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Até o dia 30 de abril, tratemos de alimentar a fera
Naquela manhã de 23 de abril, cansado de aniquilar o dragão, São Jorge desembainha a espada e a lança em direção à Terra.
Camuflada na garupa do som, discretíssima, ela segue viagem.
Nenhum olho humano, com ou sem telescópio conseguiu registrar a incisão precisa com a qual ela foi abrindo seu caminho pelos compartimentos estratificados da atmosfera, até cravar a ponta de sua lâmina afiada num jardim de casa.
Tanta peleja e perspicácia redobraram-lhe a resistência e a transformaram em planta, Espada - de - São Jorge. Nova na forma e sob mesma direção ela conquistou disposição perene para lutar, senão a mais altiva, a mais alternativa das guerras.
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Procuro no cardápio por goiabada com queijo, não acho.
Pergunto ao garçom e sinceramente consternado ele explica:
- Em quatro ou cinco dias o que era doce se acabou, a história de amor virou tragédia! Se não há goiabada ou queijo, não há goiabada com queijo, sem Romeu não há Julieta, sem Julieta não há Romeu e muito menos Romeu e Julieta!
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Num confim de savana, uma leoa sem se preocupar com a caça para o almoço, conversa com a vizinha. Conta para ela que o marido se mandou com unhas, garras e dentes para o Brasil sem data para voltar.
- Portanto, até o dia 30 de abril, tratemos de alimentar a fera!
