(Fotos: Divulgação)
Até quinta-feira, dia 5 de março, a Cia de Teatro Arte em Cena já havia realizado sete sessões; a última apresentação está marcada para as 15h de sexta-feira, 6, encerrando a série de oito exibições
A plateia é formada por estudantes da rede pública. No palco, a história de um jovem que entra em contato com o universo das drogas e descobre, da forma mais dura, as consequências dessa escolha. A cena poderia ser apenas mais uma apresentação teatral, mas em Volta Redonda ganhou dimensão de projeto educativo. Durante a Semana de Prevenção às Drogas, a cidade decidiu usar a linguagem do teatro como ferramenta de conscientização.
A iniciativa partiu da Prefeitura de Volta Redonda, que lançou o desafio para diferentes áreas da administração municipal trabalharem juntas em torno do tema. Entraram na articulação a Secretaria Municipal de Assistência e Prevenção às Drogas (Semapred), a Secretaria de Cultura, a Secretaria de Educação, a Secretaria de Esportes e Lazer e a Fundação Educacional de Volta Redonda (Fevre). A execução artística ficou a cargo da Cia de Teatro Arte em Cena.
Para dar forma ao projeto, foi escolhido o espetáculo “Tem Alguém Aí?”, montagem que já fazia parte do repertório do grupo. A peça acompanha a trajetória de Caio, um jovem que acaba entrando no mundo das drogas e passa a lidar com experiências e dores que, segundo a proposta da história, ele jamais precisaria conhecer.
As apresentações começaram na semana de 2 a 6 de março, com sessões pela manhã e à tarde, voltadas para estudantes das escolas públicas do município. A programação foi pensada para alcançar cerca de 1.200 alunos por dia. Ao fim da semana, a expectativa é a de que aproximadamente cinco mil estudantes tenham assistido ao espetáculo.
Até quinta-feira, dia 5, a Cia de Teatro Arte em Cena já havia realizado sete sessões. A última apresentação está marcada para as 15h de sexta-feira, encerrando a série de oito exibições previstas dentro da programação da Semana de Prevenção às Drogas.
- O projeto parte de uma ideia simples, mas com forte impacto social. Unir arte e educação para tratar de um tema que afeta diretamente a juventude. Ao colocar a peça em cartaz durante toda a semana, a proposta foi transformar o teatro em instrumento de reflexão para os alunos da rede pública - diz Stael de Oliveira, que assina a direção do espetáculo.
Para Stael, o projeto também representa um momento simbólico na trajetória do grupo. A companhia completa 36 anos desde sua fundação, em 1989, e encara a iniciativa como uma oportunidade de reunir artistas de diferentes turmas em um trabalho que dialoga diretamente com a realidade de milhares de jovens.
O alcance do projeto, que reúne todas as secretarias municipais envolvidas e atende mais de cinco mil alunos, é visto pelo grupo como uma conquista importante.
- Além da difusão da arte cênica, o espetáculo abre espaço para discutir um problema que atravessa a vida de muitas famílias - destaca Stael.
A experiência no palco tem provocado impacto também entre os próprios atores. Durante as apresentações, segundo a diretora da peça, a reação do público tem sido intensa.
- Crianças e adolescentes se emocionam ao acompanhar a trajetória de Caio e as consequências de suas escolhas.
Depois das sessões, o contato direto entre elenco e plateia tem revelado histórias que ultrapassam a ficção. Muitos estudantes compartilham relatos pessoais e experiências que dialogam com o tema apresentado na peça.
Para os artistas, essa troca transformou o projeto em algo maior que uma simples temporada de apresentações. Além de interpretar personagens, os atores passaram a lidar com realidades que, em muitos casos, fazem parte do cotidiano de parte do público.
- A cada sessão, o teatro cumpre um papel que vai além do entretenimento. Funciona como espelho e também como alerta, levando para dentro da escola um debate que, muitas vezes, ainda é difícil de ser feito - enfatiza Stael.
Apresentação do espetáculo
Ninguém tá escutando o que eu quero dizer
Ninguém tá me dizendo o que eu quero escutar
Ninguém tá explicando o que eu quero entender
Ninguém tá entendendo o que eu quero explicar
Tem Alguém Aí?
A peça conta a história de um menino que, influenciado por más companhias, acaba se envolvendo com drogas... A personificação das drogas constitui um recurso pedagógico intencional de prevenção que favorece a compreensão do público infanto-juvenil sobre os perigos e mecanismos de sedução e dependência associados às drogas. A história apresenta um alerta sobre os perigos das drogas e destaca a importância do diálogo, do apoio familiar e das boas escolhas. O cenário é feito por grades ao qual o mundo das drogas se expressa e a música acompanha o clima deste mundo de poucas possibilidades, o simbólico das drogas é utilizado através de “bolões”.
"Alguns me chamam apenas de Droga"
Texto marcante falado na peça
Entrei neste país sem passaporte, desde então fiz muita gente rica. Alguns estão deprimidos e em destruição, outros foram mortos ainda jovens.
Sou mais valioso que diamante. Faço um estudante esquecer seus livros, faço uma bela rainha esquecer sua aparência. Domino um célebre orador e o faço pobre de raciocínio. Faço de uma mulher uma prostituta. Faço de um homem de bem um bandido. Pego todo seu dinheiro e o faço furtar, roubar e matar.
Eu tenho destruído atores, executivos, políticos e alguns heróis. Tenho desfalcado contas bancárias. Faço de tiroteio e esfaqueamento casos comuns.
Ao estar sob minha companhia... Você estará se dirigindo ao inferno! Meu nome? Meu nome é Morte, alguns me chamam apenas de Droga.
Quem é quem
. Direção: Stael de Oliveira
. Autoria: Stael de Oliveira, Nei Rafael e Otávio Caramel
. Iluminação: Lucas Guimarães
. Sonoplastia: Julia Miranda
. Figurino: Sofia Rocha
. Produção: Beatriz Bastos
. Asssitente de Produção: Francisco Fazollo
. Elenco: Alcimare Dalbone, Ana Kelly Santiago, Beatriz Bastos, Caio Rangel, Lys Rodrigues, Daniel Sousa, Davi Sabino, Gustavo Oliveira, Ioná Andrade, Laura Querino, Manuela Dias, Maria Luiza Venga, Rafaela Mendes, Rebeca Ludolff, Sofia Rocha, Thaís Pereira, Victor José
. Direção Geral: Stael de Oliveira
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