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Parêntese do Começo

A tela branca, onde tudo se inicia...

Coluna pretende quebrar paradigmas ao escrever qualquer resenha sobre filmes, dos lançamentos aos mais antigos

Cinema  –  07/09/2012 01:22

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(Foto Ilustrativa)

Nada incomoda mais quem faz filmes do que

uma resenha crítica destrutiva

Esse filme mudou a minha vida... Já ouvimos casos de mulheres que encontraram o amor em uma sala de cinema. Ou, ao menos, na sala de cinema confirmaram que o amor já existia em seus respectivos corações e que deveria receber uma certa dose de investimento. Outrora, ouvimos casos de casamentos que terminaram por causa de um filme. Amizades rompidas, certezas desfeitas, até assassinatos em série já foram ocasionados por causa de um momento sentado em uma sala de cinema. É fato que o cinema mexe mesmo com a vida das pessoas. Podemos dizer até que esta tal força impulsionada por 24 quadros por segundo já moveu nações, como no caso alemão do filme “Triunfo da vontade”, hoje considerado uma das primeiras pulsações do nazismo. Vou dizer que na minha vida não tem sido muito diferente... 

Fui daqueles que passou muitas horas da infância assistindo “Sessão da tarde”. Vi inúmeras vezes a Maryl Streep descendo “O rio selvagem” com Kevin Bacon. Não perdia reprise de “Os Goonies”, “A incrível jornada” nem de “Curtindo a vida adoidado”. Ver Tom Hanks dançando sobre um teclado gigante em “Quero ser grande” foi meu primeiro impulso para a vida adulta. Já me apaixonei no cinema por pessoas que eu não conhecia, tanto na tela, quanto na poltrona ao lado. Já terminei relacionamentos no cinema também. Vamos dizer que a morte me visitou também pela primeira vez no cinema. Todas as sensações que me dão certeza de que eu estou vivo já experimentei no cinema, isso é um fato. Agora “esse filme mudou a minha vida” é uma frase que visitou meus discursos por um outro motivo.

Escolhi na vida viver de cinema

Tenho em minha família diversos artistas disfarçados de engenheiros, médicos, contadores, mas nenhum que realmente escolheu a arte para sobreviver. Eu escolhi, trabalho diretamente com arte desde meu primeiro salário. Talvez de uma forma um pouco diferente pra muitos, pois não costumo aparecer na frente das telas, nem ser o primeiro nome dos créditos iniciais de trabalhos que podem me consumir por mais de quatro anos. E os filmes mudam a minha vida literalmente, de tempos em tempos estou mudando de empresa, de cidade, de companheiros de trabalho, enfim, como todo profissional que escolhe da arte cinematográfica uma profissão.

E é por isso que eu estou aqui: Fui o escolhido pra discorrer sobre cinema, e estou utilizando essas primeiras palavras para justificar um pouco essa bendita escolha. Talvez o meu ponto de vista, algo que não vou conseguir abandonar em frase alguma por aqui, seja diretamente influenciado por essa “experiência” que eu tenho por trás das telas. E já que eu tenho esta carta debaixo da manga vou utilizá-la com todo meu entusiasmo. Tá bom, gente, já terminou a parte narcisista, agora vamos ao que interessa...

O que veremos de cinema aqui?

Como profissional do cinema, pretendo quebrar alguns paradigmas ao escrever qualquer resenha sobre filmes (sim, vou escrever sobre filmes aqui). Nada incomoda mais a gente que faz filmes do que uma resenha crítica destrutiva. Às vezes os filmes não saem exatamente como o esperado, mas isso não quer dizer que não possam mudar a vida de alguém lá na frente. Levando em consideração esse olhar, pretendo buscar aqui um texto crítico, mas sempre em busca do que a obra cinematográfica tem a oferecer de melhor, e não dos percalços do caminho da produção.

Nas próximas linhas, é possível que eu revele alguns segredos de bastidores sim, algumas técnicas, alguns recursos, mas nada distante do objetivo de analisar a obra escolhida. Outro fato importante é que em minhas leituras percebo que as resenhas críticas também são produzidas sempre pro mesmo perfil de público. Ou seja, a definição do que é bom ou ruim está sempre direcionada por um modelo de análise, sem considerar que são múltiplas as análises possíveis de uma mesma obra. Então, em consideração à minha irmã, que costuma amar os filmes que os ditos críticos denegram, me proponho aqui a encaminhar o filme pra seu respectivo admirador: Pretendo recomendar os filmes para seus possíveis consumidores, quase que uma receita médica criada em cima de meu critério pessoal, levando em consideração que ir ao cinema é uma ação que pode ser efetivada por múltiplas razões.

Dois grupos semanais

Vamos então dividir nosso trabalho aqui em dois grupos semanais: “Pra Ver na Telona”, onde faremos uma análise dos lançamentos que vão entrar em cartaz, e “Pra Ver na Telinha”, relembrando filmes que valem um programinha de fim de semana (direto do vídeo cassete). Me permito também abrir um parêntese quando necessário, na coluna criativamente nomeada “Parêntese” com um texto como esse aqui, bem pessoal, mas que me ajuda a trilhar os caminhos por onde correremos ao longo desta empreitada.

E deixo aqui também espaço pra comentários, para, claro, utilizarmos a internet pro melhor que ela tem a oferecer: a interatividade! Então, vamos lá! Que a tela branca ganhe vida, que os créditos iniciais construam a melhor das expectativas, e que a obra se inicie com o maior dos questionamentos, segurando seus expectadores até o último frame iluminado. E você, meu caro leitor, que me permite oferecer palavras em forma de pensamentos, se permita parar uns minutos deste dia para responder a capciosa pergunta: Qual filme mudou a sua vida?

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