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Crônica

Outono, uma estação doce e fresca...

Não deixe de ver a realidade, mas conspire a favor da mudança dela

Artigos  –  22/03/2014 11:40

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(Foto Ilustrativa/Conversa Entre Irmãs)

Não reclame das folhas caindo no quintal

e nas ruas; sinta o perfume que exalam ao

serem juntadas para secar

 

Regina Vilarinhos

Sempre gostei do outono. Sou de Aquário, nasci em pleno verão de Porto Alegre, mas sou do outono.

Minhas viagens a passeio são escolhidas para lugares de campo, serra. Quase nunca vou às praias. Gosto de mar, mas a montanha e as cachoeiras são a minha paixão.

Eu sinto gosto de outono no meu café de todo dia. As lembranças da adolescência e juventude são da casa cheia no outono. Até mesmo para escrever, me sinto mais inspirada depois do verão. Não é amargura, nem melancolia. É um prazer pelos cheiros, ventos e sorrisos que ficam diferentes nesta estação.

"As manhãs de outono me fazem lembrar de um tempo que minha mãe sentava ao sol, no quintal, catando feijão ou arroz, e eu ficava ao seu redor, para aproveitar o calor dos dois. Às vezes, fazia tricô ou crochê". Isto escrevi em outra crônica, anos atrás.

E porque foi tão quente o último verão, porque tivemos tantos fatos pavorosos e bárbaros nos alimentando o estresse diário, porque somos tão pequenos diante da nova vida dos filhos de Cláudia e de Amarildo, e das mães dos jovens policiais que partiram para o outono no azul, é que desejo para nós uma estação doce, fresca, lutando juntos pela vida que merece respeito em todas as circunstâncias.

Não deixar de ver a realidade, mas conspirar a favor da mudança dela. Não reclame das folhas caindo no quintal e nas ruas. Sinta o perfume que exalam ao serem juntadas para secar.

Porque elas nos deixam entender o que ficou para trás.

Por Redação do OLHO VIVO  –  contato@olhovivoca.com.br

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