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Volta Redonda Ontem, Hoje e Amanhã...

Arrogância do prefeito Neto não permitiu o diálogo

Não será somente de palavras bem intencionadas que faremos a cidade que sonhamos viver um dia; é preciso atitude, seriedade e trabalho árduo

Artigos  –  01/09/2013 16:23

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(Foto Ilustrativa)

Próximo prefeito tem que reconhecer que não

será o dono da cidade, mas apenas um condutor

do processo que no futuro nos levará a ser uma

cidade média de importância relevante

para o estado e o país

 

Renato Barozzi

Não vou entedia-los com datas e registros cronológicos detalhadamente delimitados. Meu interesse é oferecer um ponto de vista fundamentado em princípios democráticos e na inalienável liberdade que tenho para dizer tudo aquilo que penso, sem a preocupação em agradar ou desagradar quem quer que seja.

Farei aqui uma revisão sucinta da minha avaliação da história recente de Volta Redonda, contando, é claro, com seguidores que concordam e discordam, com leitores que ao lerem o nome do autor ignorarão o conteúdo e com aqueles que acham que tudo o que eu disse é um exagero. Mesmo assim, insisto. Aí vai...

Ontem...

Neto assumiu a cidade de Volta Redonda quando ela seguia numa situação de inércia insignificante. Não fosse pelo passado "glorioso" do Getulismo que por aqui deitou raízes e pela luta metalúrgica que emergiu nas décadas de 80 e 90 do século passado e incendiou os noticiários políticos e econômicos, nossa relevância estaria relegada aos livros didáticos e a eventuais dissertações que submergem em poeiras nas prateleiras de bibliotecas universitárias país a fora.

Neto teve o desafio de tornar Volta Redonda uma cidade moderna, obtendo êxito quase total na empreitada. Construiu, limpou, organizou, encheu seu povo de orgulho e satisfação. Fez algo similar ao que um pai faz ao preparar um filho para a vida, dando-lhe condições e estimulando suas capacidades para os desafios futuros. Seu mérito estava exatamente nisto, assumir uma cidade que engatinhava, uma tabula rasa ou base zero e, em cima de todo este vazio existencial obter um desenvolvimento exponencial.

Esse desempenho permitiu com que Neto até mesmo sonhasse com a vaga de vice-governador dada ao Pezão pelo PMDB.

Hoje...

Após grandes feitos, obras realizadas, bases consolidadas, Neto cometeu e comete erros irreparáveis. Orgulhoso do que construíra, trancafiou sua obra prima como se a ele somente pertencesse, tendo-a em seu imaginário de reduzida perspectiva como sendo uma criatura sua e de mais ninguém.

Essa postura cegou-lhe. Tiranizou-se. Deixou de cultivar ambições políticas para sua carreira. Sentou sobre seus louros. Alijou a democracia. Tornou-se "deus". Não deixou que a cidade caminhasse num processo natural. De pai zeloso e atento, transformou-se num impedimento, num empecilho, tolhendo capacidades e aptidões naturais, isolando lideranças emergentes, construindo barreiras em todas as frentes de ação, politizou todos os assuntos, loteou instituições, fiou-se numa opinião pública sedenta por recursos públicos, tratou qualquer divergência como inimigos potenciais a serem derrotados. Sua arrogância não permitiu o diálogo.

Com um pai assim, só restou ao filho virar-lhe as costas. E isto começou a acontecer nas urnas em 2012 quando a população demostrou seu descontentamento ao eleger Neto apenas no segundo turno numa votação apertada.

Este fato mostrou ao senhor Neto que sua unanimidade se exaurira. E, para consolidar minha metáfora, afirmo com conhecimento de causa que quando um pai deixa de ser para o seu filho o super-herói, foi-se a inocência e é chegada a maturidade e com ela a responsabilidade de perceber que tudo aquilo que limita nossas ambições e nossa vontade de crescer, definitivamente, não é bom para nós. Sua obra prima se revelaria um plágio.

Amanhã...

Na iminência da cassação do prefeito Neto, resta-nos acreditar que Volta Redonda estará liberta. Livre das mãos de um político que não respeitou limites importantes e indissociáveis do sucesso duradouro e perene. Limites com a intolerância que fecha as portas ao contraditório, com a percepção de que qualquer organismo vivo precisa respirar e não pode ser sufocado, e isto se aplica a uma cidade.

Agora é o momento do florescimento. Temos a nossa "primavera árabe". Sai um dileto representante deste importante povo e entra um caricato exemplar da espécime "papa goiaba".

É necessário e salutar que agora emerjam novas lideranças, que os jovens profissionais que daqui partiram por não suportar viver num feudo medieval, retornem, edifiquem seus lares e deem sua contribuição. Rogo para que os afluentes empresários, e eu conheço alguns bastante inteligentes e cheios de vivacidade e desejo de realizar, empreendam sem medo.

Quem quer que seja que assuma a Prefeitura de Volta Redonda - ainda que não seja agora, mas num futuro próximo, pois mesmo que o prefeito Neto não seja cassado, seu tempo à frente da administração municipal está chegando ao fim. O desgaste é natural e se acelerou nos últimos anos -; quem quer assuma a cidade, deve ter sempre como premissa a humildade. A humildade em reconhecer que não será o dono da cidade, mas apenas um condutor do processo que no futuro nos levará a ser uma cidade média de importância relevante para o estado e o país.

Vale aqui um parêntese: (Há pelo menos oito anos eu digo que Volta Redonda tem a vocação para ser uma cidade semelhante a Juiz de Fora, e já poderíamos estar mais próximos desta realidade, não obstante barreiras territoriais incontornáveis).

O diálogo é uma atitude a ser fomentada constantemente. Os problemas devem ser relatados e discutidos. O administrador municipal precisa excluir do seu convívio os que só chegam com boas notícias, uma anedota para agradar e os tapinhas nas costas seguidos de "está tudo bem", isso é um princípio bíblico.

A relação com a imprensa tem que ser transparente. Se fosse eu a assumir a prefeitura, seria radical neste ponto. Chamaria os editores dos jornais e diria: é bom para todos nós, políticos, população e profissionais da impressa que seja veiculada em todas as edições ao menos uma opinião de cunho crítico ou de conotação contrária ao que pensamos.

Enfim, não será somente de palavras bem intencionadas que faremos de Volta Redonda a cidade que sonhamos viver uma dia, mas com atitude, seriedade e trabalho árduo.

Um governo que não age assim desde o principio, corre o risco de se afundar em falsas verdades e se afogar num narcisismo ruinoso irreversível.

> Renato Barozzi é administrador, professor, historiador, bancário, cronista e integrante da Academia Voltarredondense de Letras

Por Redação do OLHO VIVO  –  contato@olhovivoca.com.br

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