este ano? 

Este é um ano especial pra mim, pois estarei fazendo dez anos assinando sozinha um trabalho de comissão de frente, e minha primeira experiência em comissão foi justamente no Salgueiro, o nosso homenageado no desfile. Será uma passagem bastante significativa e espero poder emocionar quem for assistir ao nosso desfile na avenida. 

Quando começaram os trabalhos? E como está o ritmo atualmente? 

Iniciamos em novembro e já com um ritmo intenso. Temos ensaios pelo menos três vezes na semana. E como nosso trabalho tem uma carga física e emocional, temos um preparador físico, Walace Rocha, que é meu assistente. Além da parte física, tenho na minha equipe outro assistente que acumula a função de componente, o Milton Ciccone. E também um arquiteto (Philippe Nunes) e um engenheiro (Luciano Tinoco), que cuidam das soluções de adereços e efeitos, e uma nutricionista (Ilma Russo). Todos esses profissionais, dando um suporte para meus componentes estarem bem preparados para o dia do desfile. 

O que você pode adiantar sobre o trabalho que será mostrado na avenida? 

Teremos a personificação do Salgueiro e da Viradouro, iremos falar das semelhanças entre as escolas, as mesmas cores, mesmo padroeiro, que é o Xangô, e tudo isso será comandado pelo Tempo, personagem que o ator Léo Fagundes está interpretando de forma brilhante. Como o Salgueiro foi a primeira escola a retratar a história do negro na avenida, teremos essa africanidade na comissão. 

Como você define o papel da comissão no contexto da escola? 

A comissão de frente é o cartão postal de uma escola! Temos que saudar e contagiar o público, pois dessa forma criamos uma ótima impressão do restante do desfile. Um desfile que tem uma comissão que levanta a arquibancada cria uma atmosfera positiva que contagia os outros segmentos. 

O que mudou em geral, nos trabalhos das comissões de frente das escolas nos últimos anos? 

Hoje em dia toda comissão de frente tem um profissional da área de dança ou teatro na elaboração do trabalho. A expectativa gerada em torno de como será a comissão de frente de uma escola é algo que aconteceu com o aprimoramento e criatividade desses profissionais. O que tenho em mente sempre é que meu trabalho está a serviço de uma escola, que tem um enredo, que foi elaborado por um carnavalesco, preciso estar em comunhão com esses segmentos. E um enorme respeito pelo público, este, sim, a grande estrela de um desfile!

Por Cláudio Alcântara  –  claudioalcantaravr@hotmail.com

1 Comentário

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  • Albinno

    Parabéns Levy. Sucesso e saudades.