(Foto Ilustrativa)
Agosto passou pelo caminho de Damasco
convertendo queimadura em perplexidade
- Ah minha filha, lençol precisa ter pelo menos 300 fios, os egípcios são os melhores! Eu tenho até alguns com 200, mas não são tão bons! disse a madame para a vendedora ao sair da loja, antes de prosseguir a faraônica busca.
- Que frescura! pensou bem alto a moça, que em volume mais baixo continuou: - Para mim, lençol para ser muito bom tem que ficar esticadinho na cama, dando a sensação de toalha estendida na areia fofinha da praia e à noite, depois que eu dormir, ele tem que me levar para as arábias com a rapidez de um tapete mágico.
Uma vez tive um lençol azul-céu; nele eu fui estrela, não uma estrelinha qualquer não, aquela que na verdade é um planeta, a Vênus! e também tive outro, um verde-água encantador, onde mergulhei de pé, de ponta e de lado.
Não entendo bem essa história de fios de algodão às centenas, pra quê? Com a dezena de fios de cabelo recolhidos sobre os meus lençóis preferidos tramei canoa - subi e desci o Nilo... fui rainha.
À das "Mil e 429 Mortes"
Agosto passou pelo caminho de Damasco convertendo queimadura em perplexidade.
- É sério! É Síria! É Sarin!
> Leonor Vieira-Motta é integrante da Academia Voltarredondense de Letras (sementesdolacio@hotmail.com)
