(Foto: Reprodução)
Desde 2010 meu perfil tornou-se um moribundo
virtual, assim como o de tantas outras pessoas
André Aquino
Resolvi fazer um passeio turístico diferente nesta semana: liguei o computador e visitei a cidade fantasma do Orkut, com as suas ruínas em formato de perfis e comunidades. Vivi uma onda nostálgica ao rever pastagens (scraps, aliás) de amigos, familiares e conhecidos. E descobri que neste ano o site completou 10 anos no ar, numa festa sem nenhum convidado.
Uma das últimas vezes que escrevi uma frase no Orkut foi em julho de 2010. Tinha 28 anos, fazia faculdade de engenharia, e acabara de começar a frequentar uma região e postei: "Don´t Worry Be Happy". Desde então, meu perfil no Orkut tornou-se um moribundo virtual.
Não consegui obter mais informações sobre meu perfil porque esqueci a senha e tive que criar outra conta para poder realizar meu passeio. E não estou sozinho nisso. Perguntei aos meus colegas de redação do jornal quem ainda lembrava a senha do Orkut. Ninguém, claro. E vi nos olhares deles a vontade de reviver o passado recente e se sentiram impotentes perante a impossibilidade.
Com a curiosidade natural de um turista para desbravar a cidade fantasma, resolvi fazer um teste. No novo perfil do Orkut, adicionei 50 pessoas aleatoriamente e dei um prazo de cinco dias. Resultado? Ninguém me aceitou. Nem mesmo a minha querida mãe.
Arrisco-me dizer que a página fantasma é o documento mais importante de dado primário da década passada, tão importante quanto os processos judiciais e recortes de jornais. No futuro, pesquisadores que forem ao Orkut vão entender numa escala microscópica o que estava acontecendo no país naquele momento. E a visão dos brasileiros. Está tudo lá: moda, política, entretenimento, cultura, esporte e, sem falar, na inclusão digital e social.
Pesquisei e não encontrei nenhum indício do fim oficial da rede social do Google. Ela continuará no ar para os pesquisadores do sítio arqueológico virtual.
E não se esqueça: leia a sorte do dia.
> André Aquino é jornalista
