(Foto Ilustrativa/Sem Destino)
O tempo, em seu pipocar, assíduo e persistente,
cortou o céu iluminando a noite de réveillon
Leonor Vieira-Motta
Desembalou o tempo, o colocou no micro-ondas e apertou: Pipoca.
- Ah, está em inglês?! - Que seja então, "Popcorn"!
Pela porta de vidro refratário, atenta, ficou observando o giro do tempo, no prato, e quanto mais ele girava, tanto mais vida impunha para aquela roda. Quanta catarse!
O tempo, em seu pipocar, assíduo e persistente, cortou o céu iluminando a noite de réveillon.
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No primeiro dia do ano, dorme a menina, chega da festa o rapaz. Na rua, uma ou outra alma penada. No céu, um pardal desgarrado. No horizonte, um sol de ressaca se anuncia acanhado.
Nesta manhã, a eternidade humilde e generosa, trata novamente de ensaiar passadas.
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- Fiz só isso, assim que ele apontou pra mim, o encarei. Tanto na minha cabeça, quanto na do corpo celeste, explosão era prenúncio de claridade! - Portanto, nem um de nós atirou: duelo de vida. - Sol, me aguarde, em 2014 tem mais!
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A peleja já aconteceu, teve 365 "rounds" e nós, os lutadores, hoje, 31 de dezembro de 2013, exaustos, ofegantes, atônitos, estarrecidos, exultantes ou simplesmente, ilesos, acreditamos que a próxima será mais leve, afinal, estamos técnica, intelectual e emocionalmente melhor preparados!
- Será?
> Leonor Vieira-Motta é integrante da Academia Voltarredondense de Letras (sementesdolacio@hotmail.com)
