(Foto Ilustrativa/Bebida Liberada)
Sou contra aqueles que não sabem o que
é impedimento, centroavante, bandeirinha,
córnea e 4 4 2, e que saem de casa só pra
perturbar a ordem pública
André Aquino
Hoje tem jogo, de novo. Amanhã também. Depois, mais um. E assim vai ser este mês. O que isso significa? Bagunça, bebedeiras, palavrões, discussões, engarrafamentos, acidentes, bares e hospitais lotados. E muito, muito barulho: coitado dos indefesos cães e gatos que entram em pavor ao escutar fogos de artifícios e a única solução é fugir da casa do amado dono em busca de um paraíso silencioso.
Não sou contra a Copa, amo futebol a ponto de conseguir completar o álbum figurinhas um mês antes do apito inicial da competição. Conheço, pelo menos de vista, os jogadores de todas as seleções: de Honduras ao Brasil.
Sou contra, no entanto, aqueles que não sabem o que é impedimento, centroavante, bandeirinha, córnea e 4 4 2, e que saem de casa só pra perturbar a ordem pública e fazendo de cada jogo do Brasil uma terça de Carnaval e, no dia seguinte, Quarta de Cinza - independente do resultado da partida.
Sou chato, confesso. Talvez, a idade me deixou mais exigente e busco em primeiro lugar o bem estar, o meu e o dos outros. Assisti ao primeiro tempo da primeira partida do Brasil numa sala da redação do jornal, em companhia com dois colegas de trabalho: deixei de ser jornalista para ser mais um Felipão. Oscar e Neymar levaram o time nas costas, Marcelo mereceu o gol contra para deixar de ser marrento e Fred, do meu amado Flu, desapareceu no Estádio Fielzão.
No segundo período, por obrigação profissional, percorri bares de minha cidade para ver como estavam os torcedores: bêbados, claro. Entrevistar alcoolizados é tão chato quanto assistir ao São Cristóvão e América pela segunda divisão do Carioca. Os torcedores justificaram que assistir aos jogos nos bares dá a sensação de estar num estádio.
Só se for da antiga geral do Maraca da década de 50.
> André Aquino é jornalista
