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Constatações

Sinto-me órfã; órfã e mais forte, como constatei quando perdi meu pai

Um ano sem Oscar Niemeyer, uma semana sem Dom Waldyr Calheiros e dias sem Nelson Mandela

Artigos  –  07/12/2013 14:05

2022

(Foto: Reprodução)

Mandela: Uma constatação de como ser forte

 

Leonor Vieira-Motta

Quando foi um dia, por isso ou por aquilo, era assim mesmo que ela dizia, teve vontade de ir ao cinema e como ficasse sem jeito de ir sozinha chamou o filho caçula, adolescente.

- Eu hem, vão pensar que eu tô namorando uma coroa!

Mais tarde, quando o primogênito chegou do trabalho, pediu a ele que fosse com ela. Sem entusiasmo ele respondeu:

- Claro, claro! Não quis nem tomar banho ou trocar de roupa e recusou a janta, tava sem fome e tinha pressa. Saíram. Na sala de projeção, ela notou a diferença no trato, nada de braço protetor em volta do seu ombro como ele costumava fazer e nem a pipoca. É! - e a pipoca? Dessa, ele só se lembrou e foi comprar, durante o trailer.

Aos próximos filmes ela irá sozinha, afinal, mãe também cresce!

***

Macabéa, em sua hora de folga, continua não entendendo bem esse negócio de ser e se indaga:

- Ser, é ser bonita? - ou, ser, é ser feia? - ou, ser, é ser invisível?

Até constatar:

- Ser, é ser estrela!

***

Um ano sem Oscar Niemeyer, uma semana sem Dom Waldyr Calheiros e dias sem Nelson Mandela, sinto-me órfã. Órfã e mais forte, como constatei quando perdi meu pai.

> Leonor Vieira-Motta é integrante da Academia Voltarredondense de Letras (sementesdolacio@hotmail.com)

Por Redação do OLHO VIVO  –  contato@olhovivoca.com.br

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