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Ambiente Opressor

Ensino público: escolas ou prisões?

Alimentação é de baixa qualidade, material utilizado é inadequado, livros defasados, espaços são apertados, com salas superlotadas

Artigos  –  23/09/2012 16:09

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(Foto Ilustrativa)

Vamos nos libertar dessas prisões e

transformá-las em verdadeiras escolas

“Ainda me lembro aos 3 anos de idade, o meu primeiro contato com as grades, o meu primeiro dia na escola, como senti vontade de ir embora, fazia tudo que eles quisessem, acreditava em tudo que eles me dissessem, me pediram para ter paciência, falhei gritaram: - cresça e apareça!”

Renato Russo escreveu esses versos em 1985, de lá para cá, 27 anos se passaram e o que vemos hoje dentro e fora das escolas públicas não é muito diferente. Prédios murados e gradeados, correntes, cadeados, iluminação ruim, muito eco que gera sons incômodos forçando os professores a manterem portas e janelas fechadas, enfim, um ambiente opressor, que está pautado numa relação de poder entre opressor e oprimido e que se torna reflexo da sociedade em que vivemos.

De uma forma ou de outra, nossas escolas públicas, principalmente as do ensino fundamental, são pensadas para as classes mais baixas, desde sua arquitetura até a sua estrutura funcional. A alimentação é de baixa qualidade (no caso de Volta Redonda com diversas denúncias de irregularidade), o material utilizado é inadequado, livros defasados e/ou que não refletem o que de melhor tem para a aprendizagem, os espaços são apertados, o que faz com que tenhamos sempre salas superlotadas.

Tudo isso faz com que tenhamos um ensino de baixa qualidade e que vivamos em tensão o tempo todo, tendo diariamente situações de conflitos com violência extrema, seja ela verbal, psicológica ou física, tanto entre os alunos quanto entre alunos e professores. Com o passar dos anos, isso vem aumentando exponencialmente, chegando a casos como o da escola Tasso da Silveira em Realengo, município do Rio de Janeiro. E a atitude tomada para prevenir esses casos é transformar as escolas em prisões mais bem equipadas, com detectores de metal.

Todos somos partes de uma mesma engrenagem, tanto alunos quanto professores são usados e manipulados por políticos que só têm interesse na manutenção de nosso status quo, não nos querem desenvolvidos intelectualmente, não nos querem transformadores, nos querem apenas máquinas reprodutoras que servem ao mesmo propósito mantenedor. O que faz com que também nosso trabalho seja menos valorizado e consequentemente menos remunerado.

Grandes educadores passaram por nossa história, defendendo práticas libertadoras da educação, estudamos vários em nossa formação e quando entramos em sala de aula “morremos”, somos absorvidos por essa grande engrenagem e não conseguimos fazer a diferença. Muitos fazem até trabalhos interessantes, mas rapidamente são oprimidos, pelo todo, que por já afundado dentro da mesmice não valoriza o que se destaca e tenta a todo custo diminuir seu valor.

Onde vai acabar a nossa educação? Onde vão acabar nossas escolas? Não podemos mais aceitar que gritem com as crianças, temos que unir nossas vozes, em prol da educação, do pensamento, da liberdade, da ética, do que é melhor para todos e não só para um determinado grupo. Todos têm o direito a uma educação de qualidade, assegurado pela Constituição, então vamos fazer valer nosso direito. Vamos nos libertar dessas prisões e transformá-las em verdadeiras escolas.

> Felipe Falcão é pedagogo formado pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), com pós-graduação em educação especial e orientação educacional

Por Felipe Falcão  –  fcarisio@uol.com.br

1 Comentário

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  • Galocha VR

    Parabéns Felipe Falcão! Embora não seja professor conte comigo para unir nossas vozes para libertar outros, dessas prisões. Devido a essa situação, creio que estamos despreparados para escolher bons governantes para cuidar da necessidade maior que é a educação. Com os vereadores e prefeito atuais nada mudará se os eleitores e leitores não priorizarem a educação em suas escolhas. Na minha formação básica era motivado a ler artigos das próprias professoras no jornalzinho da escola, de grande aprendizado aos alunos, o que sinto saudades hoje. Então vamos unir nossas vozes para outros se motivarem para as mudanças.