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Mistura de Linguagens

Cia. da Ação! apresenta "Orí" no Teatro do Espaço Z, em Resende

Performance trata da mimetização dos elementos que representam os três orixás de cabeça do performer Calé Miranda: Xangô - o fogo, Iemanjá - os mares e Oxalá - o ar

Teatro  –  07/10/2013 11:28

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(Foto: Divulgação/Marco Netto)

"O espetáculo não é folclórico ou religioso, antes, pretendemos um espetáculo minimalista,
onde as influências japonesa e afro-brasileira sejam percebidas no todo, não no detalhe"

A Cia. Da Ação! apresenta nos dias 11, 12 e 13 de outubro, às 21h, no Teatro do Espaço Z, em Resende, a performance "Orí". A palavra significa "cabeça" em yorubá, língua pan-africana, e é designada para identificar os orixás protetores do iniciado no candomblé (religião afro-brasileira). Segundo o material de divulgação, a performance trata da mimetização dos elementos que representam os três orixás de cabeça do performer Calé Miranda: Xangô - o fogo, Iemanjá - os mares e Oxalá - o ar. Criado a partir de itans - histórias mitológicas do candomblé -, "Orí" foi gestado em residência com o mestre japonês Atsushi Takenouchi, criador do jinen butoh, em Pontedera, Itália, e vai estrear oficialmente no VI Festival Barcelona en Butoh, em novembro.

"O espetáculo não é folclórico ou religioso, antes, pretendemos um espetáculo minimalista, onde as influências japonesa e afro-brasileira sejam percebidas no todo, não no detalhe. Onde exista realmente uma mistura de linguagens, ao ponto de criar-se uma terceira. É a partir de nossas vivências particulares que queremos pensar o coletivo. Nossa aldeia somos nós mesmos e tudo que nos cerca", diz Calé Miranda. 

Espetáculo é dividido em três quadros sequenciais 

> Dança do fogo: Xangô é o deus do fogo, que liga o interior da terra com a superfície. O corpo parte do estado pedra para o magma e o fogo. O performer parte da imobilidade até a explosão como um vulcão.

> Dança dos mares: Celebra a feminilidade contida em todos os seres. Iemanjá é a grande mãe, que pariu todos os orixás, que trouxe a vida do mar para a terra. A dança trabalha as diferenças de ritmo e força das marés e a transição da água do mar para a terra.

> Dança do ar: Oxalá é o orixá supremo, dono de toda sabedoria e criador da humanidade. A dança de Oxalá é uma caminhada que atravessa os tempos, desde a criação do homem até tempos infinitos

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O que é butoh
 

Butoh - a dança das sombras - é um estilo de dança-teatro criado no Japão no fim dos anos 50 sob o forte impacto da bomba atômica. Esse trauma deixou nos japoneses a necessidade de buscar uma forma de expressão que externasse suas emoções e sensações contemporâneas, as quais as formas clássicas de arte japonesas não eram capazes de exprimir. Fortemente influenciado pela "nova dança" alemã e pelo cinema expressionista, somente nos anos 80 as manifestações de butoh começaram a chegar ao ocidente e ainda hoje é pouco conhecida no Brasil. "Butoh é uma dança que parte de uma motivação interna, de uma força vital concentrada no interior do corpo que explode para o exterior e provoca o movimento. Diz-se que o movimento que vemos fora é apenas o que vaza da dança que existe dentro do corpo. Essa perda de controle é causada pela potência da energia concentrada neste corpo", explica Calé Miranda. 

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O que é afro-butoh
 

Desde 2006 Calé Miranda investiga as relações entre a mitologia afro-brasileira e a dança butoh japonesa. A criação parte do mitológico e da cultura animista no candomblé (fogo, vento, pedra, folha, água, terra etc.). Tanto no butoh quanto no candomblé, a dança parte do interior para o exterior do corpo e o performer busca um estado corporal parecido com o transe.

"Chamamos essa nossa dança de afro-butoh, onde a criação é possibilitada a partir da mitologia pessoal do artista. Logo todo ambiente e história pessoal do artista é parte fundamental da criação", observa. Dentro dessa proposta foram desenvolvidos os espetáculos "Orishas urbaines", performances ao ar livre em espaços públicos apresentadas em diversos países da Europa; "Orelha e cogumelos", peça de dança-teatro, vencedora do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz em 2007; "Orixás urbanos", performances de rua vencedor do Prêmio Funarte Artes Cênicas na Rua em 2009; "Orum-Aiyê-Orum" e "Na encruza", intervenções urbanas. 

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Um pouco sobre Calé Miranda
 

Calé Miranda é diretor de teatro, coreógrafo e performer, com formação entre Rio de Janeiro, Londres e Paris. Dirigiu espetáculos de autores como Shakespeare, Beckett, Ghelderode, Garcia Lorca, Heinner Müller, Arrabal, Nelson Rodrigues. Recebeu os prêmios de melhor diretor e melhor figurino, pela montagem da peça "Quartett", de Heinner Müller. Participou igualmente de festivais de teatro no Brasil e no exterior. Foi diretor artístico da Companhia Moderna de Dança do Rio de Janeiro e performer da Stanley Hamilton and friends Company, em Londres. É diretor artístico da Cia. Da Ação! em Resende. Em dança butoh tem constante treinamento há mais de seis anos com os mestres Yoshito Ohno, Carlota Ikeda, Tadashi Endo, Atsushi Takenouchi, Juju Alishina, Katsura Kan, Nourit Masson-Sekiné, Maura Baiocchi, entre outros. 

Quem é quem no espetáculo 

. Criação, direção e interpretação - Calé Miranda
. Figurino - Carla Biolchini
. Iluminação - Calé Miranda
. Assistente de iluminação - Eliza Moreira
. Orientação Jinen Butoh - Atsushi Takenouchi
. Orientação cultura afro-brasileira - Eleonora Ignez, Macamba de Omolocô
. Música original - Vimal Keerti
. Fotografia - Marco Netto
. Design gráfico - Gisele Ferreira
. Divulgação - Lu Gastão
. Administração - Mônica Izidoro
. Produção - Cia. Da Ação! Dança! Teatro 

Serviço

> Orí - No Teatro do Espaço Z, em Resende, dias 11, 12 e 13 de outubro, às 21h. Ingresso: R$ 10. Contatos: ciadaacao@hotmail.com / calemiranda@hotmail.com

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Por Assessoria de Comunicação  –  contato@olhovivoca.com.br

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