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Filme com trilha de Ricardo Yabrudi é premiado em festival do Paulo Vilhena

Curta-metragem ganhou na categoria melhor roteiro no Filma em Casa; ousado, remonta à época do cinema mudo

Cena alternativa  –  26/09/2020 13:32

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(Foto: Reprodução/YouTube)

“Só o amor cai do céu”, letra e música de Yabrudi, encerra o curta “Isolados em nós”

 

Volta Redonda está representada no filme “Isolados em nós”, premiado como melhor roteiro no Festival Filma em Casa, promovido pelo ator Paulo Vilhena. A trilha original, “Só o amor cai do céu”, é de Ricardo Yabrudi, músico, arquiteto e colunista do OLHO VIVO. A canção ganhou interpretação de Gabi Borba (voz) e Alexandre Neves (arranjo e instrumental). A direção/roteiro é de Joel Tavares, com edição de Matheus Felipe. No elenco estão Gabi Borba, Joel Tavares e Matheus Felipe.

Assista ao filme "Isolados em nós"

O julgamento da categoria de melhor roteiro coube à escritora e roteirista de novelas da Rede Globo (ganhadora do Emmy Internacional de melhor novela em 2014, por “Joia Rara”, e indicada também neste ano - “Órfãos da Terra”), Thelma Guedes. Em sua opinião, o primeiro lugar para o curta “Isolados em nós” se deu pela ousadia.

Confira o que Thelma Guedes falou sobre o filme

“Isolados em nós” é uma produção em preto e branco que remonta à época do cinema mudo. Sem som em boa parte do filme, o curta se expressa na divergência e impaciência dos moradores uns com os outros em um prédio de apartamentos, por estarem isolados neles mesmos, daí o título: “Isolados em nós”. Descontentes com a vida enclausurada, dois vizinhos se irritam um com o outro, enquanto uma outra vizinha se arruma e se veste para cantar na varanda e anunciar a paz para a humanidade, desesperada e acuada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Como aconteceu na Europa, vários músicos se apresentaram na varanda de seus prédios para acalmar e fazer renascer a vontade de vida.

No curta-metragem, Gabi Borba se paramenta, se veste como se fosse entrar num templo e profetizar, para que dias melhores venham e solidifiquem o amor entre os homens. No trecho final do filme, ela se dirige à varanda e canta “Só o amor cai do céu” (letra e música de Ricardo Yabrudi). Foi uma encomenda de Gabi ao músico. Um pedido irrecusável.

- Qual uma pitonisa délfica, ela canta a canção na varanda, como comentou Thelma Guedes: “E aí depois vem aquela música linda, cantada lindamente com uma letra muito bonita que tem tudo a ver com o filme”. Gabi, a musa da varanda, quer salvar a humanidade do desespero e oferecer entendimento do que se passa naquele momento. Deseja que os homens entendam o devir, a vida, com o seu trágico. Assim, no entendimento de uma tragédia, que assolou o mundo, aceita-se o destino na figura do amor, da vida em si, do amor fati que Nietzsche preconizou. É uma mensagem dionisíaca e salvadora em resposta ao trágico da pandemia - explica Yabrudi, acrescentando:

- Da mesma maneira que as peças da dramaturgia grega, o curta ousou sem o usual diálogo, usar a música na voz de um corifeu (Gabi) como um comentário final de encerramento, como que cantado também por um coro, Gabi e a plateia (os vizinhos): é o desfecho de um drama vivido por todos no mundo. A música é salvadora, é divina e metafísica: ela acalma, faz compreender. No êxtase musical é que se entende o trágico e o valor da vida com seus reveses, como afirmou Nietzsche, em “O nascimento da tragédia”. Esse mesmo autor alemão acreditava nas palavras de seu antecessor, que foi Schopenhauer, quando afirmou: “A música é a própria vontade”.

O que é o Festival Filma em Casa

O ator Paulo Vilhena criou, em parceria com a jornalista Mari Vilhena o festival de audiovisual Filma em Casa. A ideia nasceu a partir da inquietação gerada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Mais de 100 profissionais e amadores do audiovisual de todo o Brasil se envolveram na criação de filmes de até cinco minutos, realizados em casa, a partir do tema “O som da vizinhança”. O júri foi formado pela dramaturga e roteirista Thelma Guedes, a cineasta Laís Bodanzky, o diretor Rogério Gomes (Papinha), a professora e roteirista Carolina Amaral, o iluminador e fotógrafo Luciano Xavier e o estilista Walério Araújo.

> Para assistir aos filmes do Festival Filma em Casa, clique aqui.

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Por Redação do OLHO VIVO  –  contato@olhovivoca.com.br

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