(Fotos: Divulgação)
“Precisamos retomar a alegria de viver e perceber que este planeta - Gaia - é tão vivo como nós e que nos supre, se soubermos e deixarmos de sermos ávidos por ter, sem sermos!”
Gazy Andraus é o 145ª convidado na série de entrevistas “Opinando e Transformando”. Objetivo é formar um mosaico com o que cada um pensa desse universo multifacetado. Uma oportunidade para os internautas conhecerem um pouco mais sobre os profissionais que, de alguma forma, vivem para a arte/cultura.
. Nome: Gazy Andraus
. Breve biografia: Fui professor substituto do IFSP, campus de São José do Rio Preto, na disciplina de Arte, de fevereiro 2025 a março 2026. Tenho pós-doutorado pelo PPGACV da FAV-UFG (ex-Bolsista Capes-PNPD), Doutor pela ECA-USP, Mestre em Artes Visuais pela Unesp, Pesquisador e integrante do Observatório de HQ da USP, integrante do grupo de pesquisa Cria_Ciber (FAV/UFG), Aspas - Associação dos Pesquisadores em Arte Sequencial e Poéticas Artísticas e Processos de Criação (FAV/UFG) e Diálogos em Educação Especial.
Também publico artigos e textos no meio acadêmico e em livros acerca das Histórias em Quadrinhos (HQs) e Fanzines, bem como sou autor/escritor de HQs e Fanzines na temática poético-fantástico-filosófica e tenho um canal sobre zines e afins, o GaZine.
Confira a entrevista com Gazy Andraus
. Em sua opinião, o que é cultura de paz?
É algo que se coaduna com princípios éticos e morais atrelados ao desenvolvimento da educação humana. Em que a liberdade de cada um se limita à de outrem, na medida em que o convívio deva ser harmônico e que cada um não se arrogue superior ao outro e nem cause males físicos e/ou psíquicos. Também é necessário que haja o mínimo para a vida: habitação, alimentação, vestuário e troca de informações e conhecimento a que todos - desde o vizinho, aos cidadãos de uma cidade, de um estado e de um país comunguem em paz, sem violência. E isto deveria se estender a todos os países que deveriam se respeitar e se tolerar harmonicamente, salvo suas diferenças e idiossincrasias, respeitando-se.
. Como podemos difundir de forma coerente a paz neste vasto campo de transformação mental, intelectual e filosófica?
A educação deve ser gratuita e fortuita a todos pra que o trinômio da racionalidade, criatividade e espiritualidade (no sentido psicológico de uma busca interior de cada um) se equivalham e que estas sejam as metas de todos, e não apenas a objetivação do lucro para se obter bens - pois cada acúmulo de cada um, obriga o trabalho de outrem e o desgaste da natureza via matéria-prima a ser manufaturada. É uma questão de lógica, racionalidade e até de fraternidade amorosa com outrem e com a natureza, da qual faz parte a humanidade.
. Como você descreve a cultura de paz e sua influência ao longo da formação da sociedade brasileira/humanidade?
Ela veio em percalços e desequilíbrios entremeados a fases de reconhecimento de que o único caminho é a concretização do conhecimento conjugado com o humanismo criativo. Porém, para chegar a isso, tem havido digressões, lutas e falta de conhecimento que foi sendo trocado pela busca dos saberes (e muitas vezes, a todo o custo por causa do item “lucro”). Porém, a atualidade hodierna vem mostrando que, embora se saiba deste caminhar, ainda há muita discórdia e mazelas, muito disto agravado por nações que são governadas ainda por alguns seres humanos com mentalidades desportistas e egoísticas e/ou egocêntricas, infelizmente. E isto piora quando entremeadas a essas governanças, as tecnologias que se sofisticam vão ampliando seu poderio tecnológico bélico, reforçando o estigma da violência de um para outro, em escala mundial.
. A cultura e a educação libertam ou aprisionam os indivíduos?
Em tese, libertam. Mas se a educação é parcial, hegemônica e fraturada, pode desequilibrar e tornar pessoas alquebradas e que seguem cegamente sem muita reflexão. A racionalidade cartesiana não deveria ser a única como mais importante. Deveria haver equilíbrio entre ela, a arte e a criatividade.
O trabalho exaustivo de 8 horas diárias, de 5 a 6 dias por semana contribuí para o agravamento disso, pois mina a energia do cidadão que faz repetidamente uma mesma função e tem pouco tempo para discernimento (e até para cuidar de seu lar e família, e privado de lazer criativo).
. Comente sobre o espaço digital, destacando sua importância na difusão do despertar da humanidade.
Toda a tecnologia é um aprimoramento do ser humano, como McLuhan havia dito: o meio é a mensagem, e também a complementaridade do corpo humano: as rodas de um carro complementam as pernas e por aí vai. Teoricamente, a automação e a informática (que a engendra), por exemplo, contribuem para que o ser humano possa ter mais tempo para o ócio criativo, segundo buscava o sociólogo italiano Domenico De Masi. Porém, o espaço digital acabou por oprimir toda a humanidade, que acaba tendo que responder com muito mais pressa as demandas, e ao mesmo tempo suprir com suas telas (smartphones, tablets, etc.) o que deveria ser partilhado vivamente entre os seres sencientes, tornando-os cada vez mais solipsistas e egocentrados, exaurindo sua verve criativa e sentido fraternal.
. Qual mensagem você deixa para a humanidade?
Que possa entender que em cada um de nós existe uma mente que raciocina, mas que também cria e que quer compartilhar a beleza da vida e suas descobertas. Se isso é esquecido, o caminho para a solidão e para a escravidão servindo a desígnios de déspotas fica aberto como uma caixa de Pandora que traz os males para cada mente de cada um de nós, o que engendra, num efeito-borboleta, os males para todos e ao planeta. O efeito-borboleta é um conceito da teoria do caos em que um leve lufar das asas de um lepidóptero no Brasil pode causar um furacão do outro lado do mundo. Logo: se um humano esbofeteia outro, isto pode engendrar uma guerra mundial. O contrário também é válido: se uma pessoa oferece a mão como auxílio à outra, isso pode enaltecer os mais altos sentimentos fraternais à humanidade: o exemplo da “ahimsa” (não-violência) praticada por Gandhi que se espalhou por todo um país foi um exemplo dessa possibilidade).
Precisamos retomar a alegria de viver e perceber que este planeta - Gaia - é tão vivo como nós e que nos supre, se soubermos e deixarmos de sermos ávidos por ter, sem sermos!
. Eu costumo trazer conceitos assim em minhas HQs poéticas, fantástico-filosóficas, como a HQ: “O Sono da Emoção”, que busca este retorno do fraterno, da amizade. Tanto esta como algumas outras HQs minhas podem ser lidas no link a seguir (clique aqui), e esta HQ, em específico, neste zine.
. Clique e confira todas as entrevistas da série sobre Cultura "Opinando e Transformando"
.....................................................................................
Apoie o jornalismo cultural independente
Como apoiar
Para contribuir: Chave Pix 88836843700
O processo é simples e seguro.
A cultura agradece. O jornalismo independente também.

