(Foto Ilustrativa)
Não há mal nenhum em uma nação exportar a
democracia, a liberdade individual, instituições
que funcionem, tecnologia, capitalismo etc.
Renato Barozzi
Ser antiamericano no Brasil e ser politicamente correto são sinônimos já faz tempo. É como se o sujeito, ao declarar impropérios contra a maior De-mo-cra-ci-a do mundo, revelasse sua aura imaculada, sendo visto com bons olhos pelos pares e intitulado um militante de esquerda esclarecido. Antiamericanismo num país que flerta com o "bolivarianismo" é credencial de acesso a altares do poder erguidos em terreno arenoso.
Enquanto a nossa "intelligentsia" se ocupa em desqualificar, reprovar e culpar os Estados Unidos por seus problemas e medos, os brasileiros que por lá viveram desejam retornar, pois já não aguentam mais o Brasil. Os turistas com os quais converso voltam de suas férias maravilhados com a beleza natural e construída, em êxtase com o acesso generalizado ao bem-estar e cheios de vergonha com tamanha educação, organização e senso de coletividade do americano, isso apesar de culturalmente valorizarem a individualidade.
A diferença entre nós e os norte-americanos é que, mesmo possuindo lá seus defeitos, como qualquer povo os possui, por lá viceja a confiança e o respeito, inigualáveis, nas instituições. Enquanto que, por aqui, nossos políticos são os primeiros a destruí-las. Lá, conceitos como justiça, mérito, gratidão, reconhecimento e liberdade são extremamente caros aos seus habitantes. Quando digo habitantes, quero citar também os imigrantes aculturados, pois os valores daquela nação impregnam e contagiam os que por lá escolhem viver.
Ao contrário do que muitos pensam, o país não foi alvo de grupos extremistas externos. As vítimas dos ataques a Boston, assim como em outras tentativas anteriores, foram alvejadas por desequilibrados que viviam, trabalhavam, se divertiam, estudavam e, a sua maneira, tentavam ser alguém na vida dentro das fronteiras que os acolheram e lhes deu oportunidades, as quais, eles acharam melhor jogar, literalmente, pelos ares.
Há um fetiche mundial em querer destruir os Estados Unidos. Talvez sua postura dominante ajude a fermentar esse sentimento. Eu não vejo mal nenhum em uma nação exportar a democracia, a liberdade individual, instituições que funcionem, tecnologia, capitalismo etc. É melhor ter isso a oferecer do que exportar: cocaína, pobreza, ideologias fracassadas, impunidade, dinheiro desviado, falácia diplomática e, entre outras coisas, algumas frutinhas exóticas.
É risível este "quarteto fanático" sul-americano. Tem sempre uma palavra de retaliação aos irmãos do norte, mas vendem o petróleo e inúmeras outras commodities que sustentam suas políticas populistas e os mantêm no poder à custa de: capitalismo correndo na veia e socialismo sendo cuspido pela boca.
Sem falar no exército, ou manada, que os cercam. Os que estão lotados no pelotão da comunicação persuasiva, distorcem tudo, torturam números ou pensam a partir de premissas falsas. Vejam só: Barack Obama é fruto de ações afirmativas bem estruturadas, portanto, edificantes. Desafio as ações afirmativas brasileiras, que se assemelham a um acesso cortesia sem a necessidade de pagar a comanda na saída, a formarem um "Obama" pelos próximos 50 anos.
Outro exemplo é o do filme "Lincoln", celebrado por hordas afoitas babando e dizendo que Lincoln foi o precursor do mensalão. Canalhice. Bullshit. Lincoln queria construir uma nação sem racismo que prosperasse e se tornasse grande apesar dele. A nação ele conseguiu, mas o racismo infelizmente ainda existe. O ideal de Lincoln não era pessoal. Ele não queria "construir um projeto de 20 anos no poder para um partido". Ele sabia dos riscos, transcendeu, e foi assassinado. Enquanto os mensaleiros faziam troça dos riscos, se lambuzaram e agora querem até mesmo tirar poderes dos Tribunais. Quanta megalomania. Quanta vagabundagem cínica. Quanta ideologia de botequim.
Nos Estados Unidos não há negociata com bandidos, nem tolerância com a ilegalidade. Os policiais que agem assim estão com os dias contados. Aqui, nossas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) são apenas uma barreira contra a guerra de facções que tanto vitimou civis no Rio de Janeiro, enquanto a droga continua sendo vendida à luz do dia, como num retorno ao tráfico romântico dos anos 80, quando o bandido era o mocinho da comunidade. Só que agora o mocinho veste farda e finge que não vê nada. Não sou contra as UPPs. Penso que elas colocam ordem no caos. Quem não gosta de UPP é político aliado a bandidagem em busca de votos.
Alguns policiais de UPP fazem o mesmo que os colarinhos brancos fazem em Brasília, traficam influências e vendem facilidades, isso num país onde o lobby não é uma atividade legalmente institucionalizada. Vai entender.
Mas, a despeito de tudo isso, somos um povo amável, solidário, de visão e com cifras. E, para demonstrar tais adjetivos, foi noticiado que o BNDES acaba de criar uma nova diretoria voltada exclusivamente para os países da América Latina, Caribe e África com o objetivo de aumentar o financiamento às empresas brasileiras que exportam bens e serviços aos países dessas regiões. "Segundo informação publicada no Diário Oficial da União, o objetivo da nova diretoria, criada por decreto presidencial, é cuidar de assuntos relacionados a esse grupo de países". Isso é o que dizem, mas se esqueceram de falar do "objetivo implícito", pois: contando com um abre-alas como o ex-presidente Lula e um consultor de "peso" como o José Dirceu, haja comissão. Haja financiamento da campanha da Dilma em 2014.
E ela mesma foi bastante ágil em dar a notícia pessoalmente à "Tristinha Kirchner". Tadinha, sempre com aquela cara de luto. Estava precisando mesmo de uma linha de crédito que a alegrasse un poquito. Imagina as duas juntas no fim de semana. Enchem a pança de chorizo, bailam um tango, falam mal do Barack e, na segunda-feira, a Dilma de volta cheia de azia e prisão de ventre, fazendo cara de inteligente, insulta os subordinados nos despachos e reuniões de trabalho.
Pra frente Brasil.
Mesmo que o circuito seja oval.
Pra frente Brasil sil sil sil...
> Renato Barozzi é administrador, professor, historiador, bancário, cronista e integrante da Academia Voltarredondense de Letras
