(Foto: Reprodução)
Mandela: Uma constatação de como ser forte
Leonor Vieira-Motta
Quando foi um dia, por isso ou por aquilo, era assim mesmo que ela dizia, teve vontade de ir ao cinema e como ficasse sem jeito de ir sozinha chamou o filho caçula, adolescente.
- Eu hem, vão pensar que eu tô namorando uma coroa!
Mais tarde, quando o primogênito chegou do trabalho, pediu a ele que fosse com ela. Sem entusiasmo ele respondeu:
- Claro, claro! Não quis nem tomar banho ou trocar de roupa e recusou a janta, tava sem fome e tinha pressa. Saíram. Na sala de projeção, ela notou a diferença no trato, nada de braço protetor em volta do seu ombro como ele costumava fazer e nem a pipoca. É! - e a pipoca? Dessa, ele só se lembrou e foi comprar, durante o trailer.
Aos próximos filmes ela irá sozinha, afinal, mãe também cresce!
***
Macabéa, em sua hora de folga, continua não entendendo bem esse negócio de ser e se indaga:
- Ser, é ser bonita? - ou, ser, é ser feia? - ou, ser, é ser invisível?
Até constatar:
- Ser, é ser estrela!
***
Um ano sem Oscar Niemeyer, uma semana sem Dom Waldyr Calheiros e dias sem Nelson Mandela, sinto-me órfã. Órfã e mais forte, como constatei quando perdi meu pai.
> Leonor Vieira-Motta é integrante da Academia Voltarredondense de Letras (sementesdolacio@hotmail.com)
