
(Fotos: Divulgação)
Quando: Até o dia 19 de agosto (quarta-feira), sempre às 19h30; histórias e temáticas diferentes, com opções para públicos de idades e interesses diversos
O palco volta a ser ocupado por histórias que já passaram por ele, mas que ainda têm muito a dizer. Começou no dia 11 e segue até 19 de agosto (quarta-feira), no Teatro Gacemss, em Volta Redonda, a 12ª edição do Festival de Inverno Arte em Cena, uma temporada que recupera espetáculos apresentados no Festival de Teatro Arte em Cena e dá a eles uma nova oportunidade diante do público. Ingressos aqui.
São dez espetáculos, e dois dos dias contam com duas apresentações na mesma data. Os espetáculos começam sempre às 19h30 e reúnem histórias e temáticas diferentes, com opções para públicos de idades e interesses diversos.
O Festival de Inverno funciona como uma extensão do Festival Arte em Cena, que chega à sua 27ª edição e tradicionalmente é realizado no fim do ano. A proposta não é apenas oferecer uma segunda chance a quem não conseguiu assistir às montagens na temporada anterior. Para os artistas, a reapresentação também representa tempo para rever, testar, corrigir e amadurecer o trabalho.
- Uma sensação de dever cumprido dentro do segmento. É um grande prazer poder compartilhar a arte com a reapresentação de espetáculos que foram sucesso na edição anterior - afirma a diretora geral Stael de Oliveira, ao falar sobre a chegada do festival à 12ª edição.
A ideia, segundo ela, foi se consolidando ao longo dos anos como uma oportunidade tanto para o público em geral quanto para os próprios alunos da companhia. Quem não pôde comparecer ao festival de fim de ano ganha uma nova possibilidade de assistir às montagens. Já os alunos encontram no período uma maneira de estender e aprimorar suas performances no palco.
A seleção não inclui necessariamente todos os espetáculos apresentados no Festival de Teatro. São escolhidas algumas montagens, muitas delas premiadas em festivais, dentro da proposta e das premissas do grupo.
A nova temporada também permite que o espetáculo deixe de ser uma experiência isolada. Formação de público, aprimoramento em cena e um novo olhar sobre o trabalho estão entre os ganhos apontados por Stael. Ela considera a reapresentação uma oportunidade de revisitar o texto e permitir que a montagem cresça “em todos os ângulos”.
Para atores, diretores e demais profissionais envolvidos, voltar ao palco significa exercício. Refazer, repensar e reler fazem parte de uma pesquisa que, muitas vezes, não encontra espaço suficiente na rotina de produção. O resultado, de acordo com Stael, é o aprimoramento artístico de toda a equipe.
E essa revisão não se limita à atuação. Mesmo quando as mudanças são discretas e nem sempre percebidas pelo público em um primeiro momento, elas aparecem no conjunto da obra. Peças, textos, iluminação, sonoplastia, figurinos e cenários passam por melhorias.
Entre os trabalhos que carregam uma história particularmente marcante na trajetória da companhia estão “Censurado” e “Obediência Cega”, que ficaram entre os melhores espetáculos do estado pela Fetaerj.
“Censurado” é apresentado pelo Arte em Cena como uma aula de interpretação, direção e dramaturgia. O espetáculo foi premiado entre os melhores do Estado do Rio de Janeiro e levou troféus no Paschoalino 2018, da Fetaerj.
A montagem recebeu o prêmio de Melhor Sonoplastia para Stael de Oliveira e o de Melhor Atriz para Marcela Vieira. Stael também foi indicada a Melhor Cenografia, enquanto o espetáculo recebeu indicação a Melhor Espetáculo pelo Júri Popular.
A direção é de Stael de Oliveira. A autoria e adaptação são assinadas por Stael de Oliveira e Igor Andrade, a partir do argumento de Júlio Conti. A montagem ainda conta com música ao vivo de Camila Gabriela e Meninos do Batuque.
Embora o festival tenha uma preocupação em dialogar com públicos de diferentes idades e interesses, Stael ressalta que a diversidade da programação também está ligada ao próprio processo de criação e apresentação. As montagens são constantemente revistas e, não raro, surpreendem positivamente os próprios artistas.
Manter uma programação teatral regular em Volta Redonda tem, para o Arte em Cena, uma função que vai além da agenda cultural. A intenção é oportunizar ao público do interior o acesso a espetáculos teatrais de qualidade, incentivando tanto quem assiste quanto quem está no palco.
Há ainda um aspecto considerado fundamental pela companhia: abrir espaço para que novos talentos apareçam. A juventude, segundo Stael, tem demonstrado interesse pelas artes cênicas, criando possibilidades para o surgimento de novos atores e profissionais.
O cenário da produção teatral no interior também passa por um momento de expansão.
- Diversos segmentos artísticos estão crescendo fora das grandes capitais, embora essas cidades ainda concentrem boa parte da produção. O principal obstáculo continua sendo financeiro, especialmente na construção e montagem dos espetáculos.
Nesse cenário, um festival movimenta muito mais gente do que quem aparece em cena. O Arte em Cena se coloca como incentivador da arte no interior do Estado do Rio e, com suas produções, envolve atores, diretores, autores, cenógrafos, figurinistas, iluminadores, técnicos de som e tantos outros colaboradores ligados às artes cênicas.
O festival também funciona como um reencontro entre artistas e espectadores. Segundo Stael, muitos integrantes do público que acompanham os espetáculos no fim do ano retornam durante o Festival de Inverno. E o comentário que mais se repete é justamente sobre a evolução das montagens.
Os espectadores conseguem perceber mudanças de um ano para outro no conjunto da obra e nas inovações acrescentadas às apresentações. Para o grupo, esse retorno é parte importante do processo de amadurecimento dos espetáculos.
O próprio festival também amadureceu. Depois de tantos anos de atuação da Cia. Arte em Cena, a produção se tornou mais fácil em alguns aspectos, mas a companhia procura manter aquilo que funciona e, a cada ano, acrescentar elementos capazes de fazer público e atores crescerem juntos.
O que permanece essencial, segundo o grupo, é o interesse cada vez maior dos jovens pelo teatro e a possibilidade de ver os pais orgulhosos dos filhos no palco. A companhia também destaca os adultos que descobriram o talento para a atuação depois de já terem vivido boa parte de suas trajetórias pessoais. São experiências que, para o Arte em Cena, representam orgulho e satisfação.
Nesse percurso, o Gacemss ocupa um lugar central. O teatro é descrito pela companhia como a casa onde seus integrantes se nutrem de arte e encontram espaço para entregar o trabalho ao público com qualidade.
- Ter o Gacemss como sede das apresentações significa contar com um teatro completo, equipado com as especificações necessárias para uma montagem teatral. Volta Redonda ganha em qualidade cultural por ter o Gacemss como espaço de produção e apresentação.
Para quem ainda não tem o hábito de frequentar teatro, o convite é direto. Segundo Stael, ficar de fora significa perder a oportunidade de vivenciar o espetáculo em sua forma mais pura, com a emoção de uma apresentação ao vivo.
- É uma sensação que, depois de experimentada, ninguém tira.
E a história do grupo não para nesta temporada. Entre os projetos previstos está o Festival Shakespeare em Cena, que será apresentado no fim do ano. A companhia também estuda enriquecer a programação com apresentações de convidados.
Para as próximas edições, a ideia é ampliar as possibilidades de intercâmbio. O Arte em Cena afirma que, como exporta atores e técnicos das artes cênicas para todo o Brasil, está sempre em contato com ex-alunos que seguem produzindo e desenvolvendo novos trabalhos.
Esse movimento pode resultar na presença de espetáculos, oficinas, esquetes, performances e rodas de conversa com esses ex-alunos, aproximando novamente artistas que passaram pela companhia e hoje constroem suas próprias trajetórias.
Depois de 12 edições, o legado pretendido pelo Festival de Inverno é o mesmo defendido pelo festival de fim de ano: incentivar a cultura em Volta Redonda e mostrar que a produção artística do interior pode ter qualidade e força.
No palco do Gacemss, essa proposta ganha uma nova temporada. São espetáculos que retornam, artistas que revisitam seus trabalhos, alunos que ampliam sua experiência e um público que tem mais uma oportunidade de descobrir o que o teatro produzido na cidade tem a oferecer.
Confira a programação

