
(Fotos: André Aquino)
Cerca de quatro mil trabalhadores da CSN participaram da assembleia
na Passagem Superior da Usina Presidente Vargas, na Vila Santa Cecília
André Aquino
Em torno de quatro mil trabalhadores da CSN participaram na manhã desta quinta-feira, 6, da assembleia extraoficial realizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense na Passagem Superior da Usina Presidente Vargas, na Vila Santa Cecília. A movimentação do órgão sindical começou às 4h30 e terminou às 7h30 - quando a entrada da usina foi liberada.
Durante a assembleia, a direção do sindicato se comprometeu em marcar uma data limite para que a CSN se manifeste e apresente, de fato, uma proposta ao sindicato. Caso isso não ocorra, o sindicato convocará uma assembleia oficial para declarar estado de greve.
- A assembleia de hoje não foi oficial. Então, vamos dar um prazo à CSN. Se eles não apresentarem uma proposta, faremos uma assembleia para propor o estado de greve. E daí poderemos chegar à paralisação total - afirma o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Silvio Campos.
Durante a assembleia, ele garantiu que não assinará acordo coletivo com o aumento zero:
- Isso eu não assino de jeito nenhum. A crise é para todo mundo, não é o trabalhador que tem de pagar essa conta sozinho.
O sindicalista citou ainda o fato da Usiminas (Ipatinga) e Cosipa (Baixada Santista) terem apresentado uma proposta nesta semana: aumento de 6,3% mais um abono salarial de R$ 1.200. O sindicato de Ipatinga recusou a proposta da empresa na mesa de negociação e 77% dos metalúrgicos da Baixada Santista recusaram a proposta em votação secreta.
- A Usiminas e Cosipa estão passando por dificuldades piores do que as da CSN e conseguem oferecer uma proposta. Por que a CSN não? Isso mostra o descaso total da empresa com seu principal patrimônio, o trabalhador - ressaltou Silvio Campos.

Quinta-feira, 6: Movimentação do órgão sindical começou às 4h30 e terminou às 7h30
O diretor de Comunicação Social do Sindicato, Bartolomeu Citeli, de forma informal, perguntou aos trabalhadores se aceitariam uma proposta no valor do INPC. A maioria votou pelo não.
- Nós estamos dispostos a realizar uma greve aqui. A empresa está brincando com os trabalhadores e com o sindicato. Isso não vai ficar barato - enfatizou o Bartolomeu.
Renato Soares, vice-presidente do sindicato, frisou que o país está passando por crise, mas que isso não justifica a postura da CSN em relação ao acordo coletivo:
- Eles (a direção da CSN) estão querendo ganhar dos trabalhadores pelo cansaço. Não vamos deixar isso acontecer.
O atraso nas negociações da CSN também prejudica as negociações com as terceirizadas.
- São milhares de trabalhadores sendo prejudicados - completou.
Data base venceu há 98 dias
O sindicato entregou a pauta de reivindicação à CSN em março e a data base dos metalúrgicos (1º de maio) venceu há 98 dias. Nesse período, o sindicato e a CSN se reuniram apenas quatro vezes e em nenhuma houve avanço nas discussões.
- A CSN não apresentou nenhuma contraproposta até agora. Mas os trabalhadores podem ficar despreocupados porque exigiremos que o pagamento seja feito retroativo à data-base - garante Silvio.
Até o fechamento desta reportagem, a empresa não se manifestou sobre o assunto.
> André Aquino é jornalista
