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Exercício Diário

O belo e o feio, encontros e desencontros

Viver bem é ter seus próprios encontros, sem influência de grupos e modismos culturais

Artigos  –  03/02/2014 09:54

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(Foto Ilustrativa)

Não sou melhor do ninguém...

 

Ricardo Yabrudi

O que devo comer? O que devo assistir na televisão? Qual jornal devo ler? Será que a escolha é pessoal ou é influenciada por algum modismo? Será que existe uma ideologia que manipula minhas escolhas? Deveríamos nos indagar sempre como em um exercício diário, levantando questões, opiniões e indagações. Será que a pessoa "culta", aproveita melhor a vida? Será que o dinheiro proporciona maior diversão, entretenimento, mais lazer, maior satisfação interior? Duvido muito disso! Ninguém é melhor do que o outro, já dizia Lacan: "Os outros são os mesmos". De acordo então com esse princípio Lacaniano, só me encontro quando encontro o outro que na verdade está dentro de mim. Só fico feliz se consigo enxergar o "Outro".

Mas por que será que as atividades ligadas à arte, à mídia televisiva são tão vigiadas e julgadas por uma justiça chamada "culta". Em uma visão infantil e banal essa justiça julga os "menos cultos", de inferiores, o que é um grande erro. Não sou melhor do que ninguém, não sou melhor porque fui à Grécia e vi o Partenon, não sou melhor porque li o "Grande sertão: Veredas", de Guimarães Rosa, mas sou melhor quando compreendo o outro que não me compreende quando quero ser simples e me reduzo a nada no meu juízo estético com respeito às pessoas. Afinal, o que é o "belo"? Será que é melhor do que o "feio"? Isso é oposição barata, dicotomismo de elite. Para um oncologista, como exemplifica Umberto Eco em sua história da feiura, o câncer é "belo" por se tratar do objeto de sua paixão profissional.

Como diz Gilles Deleuze eu seu abecedário, quando fala de cultura: "Cultura são encontros. Ele explica: Satisfaço meu desejo quando vou a uma exposição de fotografia ou pintura, satisfaço o meu desejo quando vou ao cinema etc." São apenas encontros, isso é cultura para Deleuze, e não erudição como muitos afirmam. A cultura oferece, portanto, esse ciclo, que vem e volta, entre o feio e o belo, entre encontros e desencontros, pois como diz Deleuze é preciso sair da filosofia para poder entrar na filosofia. Tomara que possamos nos servir de encontros nas nossas cidades e que nos fortaleçam, para o bem da humanidade, afinal, como disse Aristóteles em sua obra (Política), "Surge a cidade (polis), formada originalmente para atender às necessidades da vida, e na sequência, para o fim de buscar viver bem". Viver bem é ter seus próprios encontros, sem influência de grupos e modismos culturais.

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Por Redação do OLHO VIVO  –  contato@olhovivoca.com.br

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