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Esperança Clandestina

Muito coração verde, amarelo, branco e azul anil sangrou aqui e no exílio

Famílias inteiras assistiram aos jogos da Copa de 70 até a conquista do tricampeonato mundial pela seleção brasileira no México

Artigos  –  07/04/2014 17:43

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(Foto Ilustrativa/Aquarela em Cores)

Marchinha ufanista repetia à exaustão

nas rádios tentando ocupar

"geopoliticamente" ouvidos e mentes

 

Leonor Vieira-Motta

O ano era o de 1970, o futebol daquele domingo, de Copa do Mundo, Brasil versus Inglaterra. Vitória brasileira difícil aquela, sofrida, um tento a zero!

O único gol, o decisivo da partida surgiu de uma jogada com leveza de brisa atingindo a meta com energia avassaladora de furacão. Depois de driblar três jogadores ingleses, Tostão passou a bola para Pelé que num passe genial a lançou para Jairzinho chutá-la zunindo no canto esquerdo da rede adversária.

Diante dos televisores, famílias inteiras não só assistiram a esse e aos outros jogos até a conquista do tricampeonato mundial pela seleção brasileira no México, como viveram naquele período ditatorial uma clandestina esperança de liberdade.

Na final, enquanto eu me encantava com a invasão afetuosa das centenas de sombreros coloridos no gramado do estádio, peguei carona num comentário de gente grande e registrei na minha memória de adolescente principiante o que diziam: Pelo menos essa alegria não é um milagre da economia! Ou é?!

Desde aquele outono nebuloso com um inverno cor de chumbo à espreita (a decisão da Copa se deu em 21 de junho) fiquei atenta ao disse me disse, ouvido e lido, aqui e ali, sobre atos institucionais, movimentos estudantis, presos políticos, pessoas torturadas, desaparecidas e mortas.

Não obstante a marchinha ufanista repetida à exaustão nas rádios tentando ocupar "geopoliticamente" ouvidos e mentes, a partir de 1964, muito coração verde, amarelo, branco e azul anil sangrou aqui e no exílio.

> Leonor Vieira-Motta é integrante da Academia Voltarredondense de Letras (sementesdolacio@hotmail.com)

Por Redação do OLHO VIVO  –  contato@olhovivoca.com.br

4 Comentários

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  • Paulo Roberto Bittencourt

    Foi a primeira copa que acompanhei e foi muita emoção realmente. Ainda era criança e sem noção do que rolava fora do campo. O jogo da Inglaterra foi o único que não assisti (meu pai tinha me colocado de castigo... risos), mas vibrei muito com aquele primeiro título que eu assistia nosso país vencer em 70. Seu texto me trouxe boas recordações. Nosso país mudou bastante e espero que estejamos cada vez melhor preparados, no campo e fora dele também. Obrigado e Parabéns Leonor.

  • Giovana Damaceno

    Leonor, por que seus textos nunca são publicados na página da Academia Volta-redondense de Letras? Esperava vê-los lá, como os dos outros membros.

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