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Olho Pop

Cláudio Alcântara

claudioalcantaravr@hotmail.com

Valorizando Talentos

Categoria Poeta: Vinicius, Monica e Naiade são finalistas

Júri analisará o material enviado pelos poetas mais votados; resultado só será revelado na noite da premiação

Votação técnica  –  23/07/2021 10:18

 

 

Décima quinta votação de 2021 fechada. Categoria Poeta do Prêmio OLHO VIVO - Tema Empatia. No total, 94 poetas foram indicados. Os três mais votados: Vinicius Brandão (24,43%); Monica Melanie (19,63%); e Naiade Rodrigues (17,58%).

A entidade beneficiada nesta edição é a Vila Vicentina Ano Bom (Barra Mansa), associação filantrópica, sem fins lucrativos, caritativa e de assistência social que atende 35 idosos (clique aqui e saiba como doar).

A premiação da edição 2021 será com a entrega de Troféus e/ou Placas. O EVENTO PODERÁ SER REALIZADO NOVAMENTE ONLINE, EM 21 DE FEVEREIRO DE 2022. EVENTO PRESENCIAL, TALVEZ, SÓ QUANDO A POPULAÇÃO ESTIVER IMUNIZADA COM AS DUAS DOSES DA VACINA CONTRA O NOVO CORONAVÍRUS (COVID-19).  

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Clique e veja o resultado completo da enquete  

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O material enviado pelos finalistas de cada categoria é analisado pelo júri técnico, formado por seis jurados de notório conhecimento artístico profissional, convidados pelo editor-chefe do portal, o jornalista Cláudio Alcântara. Todos os seis jurados votam em todas as categorias. Em caso de empate, o jurado especialista no segmento da respectiva categoria terá o voto de minerva. Se ele não quiser desempatar, ganha aquele que conseguiu a maior quantidade de votos na etapa popular.

Confira o material enviado pelos finalistas

> Vinicius Brandão (24,43%) - “Com uma trajetória estabelecida como poeta em Volta Redonda, venho me apresentando em saraus, cafés e eventos em toda a região. Minha poesia e estilo literário se tornaram conhecidos na cidade. Um poeta do detalhe, um amante da vida, do amor e da arte”.

Astronauta 

Eu  queria  ser  um  astronauta...
Quando era  pequeno eu queria voar
E voar o  mais  alto  onde  um menino  jamais  ousou chegar 

Com o pé aqui na Terra e todo o resto no luar
Eu cresci, assim de sonhos...
Sonhando que eu podia voar.  

Eu  sonhava  em  ir  para  lua...
Conhecer  uma  nova  civilização
Todos  os  dias  olhando  para  cima - “Será que lá tem um dragão?”
“Mas se eu fosse este  dragão?” - “Teria medo ou eu cativaria seu coração?” 

Ah como eu sonhava em  passar  os  fins  de  semana 
deitado  debaixo de alguma  árvore em Saturno.
Olhar seus  anéis  girando e girando ao  meu  redor
E  assim, de  repente, em  um ágil e súbito mergulho
Tudo fosse verdade para  mim e para os meus amigos de  viagem. 

Eu  queria  ser  astronauta e  então fugir da realidade.
Ser  o  que  eu  quisesse em meio a outra gravidade.
Agora,  eu poeta,  me  olho  lá  traz e entendo.
Sou feliz e ainda tenho tempo
Sou  pequeno mas sou batalhador...
Até forte sou.
E do espaço eu ja nao sinto falta,
Sou poeta sonhador, me faço grande
Sou astronauta. 

> Monica Melanie (19,63%) - “Sou poeta desde os 8 anos de idade, nesta idade já declamava poesia para os meus avós na sala. A poesia faz parte da minha trajetória. A minha escrita cresceu junto comigo. O amor pela arte me fez encontrar meu eu poético cada vez mais. Como atriz utilizo a poesia para expressar minhas emoções. Amo a arte”.

Oito Versos 

Não quero dizer nada.
porém já disse tudo.
Se estou certa ou errada.
Alguém pergunte ao mundo.
Se escuto, não entendo.
Se vejo, será que vi?
Se me falam, não compreendo.
Já não sei o que sentir. 

> Naiade Rodrigues (17,58%) - “Escrevo desde a infância, desde que descobri que letras dispersas, quando reunidas, eram capazes de construir ideias, erguer e destruir mundos inteiros. Durante a adolescência vendi zines e poesias nas ruas de Volta Redonda e Resende. Foi a maneira que encontrei de me aproximar das pessoas e tornar, de algum modo, meu trabalho real. Atualmente trabalho no meu primeiro livro de poesias, ‘Branco’, e no romance intitulado ‘À margem do rio’”.

Ícaro 

Eu queria escrever um poema
Uma poesia um algo que
Traduzisse meu coração azul
Vermelho e roxo
Minhas artérias meus desenhos na pele
Meus hematomas, cicatrizes
Minha vida minha verdade minha embriaguez
Meu desperdício
Meu amor desesperado meu erro
Minha incoerência minha beleza
Minha feiúra minha desistência
Todos meus adjetivos
Todo o estoque de badulaques com que adorno o cotidiano
O meu o nosso
Mas só penso de novo e de novo
No quanto amei no quanto não amei o quanto sou só
O quanto sou todos vocês
Como só quero dormir sempre e pra sempre
O quanto os sonhos confundem minha realidade
O quanto sou só os sonhos e a vida que sonho
O quanto sou incapaz de traduzi-los em palavras
O quanto acumulo fragmentos que virão a construir meu futuro
O quanto fujo de mim e me encontro
Sem querer, perdida
O quanto odeio meu rosto no espelho
O quanto odeio meu rosto nessas sílabas
O quanto quero novamente dormir e esquecer pra sempre quem eu fui e todos os indícios de quem serei
O quanto posso ser honesta e absolutamente frágil
O quanto posso ser caricata e assustadoramente desconhecida
No fato de não poder, nunca mais, talvez
Escrever um poema
Uma poesia
O quanto sou absolutamente despreparada para lidar com a literatura
Mesmo nas vezes em que os deuses ouviram minhas preces e se apiedaram de mim
Todas as vezes em que fui Deus em meu amor profundo e infantil
Todas as vezes em que perverti a criança capaz de amar
E agora, assim mesmo, nesse momento em que sinto o negror a corrupção e toda essa distância
Do céu dessa coisa divina em mim que talvez seja o que me torne capaz de gravar todo o presente nessas sílabas
Todo esse tropeço nessa escada entrecortada até o paraíso
Paraíso
Paraíso
Não posso dizer nada disso pois tal palavra
Está além da mácula de minha língua
E a poesia está além da mácula de minha língua
E a vida está além
E tudo está muito longe nessa queda vertiginosa
De quem vislumbrou uma luz redentora mas não pôde suportar
Nos olhos
Esses instrumentos demasiado frágeis
A realização e a própria transcendência
E se condenou, no tropeçar
Ao inferno da impotência. 

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Por Cláudio Alcântara  –  claudioalcantaravr@hotmail.com

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