(Foto: Divulgação/CBF)
Ele é um líder da torcida, capitão
extraoficial da Seleção Brasileira
André Aquino
Zagueiro tem que ter cara de mal, impor respeito, assustar os atacantes com o olhar. Tem que ser o beque de várzea, pé de foice, carniceiro, xerifão. David Luiz é tudo isso, mas a simpatia supera todos os paradigmas de um bom zagueiro clássico. Admito que, antes da Copa do Mundo, não conhecia muito dele, e via apenas como mais um zagueiro do Felipão que exibe a mesma cabeleireira magnífica do basqueteiro Anderson Varejão e, para os exagerados, Valderrama da Colômbia da década de 90.
Na era dos selfies, o cara com as suas caretas vai bem além do ótimo futebol demonstrado: com carisma, gingado e muito bom humor ele conquistou o coração da torcida brasileira. E o meu também. Reconhecido pela Fifa como melhor atleta da primeira fase, com a incrível nota média de 9,75.
O cabeludo pode ser até midiático, mas não há marketing que segure a imagem de um destemperado. David Luiz é ídolo das crianças, um exemplo do objetivo maior do esporte: a amizade e a paz entre os povos. O zagueirão consolou, num ato de solidariedade e carinho, o colombiano James Rodriguez com uma naturalidade espontânea como se fosse um amigo de infância.
Ele é um líder da torcida, capitão extraoficial da Seleção Brasileira. Vide o episódio da cobrança de pênaltis contra o Chile, quando chamou para si a responsabilidade de cobrar o primeiro, enquanto o capitão oficial, em choque, se derramava em lágrimas.
Ele tem estrela. Em 40 jogos pela seleção, ele não havia marcado um golzinho sequer. Só no Mundial foram dois, além da cobrança de pênalti contra o Chile, mais do que o próprio centroavante Fred (cômico, se não fosse trágico).
David Luiz vai muito além dos cachinhos fofos e as caras e bocas. É um típico garoto propaganda da Coca-Cola.
> André Aquino é jornalista
