(Foto Ilustrativa/Rio Transfer)
O quinto pestinha chega depois
da Copa e antes das eleições
André Aquino
Vivo com a sensação constante de que fiquei, definitivamente, pra titio. Tenho quatro, o quinto pestinha chega depois da Copa e antes das eleições. A mais velha não completou uma década. Se antes deles existirem eu os adorava e os desejava, como eu posso não os amar agora que eles têm forma, sorriso, coração, nome e sobrenome? Impossível.
Tento fazer uma linha de tio legalzão, aquele que deseduca com a perfeição de avós: deixo fazer tudo que os pais proíbem. A intimidade é tanta que, às vezes, eles se esquecem do meu título de tio e só me chamam de Dedé. As mães recriminam, eu adoro.
Viajo na imaginação infantil deles, a flamenguista, a chamo de Elano e o tricolor, de Fred. Narro, entrevisto e apito as peladas de domingo no jardim da casa da vovó. Troco figurinha, bato bafo e digo, com orgulho, que completei o álbum da Copa primeiro do que eles.
Nos momentos mais sérios, converso sobre as desventuras amorosas do Cirilo, de "Carrossel", e a chatice de Maria Joaquina. Passo os domingos disputando o Ipad com Ben 10, Max Steel, Real Racing 3 e RunBot. Ou no canal Discovery Kids. Mas ainda prefiro brincar das brincadeiras de verdade: pique-pega, esconde-esconde, quente ou frio, polícia e ladrão. E no final de tanta diversão eles ainda viram e dizem: "Nossa, tio Dedé, você parece criança!". Eu os acho lindos, espertos, inteligentes e penso: "Puxou o tio".
Crianças, não cresçam! Isso é uma cilada danada.
> André Aquino é jornalista
