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Cláudio Alcântara

claudioalcantaravr@hotmail.com

Arte Engajada

pRoSCEniUm retoma atividades em Volta Redonda

Grupo de teatro que trabalha com experimentações, performances corporais e urbanas busca novos integrantes

Teatro  –  14/11/2015 10:06

Publicada em: 23/09/2015 (13:07:20)
Atualizada em: 14/11/2015 (10:06:54)

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(Foto: Divulgação/Jorge Gonzaga) 

Quengo: Personagem gerou dois espetáculos e várias apresentações relâmpago, com improviso 

O pRoSCEniUm está de volta. E de portas abertas para quem quiser se enveredar pela arte teatral. O grupo, de Volta Redonda, foi formado em 1996, originado de uma oficina que Giglio ministrava como animador cultural em uma escola da rede estadual. Alguns alunos continuaram e se profissionalizaram. 

Segundo Giglio, o grupo sempre trabalhou com adaptações de clássicos ou textos autorais. A ideia, diz ele, sempre foi buscar formas próprias de traduzir texto em cena e, aos moldes de Brecht, fazer cenas que levem a plateia a pensar. 

- E assim fizemos muita coisa diferente. Montamos "Valsa nº6", de Nelson Rodrigues, com a Vanessa Giácomo (atualmente na novela "A regra do jogo" - Globo); "Brasil nunca mais" (com Anderson Alves), do livro de mesmo nome da Arquidiocese de São Paulo; "Fim de partida", do Samuel Beckett, com o Albinno Oliveira (esse trabalho nos redeu prêmios de melhor direção, ator, iluminação, cenário, sonoplastia em festival do Sated - ); "Não sei"; "Atrás do sol tem coisas"; "Miss Cutting"; "Claudine" (Cris Ferreira ganhou prêmio de melhor atriz no Festival de Esquetes do Sesc - Serviço Social do Comércio); "Acabou"; "Era uma vez... Um sertão bravio", de minha autoria. Fora os infantis, com o palhaço Quengo (dois espetáculos e várias apresentações relâmpago, com improviso) - lembra. 

- Outra característica que precisa ser citada é que sempre buscamos trabalhar com jovens artistas e, preferencialmente, com quem vem de escolas públicas, programas sociais, que é nosso público preferencial. Também realizamos oficinas e workshops, como o Intensivão pRoSCEniUm, de uma semana intensiva de treinamentos com o que já trabalhamos - acrescenta.

Confira a entrevista com Giglio 

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(Fotos: Divulgação)

"Vejo o Sala Preta aparecer, fazer arte engajada de verdade; mas não tenho visto
outros grupos; tenho visto mais o interesse pelo glamour do teatro e da televisão"
 

O que levou à paralisação dos trabalhos do grupo? 

Depois de nossa última montagem, cada artista foi cuidar de sua vida, como sempre acontece ao fim da temporada. Em seguida tive uma grande depressão que me afastou de todos meus trabalhos. Isso por volta de 2012. Quando melhorei estava envolvido com meus trabalhos de poesia, produção e os parceiros mais próximos como o Albinno Oliveira e o Anderson Alves envolvidos em seus respectivos trabalhos. Aí fui seguindo com os saraus e não fiz mais nada concreto de teatro. Apenas uma ou outra apresentação do Quengo. 

Por que o grupo está retomando suas atividades agora? O que motivou isso? 

Muito tempo sem estar com uma galera, exercitando o palco, o corpo, a vida. Me alimenta estar vivenciando a energia do teatro. Eu precisava voltar. E também porque quero ver coisas diferentes. Estéticas diferentes. Com as boas exceções do Sala Preta, do Cordão Popular e As Bastianas, não tenho visto nada de novo, ou de estéticas que me empolguem aqui em Volta Redonda e Barra Mansa. Quero tentar coisas que não tentei ainda. Talvez voltar com um outro clássico... 

Por que o grupo está buscando jovens artistas? Há um limite de idade para participar? 

Não! Nunca existe limite de idade! É aberto para qualquer idade. Mas jovens têm mais disponibilidade. Procuram cursos etc. Só não pode ser muito imaturo, pois trabalhamos com temas adultos. 

Defina experimentações, performances corporais, urbanas, que é a proposta de trabalho do grupo. 

Até a pausa do grupo, pesquisávamos o treinamento de viewpoints, que é um treinamento vindo da dança em que se observam alguns "pontos de vista" ou focos para a realização de exercícios que vão dar ao ator um novo repertório de movimentos e ações. Experimentaremos isso o tempo todo e a ideia é ligar isso à ocupação do espaço urbano. A relação da cidade, do meio, com o corpo de quem está atuando. 

"Claudine": Cris Ferreira ganhou prêmio de melhor atriz no Festival de Esquetes do Sesc

 

Arte engajada. O que isso significa na sua concepção?

Arte engajada é arte política. Não só no que fala. Ela não precisa fazer um discurso. Se é arte feita pela periferia, ela por si já é engajada. Já é luta política. No caso do pRoSCEniUm sempre foi tentar falar. Contamos a história da cidade, falamos sobre as torturas na ditadura, falamos sobre crianças prostituídas, demos oficinas gratuitas em escolas públicas, nos apresentamos em ocupações de sem teto e sem terra... Isso é arte engajada.

Quando você enfatiza isso como uma característica do grupo é porque não vê arte engajada nos outros grupos da região? 

É um diferencial. Vejo muito pouco. E o pouco que tem não aparece. Vejo o Sala Preta aparecer, fazer arte engajada de verdade. Mas não tenho visto outros grupos. Tenho visto mais o interesse pelo glamour do teatro e da televisão. 

Projetos. O que o grupo pretende produzir ainda este ano? 

Tenho namorado alguns textos. Vai depender das características do grupo que se formar. Mas tô preparando trabalho solo. Coisas novas para o Quengo. Pra fazer na rua. Falando da rua e o processo de higienização social que acontece por todo país e tá acontecendo aqui em Volta Redonda com a perseguição dos artistas e movimentos de rua e a burocratização da vida de artesãos, artistas e manifestações como a Roda de Rima. 

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Serviço
 

> Quem quiser fazer parte do pRoSCEniUm deve confirmar participação no evento criado no Facebook e enviar uma mensagem inbox. Ou telefonar ou ainda enviar mensagem pelo Whats App: (24) 9-9996-7802.

Por Cláudio Alcântara  –  claudioalcantaravr@hotmail.com

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