. Dia 11 (terça-feira): A Linha do Tempo - Livre
Direção: Stael de Oliveira
Sinopse: Do ventre do tempo, nasce a primeira voz, um sussurro de barro e sonho. Ela pinta nas cavernas o rosto do mundo, antes mesmo de ser nomeada. No Egito se fez adorada... Na Grécia subjugada... Como Joana D´Ark queimada... No Renascimento pintada... Já no Impressionismo despertada... No Surrealismo vem como Frida, retratada, para se impor como Marylin na Pop Art... Resistindo ao machismo e à desvalorização. Na arte a mulher se reinventa, vencendo o silêncio. Foi musa e enfim, sua própria obra-prima. Querem impor-lhe moldes, mas ela os quebra com gestos de eternidade. No teatro, na dança, nas tintas, na palavra, pulsa o coração da história. O tempo, diante dela, curva-se em admiração e arrependimento. Do anonimato à autoria, ela redesenha o destino com mãos firmes... Mãos de Mulher! No palco, o passado e o futuro se encontram! Tic Tac... Tic Tac... Tic Tac... É a Evolução da mulher!
. Dia 12 (quarta-feira): Por Detrás da Máscara e Como é Difícil Dizer Não - Livre
(Duas peças no mesmo dia e horário, uma após a outra)

