(Foto Ilustrativa/SCA)
Passamos a vida nos procurando em
tudo; e estávamos ali, na nossa frente
Basta estarmos juntos num familiar almoço, com mesa posta de toalha desbotada, panelinhas de barro com feijão fresco no alho, arroz branquinho, carne de panela com batatas. Basta juntos tomarmos banho de chuva no quintal no final da tarde. Somos simples demais. Sempre foi assim.
Passamos a vida nos procurando em tudo. E estávamos ali, na nossa frente.
Descobertas feitas de sorrisos infantis nas faces dos filhos e dos pais idosos, ou na alegria do abraço de reencontro com amigos de infância. Ou no "oi" que recebemos de quem começa a se chegar agora, pra junto e para sempre.
Somos metidos demais em querer saber de tudo. Quase esqueço o quanto ainda voltarei aqui para aprender, durante dias e noites, ao som de músicas lindas de Minas e de sambas.
Tem um trem de simplicidade parado ao meu lado, uma mala cheia de surpresas de mim mesma, pronta a ser aberta.
Buscamos a chave para quê, se ela esteve sempre pendurada em nosso pescoço? Num cordãozinho que a mãe nos deu na adolescência e pediu que guardássemos junto do peito. Era ela, a chave.
Somos simples demais. Sempre foi assim.
