(Foto Ilustrativa/Brasiland Brazil)
Amor, lar, praia, porto, pátria, para o marinheiro
grego estavam todos reunidos ali - na ilha
Leonor Vieira-Motta
Sabe-se, nas primeiras horas da república, das dificuldades vividas por Dom Pedro II, até zarpar no navio Alagoas rumando definitivamente para a Europa.
Em meados de novembro de 1889, o mar da Guanabara tão agitado quanto o país inteiro, em noite de escuridão tenebrosa, quase virou mausoléu. O imperador aos 63 anos correu sério risco de morte ao passar da lancha para o cruzador Parnaíba que o levaria até a Ilha Grande de onde partiria para o exílio.
De certo, os magos, reis da baía próxima, Angra, sabendo de antemão da saudade que Pedro sentiria do Brasil, por instantes, muy respeitosamente, aventaram não deixá-lo partir.
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Impaciente, sem saco, o poeta Manuel Bandeira, caminha pela praia do Saco em Mangaratiba admirando a restinga da Marambaia. Emociona-se a ponto de se esquecer que a razão o tornara ateu e faz uma oração pedindo a Nossa Senhora uma guia, para ajudá-lo a encompridar a tão mal cumprida vida.
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Sentado no píer de Mangaratiba esperando a hora de embarcar para o cárcere, o escritor Graciliano Ramos aprende a dar nós de pescador. Com eles, chegando à Ilha Grande, unirá memórias.
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Amor, lar, praia, porto, pátria, para o marinheiro grego estavam todos reunidos ali - na ilha. Lugar de onde ele saía, mas voltava sempre.
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No fim da tarde, vaidoso, o horizonte com seu colar de ilhas preciosas, presente da generosa Baía de Sepetiba, se deixa emoldurar pelas janelas panorâmicas da pousada, na praia Toca do Peixe, a Piquara.
> Leonor Vieira-Motta é integrante da Academia Voltarredondense de Letras (sementesdolacio@hotmail.com)