Por Detrás da Máscara
Direção: Stael de Oliveira
Sinopse: Sete Segredos! Sete Confissões! Sete Personalidades! Sete Máscaras! Sete Vozes! Sete Vidas... Sete mulheres habitam o mesmo espelho, mas cada uma esconde um segredo. Sete telas revelam o que o sorriso disfarça, o que o medo não consegue revelar, dor, silêncio, cansaço. A depressão permeia entre gestos contidos e risos ensaiados. Elas fingem leveza, mas o mundo cobra em cada olhar. “Por Detrás da Máscara”, pulsa o grito que não se permite calar. O palco é denuncia, é espelho partido, é alma nua. Entre a angústia e a esperança, elas buscam o próprio rosto. Porque fingir já não basta, é preciso existir.

Como é Difícil Dizer Não
Direção: Stael de Oliveira
Sinopse: Uma palavra pequena... De três letras e uma sílaba... Uma palavra de negação... Mais simples e utilizado em nossa língua... Que fica o tempo todo em nossa boca... E às vezes sai sem que a gente perceba... Não!
- Não vai dar!
- Não dá tempo!
- Não consegui!
Para quem pensa que é uma palavra fácil de dizer... estão muito enganados... Poderão ver como é difícil dizer não! E como essa palavrinha tão pequena pode mudar o rumo dessa história.

. Dia 13 (quinta-feira): Páginas do Silêncio - 12 anos
Direção: Nei Rafael
Sinopse: Em um mundo distópico onde a leitura é crime e os livros são proibidos, uma personagem ousa quebrar o silêncio. Ao ler e escrever sobre aquilo que lhe foi vetado, ela torna-se alvo - e símbolo de resistência. Misturando fatos reais com possibilidades aterradoras, o espetáculo revela o poder da palavra e o medo que os controladores nutrem dela. Porque no fim, num regime que teme ideias mais que armas, uma única página pode acender uma revolta.

. Dia 14 (sexta-feira): Entre Contos e Encantos - Livre
Direção: Nei Rafael
Sinopse: Personagens que se perdem julgando uns aos outros apenas pelas aparências... Entre contos e encantos de reis e rainhas, príncipes e donzelas, pessoas simples que se amam, além de bruxas medonhas, assustadoras e horripilantes, mas nem tudo que reluz é ouro, essa é a moral. Fiquem à vontade para viajar entre estes contos, pois a história é sua!

. Dia 15 (sábado): Censurado - 14 anos
Direção: Stael de Oliveira
Sinopse: A partir das produções artísticas da época da ditadura, a peça “Censurado” apresenta um paralelo, onde nas sombras do passado, ecos de 1964 ainda sussurram nas esquinas do presente. Vozes silenciadas insistem em ser ouvidas, rompendo o véu da história abafada. Entre documentos e lembranças proibidas, nasce o desejo de dizer. Um elenco dividido entre medo e coragem colocando sua Arte em Cena num país que ainda teme falar. A censura mudou de rosto, mas continua a ditar o que se pode sentir. A peça revela feridas que o tempo tentou esconder, mas não cicatrizou. O palco se torna tribunal e confessionário, onde a verdade é um ato político. “Censurado” é um grito que atravessa décadas, exigindo coragem e resistência.

