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Crônica

Declarações de guerra, amor e renda

Uma leoa conversa com a vizinha, conta para ela que o marido se mandou com unhas, garras e dentes para o Brasil sem data para voltar

Artigos  –  28/04/2014 10:11

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(Foto Ilustrativa/Shutterstock)

Até o dia 30 de abril, tratemos de alimentar a fera

 

Leonor Vieira-Motta

Naquela manhã de 23 de abril, cansado de aniquilar o dragão, São Jorge desembainha a espada e a lança em direção à Terra.

Camuflada na garupa do som, discretíssima, ela segue viagem.

Nenhum olho humano, com ou sem telescópio conseguiu registrar a incisão precisa com a qual ela foi abrindo seu caminho pelos compartimentos estratificados da atmosfera, até cravar a ponta de sua lâmina afiada num jardim de casa. 

Tanta peleja e perspicácia redobraram-lhe a resistência e a transformaram em planta, Espada - de - São Jorge. Nova na forma e sob mesma direção ela conquistou disposição perene para lutar, senão a mais altiva, a mais alternativa das guerras. 

*** 

Procuro no cardápio por goiabada com queijo, não acho.

Pergunto ao garçom e sinceramente consternado ele explica:

- Em quatro ou cinco dias o que era doce se acabou, a história de amor virou tragédia! Se não há goiabada ou queijo, não há goiabada com queijo, sem Romeu não há Julieta, sem Julieta não há Romeu e muito menos Romeu e Julieta! 

***

Num confim de savana, uma leoa sem se preocupar com a caça para o almoço, conversa com a vizinha. Conta para ela que o marido se mandou com unhas, garras e dentes para o Brasil sem data para voltar.

- Portanto, até o dia 30 de abril, tratemos de alimentar a fera!

Por Redação do OLHO VIVO  –  contato@olhovivoca.com.br

1 Comentário

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  • Ana Lucia Cardoso de Assis Melo

    Parabéns Leonor Vieira-Motta, mais um meio de propagar seu trabalho tão gostoso, saboroso mesmo, uma leitura de alta qualidade. Sua fã Ana Lucia Melo.