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Figurinhas

De 94 a 2014, dos EUA ao Brasil, 20 anos depois

Alguns estádios da Copa que ainda não foram terminados acabaram sendo retratados no álbum

Artigos  –  21/04/2014 10:49

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(Foto: Reprodução/DF Bom Negócio)

Álbum mostra a deficiência do

Brasil para promover tal campeonato

 

André Aquino 

Extra, extra! O Fred acaba de ser trocado por Messi. A negociação foi tensa, mas o poder de persuasão venceu. Dono do passe do argentino, um garoto de 12 anos, queria levar na negociação mais dois craques brazucas: David Luiz e Paulinho. Recebeu um sonoro "não" meu. Assim, consegui completar minha centésima figurinha do meu álbum, mas ainda faltam mais 540. E uso todas as artimanhas manipuladoras para negociar, convencer e, por fim, colar a figurinha no álbum. 

Mas a coleção vai muito além de diversão: relembra a minha infância em 1994 quando colecionei pela primeira e única vez. Não me lembro de nenhum jogador de 2010 ou 2006, mas em 94 me lembro de todos: Taffarel, Jorginho, Ricardo Rocha, Ronaldão, Mauro Silva, Branco, Bebeto, Dunga, Zinho, Rai e Romário. Posso ser saudosista, mas era um tempo mágico: os craques eram atletas com alma de astro do rock - o politicamente correto não era tão exacerbado como hoje. Lembro-me da cotovelada de Leonardo em cima de um americano em pleno 4 de julho nos Estados Unidos, a bomba do gordinho Branco em cima da Holanda, o beijo e a declaração de amor de Bebeto ao Romário após um gol. As frases antológicas do baixinho. Naquele tempo, o povo vibrava a cada drible e, de dez ruas de minha cidade, dez eram pintadas para a Copa. 

Voltando aos dias de hoje, a Copa aqui e minha coleção de figurinha: o álbum mostra a deficiência do Brasil para promover tal campeonato (deixo claro: sou a favor da Copa no Brasil por "n" motivos). Só para ter uma ideia, alguns estádios da Copa que ainda não foram terminados acabaram sendo retratados, como é o caso do Itaquerão. Nas figurinhas da arena de São Paulo, é possível ver parte da arquibancada ainda não concluída. A arena da Baixada, de Curitiba, aparece em obras, assim como o Estádio Beira-Rio e a Arena Amazônia, que foram retratados sem parte das cadeiras nas arquibancadas. 

O que mais me irritou, porém, foi a escalação do álbum de figurinha: aparece Robinho na lista dos 17 jogadores. Não o quero nem no meu álbum, muito menos na Seleção Canarinha. Troco ele por qualquer jogador de Honduras. Robinho é o Zinho de 2014. Aliás, meu álbum não será completo: recuso-me em colar o retrato dele. Atenção, atenção: doo a figurinha do Robinho. 

> André Aquino é jornalista

Por Redação do OLHO VIVO  –  contato@olhovivoca.com.br

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