. Dia 17 (segunda-feira): Escola de Bruxos - Livre
Direção: Stael de Oliveira
Sinopse: Entre feitiços e sombras, ergue-se uma escola onde o poder pesa mais que a magia. O diretor Anakton, senhor de mandos e desmandos, reina sem saber o que é amar. Harry Potter foi a inspiração para surgir o texto. Os alunos desta Escola vivem sob o medo, aprendendo a se esconder, desconfiados e atentos. Mas a “Lua Azul” se ergue rara, misteriosa, libertadora, como uma esperança... Ela anuncia um tempo da mudança, onde o amor vence o controle e a coragem vence o medo. Nos corredores frios, nasce a rebelião dos corações encantados. E a verdadeira magia se revela transformando dor em liberdade, na nossa Escola de Bruxos.
. Dia 18 (terça-feira): Mensagem Secreta e Diário - Livre
(Duas peças no mesmo dia e horário, uma após a outra)

Mensagem Secreta
Direção: Nei Rafael
Sinopse: Quando um menino recebe uma declaração de amor secreta, numa brincadeira, ele embarca numa jornada engraçada e cheia de mistério para descobrir quem a escreveu. Por pistas escondidas no armário, bilhetes coloridos e sussurros pelo corredor da escola, ele mergulha no universo jovem onde todo toque de celular vira pista e cada risada pode esconder a verdadeira autora da mensagem. Entre risos, sustos e descobertas, ele percebe que o verdadeiro enigma não era só “quem me escreveu?”, mas o que acontecerá quando ele descobrir quem foi.

Diário
Direção: Stael de Oliveira
Sinopse: “Diário” é uma comédia com fundo reflexivo, onde o bullying, disfarçado de brincadeira, mostra suas feridas e absurdos. Entre risos e lágrimas, um grupo de jovens revela as páginas escondidas de seus diários. No palco, cada personagem tenta rir de si mesmo para não chorar, transformando a dor em ironia, o constrangimento em cena. As palavras escritas ganham voz, dançam entre o riso nervoso e a confissão sincera. O humor surge como defesa, mas também como cura. Aos poucos, o riso abre espaço para o afeto e a compreensão. A peça mostra que crescer é rir do que doeu, sem esquecer o que se aprendeu. Um espetáculo leve e profundo sobre saber ser diferente, mas se respeitando sempre.

. Dia 19 (quarta-feira): Obediência Cega - Livre
Direção: Stael de Oliveira
Sinopse: Uma denúncia! Um apelo... Uma indignação contra a obediência que oprime... Num mundo onde o silêncio é receita e a inquietude tem nome de doença, crianças aprendem a engolir comprimidos ao invés de respostas. Sua liberdade vem em cápsulas e a calma em miligramas. Caminham em fila dóceis, domesticados pela química do controle. O palco se torna espelho da mente adormecida, onde o grito quer nascer, mas a língua pesa. “Obediência Cega” revela o preço da normalidade: a morte do sonho em troca da paz fabricada. E quando a consciência desperta, não há remédio que a cale. É sobre curar-se de uma sociedade que teme o pensamento livre. Abafados nesse breu há um grito de socorro, um alerta para crianças, jovens e adultos perdidos nessa escuridão... Reprimidos por essa “Obediência... Cega”
Quem é quem
. Direção teatral e dramaturgia: Stael de Oliveira e Nei Rafael
. Produção: Stael de Oliveira, Nei Rafael, Lucas Guimarães, Beatriz Bastos, Mari Ribeiro e Letícia Sanches
. Sonoplastia e operação de som: Julia Miranda e Letícia Sanches
. Iluminação: Nei Rafael e Lucas Guimarães
. Maquiagem e cabelo: Beatriz Bastos e Mari Ribeiro
. Figurino: Mari Ribeiro, Tiago Luna e Sophia Rocha
. Cenografia: Mari Ribeiro e Tiago Luna
. Fotografia: Izabele Fotografia
. Filmagem: Cena 4
. Direção Geral: Stael de Oliveira
. Realização: Cia de Teatro Arte em Cena
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